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Diabetes Mellitus e Doenças Cardiovasculares

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Machado // Carlos Vicente Serrano Jr.
DISLIPIDEMIA DIABÉTICA: PRINCIPAIS ESTUDOS CLÍNICOS
// Otávio C. Mangili // Leonardo C. Mangili // Raul Dias Santos
ÁCIDO ACETILSALICÍLICO E OUTROS ANTIPLAQUETÁRIOS NA PREVENÇÃO CARDIOVASCULAR NO DIABETES
// Ruy Lyra // Monica Oliveira // Bruna Costi // Alexandre de Matos Soeiro // Marcus B. Gaz // Carlos Vicente
Serrano Jr. // Raul Dias Santos
ABORDAGEM DO DIABÉTICO COM SÍNDROME ISQUÊMICA CORONÁRIA AGUDA
// Thiago Quinaglia // Luiz Felipe Rodrigues dos S. Carvalho // Otavio Rizzi Coelho // Andrei C. Sposito
REVASCULARIZAÇÃO MIOCÁRDICA CIRÚRGICA NO DIABÉTICO: QUANDO REALMENTE FAZ A DIFERENÇA
// Luiz Antônio Machado César // Nilson Tavares Poppi
CARDIOMIOPATIA DIABÉTICA E INSUFICIÊNCIA CARDÍACA NO PORTADOR DE DIABETES
// Antonio Carlos Pereira Barretto // Carlos Henrique Del Carlo
HIPERTENSÃO NO PORTADOR DE DIABETES E RISCO MACROVASCULAR
// Luiz Aparecido Bortolotto // Antonio Carlos Pereira Barretto // Carlos Henrique Del Carlo
HIPERTENSÃO NO DIABÉTICO: PRINCIPAIS ESTUDOS E FLUXOGRAMA DE TRATAMENTO
// Marco Antônio Mota-Gomes // Annelise Machado Gomes de Paiva
NEFROPATIA DIABÉTICA E DOENÇA CARDIOVASCULAR
// Osvaldo Kohlmann Junior
40.
41.
ÁCIDO ÚRICO E RISCO CARDIOVASCULAR NO DIABETES MELLITUS TIPO 2
// Heno Ferreira Lopes // Henrique Cotchi Simbo Muela
ABORDAGEM DO DIABÉTICO HOSPITALIZADO: CIRURGIA E ANESTESIA
// Lucia Helena de Oliveira Cordeiro // Maria Amazonas
Capítulo 1
DEFINIÇÃO, DIAGNÓSTICO E CLASSIFICAÇÃO
DOS DISTÚRBIOS NO METABOLISMO
DOS HIDRATOS DE CARBONO
// Ruy Lyra // Daniela Coelho
INTRODUÇÃO
O diabetes mellitus (DM) é uma doença de crescente importância na saúde pública, pois suas
incidência e prevalência estão avançando de forma assustadora.
A prevalência dessa condição clínica em países com estilo de vida ocidental é estimada em 6 a
7,6%. Conforme dados da International Diabetes Federation (IDF), há 382 milhões de pessoas com
diabetes no mundo, sendo o Brasil o país que ocupa o quinto lugar no ranking daqueles com o maior
número desses pacientes. No Brasil, no final da década de 1980, estimou-se a prevalência de DM na
população adulta em 7,6%; dados mais recentes apontam para taxas mais elevadas, como 13,5% em
São Carlos/SP e 13,6% em Triunfo/PE. De acordo com a Sociedade Brasileira de Diabetes (SBD), o
número estimado de pacientes portadores de diabetes no Brasil é de 12 milhões. Caso nenhuma
intervenção seja realizada, em 2035, a estimativa é de que o número de pessoas com diabetes chegue
a 592 milhões em todo o globo.
As complicações associadas à doença comprometem a produtividade, a qualidade de vida e a
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sobrevida dos indivíduos. Além disso, o DM acarreta altos custos para controle metabólico e
tratamento das complicações, o que traduz o impacto socioeconômico. Veja alguns exemplos da
importância dessa doença:
o DM no Brasil aparece como a sexta causa mais frequente e contribui de forma significativa
como diagnóstico primário de internação hospitalar (30 a 50%);
portadores de diabetes representam cerca de 30% dos pacientes que se internam em unidades
intensivas coronarianas com dor precordial;
DM é a principal causa de amputações de membros inferiores e de cegueira adquirida;
as pessoas com diabetes compõem cerca de 26% dos pacientes que ingressam em programas
de diálise;
dados brasileiros de 2010 mostram que as taxas de mortalidade por DM (por 100 mil
habitantes) apresentam importante incremento com o progredir da idade, variando de 0,5
para a faixa etária de 0 a 29 anos, até 213,4 para a de 60 anos ou mais.
Diante desse cenário preocupante, o benefício da adoção de medidas eficazes na prevenção do
DM e do diagnóstico precoce dessa condição é inconteste, visando reduzir o impacto desfavorável
sobre a morbimortalidade desses pacientes.
DEFINIÇÃO
O DM representa um grupo de doenças metabólicas que se caracterizam por hiperglicemia
resultante de defeitos na secreção e/ou na ação insulínica. A hiperglicemia é frequentemente
acompanhada por dislipidemia, hipertensão arterial (HA) e disfunção endotelial. As consequências
dessa doença, a longo prazo, resultam de alterações micro e macrovasculares, que podem levar a
disfunção de diversos órgãos, como olhos, rins, nervos, coração e vasos sanguíneos. As
complicações crônicas incluem: retinopatia, com potencial perda visual progressiva; nefropatia, com
possibilidade de evolução para insuficiência renal; neuropatia periférica, com risco de
desenvolvimento de úlceras de pé diabético, amputações e artropatia de Charcot; neuropatia
autonômica, com sintomas gastrintestinais, geniturinários, sexuais e cardiovasculares e, por fim,
doenças aterotrombóticas, com comprometimento cardiovascular, cerebrovascular e vascular
periférico.
A variação no desenvolvimento e no tipo de DM é consequência de uma série de mecanismos
patogênicos, que incluem desde a destruição autoimune das células beta-pancreáticas até
anormalidades na ação ou na resistência periférica à ação da insulina.
Os sintomas decorrentes de hiperglicemia acentuada incluem perda de peso (algumas vezes com
polifagia), poliúria e polidipsia. Pode haver suscetibilidade a determinadas infecções e até mesmo
sua recorrência.
Quadro 1.1
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CLASSIFICAÇÃO E APRESENTAÇÃO
A classificação recomendada pelas mais diversas sociedades incorpora o conceito de estágios
clínicos de DM. Esses estágios incluem desde a normoglicemia, a tolerância diminuída à glicose
(TDG), a glicemia de jejum alterada (GJA) e até o quadro de diabetes per se (Quadro 1.1). A
classificação proposta pela Organização Mundial da Saúde (OMS), pela American Diabetes
Association (ADA) e pela SBD inclui quatro classes clínicas: DM tipo 1 (DM1), DM tipo 2 (DM2),
outros tipos específicos de DM e diabetes mellitus gestacional (DMG). A classificação baseia-se na
etiologia do DM, tendo como componentes mais prevalentes o DM1 e, sobretudo, o DM2.
Classificação do diabetes mellitus
Tipo 1: destruição da célula beta, geralmente ocasionando deficiência absoluta de insulina, de natureza autoimune ou idiopática
Tipo 2: varia entre a predominância de resistência insulínica com relativa deficiência de insulina a um defeito essencialmente secretório, com ou sem
resistência insulínica
Outros tipos específicos:
defeitos genéticos funcionais da célula beta
defeitos genéticos na ação da insulina
doenças do pâncreas exócrino
endocrinopatias
induzidos por fármacos e agentes químicos
infecções
formas incomuns de diabetes imunomediado
outras síndromes genéticas, geralmente associadas ao diabetes
Diabetes gestacional
O diabetes tipo 1 corresponde a 5 a 10% dos casos de diabetes, resultando, primariamente, da
destruição celular autoimune das células beta-pancreáticas. Em alguns casos, entretanto, o quadro
imunológico não é detectado e a destruição pancreática não tem etiologia conhecida. Indivíduos que
têm maior propensão ao desenvolvimento dessa doença podem ser identificados pelos testes
sorológicos, que sinalizam um processo autoimune nas células beta-pancreáticas, bem como por meio
de marcadores genéticos. Na maioria dos casos, a destruição de células beta-pancreáticas é mediada
por autoimunidade. Quando há positividade na pesquisa autoimune, classifica-se a doença como DM
1A. Entretanto, existem casos em que não há evidências de processo autoimune, sendo, portanto,
referidos como forma idiopática de DM1 ou tipo 1B. Os marcadores de autoimunidade são os
autoanticorpos anti-insulina, antidescarboxilase do ácido glutâmico (GAD 65), antitirosina-fosfatases
e antitransportador de zinco (Znt). Esses anticorpos podem estar presentes meses ou anos antes do
diagnóstico clínico, ou seja, na fase pré-clínica da doença e, em até 90% dos indivíduos, quando se
detecta hiperglicemia. Além do componente autoimune, o DM1 apresenta intensa associação a
Quadro 1.2
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