A maior rede de estudos do Brasil

Grátis
516 pág.
Diabetes Mellitus e Doenças Cardiovasculares

Pré-visualização | Página 7 de 50

> 100 e < 126 < 140 5,7 a 6,4
Tolerância diminuída à glicose > 100 e < 126 140 a 199 5,7 a 6,4
Diabetes mellitus ≥ 126 ≥ 200 ≥ 6,5
Fonte: Adaptada de Sociedade Brasileira de Diabetes
RESUMO DO PROTOCOLO DE AVALIAÇÃO
Uma vez solicitada a glicemia de jejum, três são as possibilidades: GJ < 100 mg/dL (normal), GJ
entre 100 e 125 mg/dL e GJ ≥ 126 mg/dL. Caso GJ < 100 mg/dL, a normalidade glicêmica é
estabelecida. Caso a GJ esteja entre 100 e 125 mg/dL, a SBD recomenda a utilização sistemática do
TOTG, a partir de então, estabelece-se dois possíveis diagnósticos de acordo com a glicemia de 2
horas após 75 g de glicose anidra: tolerância à glicose diminuída (se glicemia pós-glicose entre 140
e 199 mg/dL) ou diabetes (se glicemia pós-glicose > 200 mg/dL). Se a GJ estiver ≥ 126 mg/dL,
realizá-la novamente. Caso se repita o mesmo valor, o diagnóstico de diabetes está confirmado. Se
houver uma glicemia casual (a qualquer hora do dia) ≥ 200 mg/dL, acompanhada de sintomas
clássicos de DM (poliúria, polidipsia e perda inexplicável de peso), o diagnóstico de diabetes está
estabelecido.
O diagnóstico de DM deve sempre ser confirmado pela repetição do teste em outro dia, a menos
que haja hiperglicemia inequívoca com descompensação metabólica aguda ou sintomas óbvios de
DM.
DIAGNÓSTICO PRECOCE E RASTREAMENTO
O rastreamento em massa (população geral) não é recomendado. Deve ser feito seletivamente nas
seguintes populações:
indivíduos com 45 anos ou mais: a cada 3 a 5 anos, utilizando a glicemia plasmática de
jejum;
•
•
•
•
•
•
•
•
•
Sugere-se o rastreamento mais frequente (1 a 3 anos) ou mais precoce (antes dos 45 anos), ou
mesmo sua realização com TOTG com 75 g de glicose quando:
houver evidência de dois ou mais componentes da síndrome metabólica (excesso de peso,
HDL-C baixo, hipertrigliceridemia, hipertensão arterial e doença cardiovascular);
além de idade ≥ 45 anos, houver presença concomitante de dois ou mais fatores de risco;
DMG prévio.
O rastreamento anual, ou até mais frequente, é sugerido nas seguintes condições:
glicemia de jejum alterada ou tolerância diminuída à glicose (anual na suspeita de DM2 e
mais frequente na de DM1);
presença de complicações compatíveis com DM;
hipertensão arterial;
doença coronariana.
RASTREAMENTO E DIAGNÓSTICO DO DIABETES MELLITUS GESTACIONAL
Embora as recomendações estabeleçam a necessidade de rastreamento para todas as gestantes,
existem certos fatores que sinalizam um baixo risco de desenvolvimento de DMG. São eles: idade <
25 anos, IMC normal, ausência de história familiar de DM, de alteração glicêmica prévia, de mau
desfecho obstétrico e não ser membro de grupos étnicos com alta prevalência para DM.
O rastreamento para DMG, deverá ser realizado na 1ª consulta pré-natal. Na primeira consulta
pré-natal realiza-se GJ. Caso o valor seja > 126 mg/dL, diagnostica-se DM pré-gestacional. Caso a
GJ esteja entre > 92 mg/dL e < 126 mg/dL, é feito o diagnóstico de DMG. Em ambos os casos, deve
ser confirmado com uma segunda dosagem da GJ. Caso a glicemia seja < 92 mg/dL, a gestante deverá
ser reavaliada entre a 24ª e 28ª semana de gestação. Nesse momento, o procedimento pode ser
realizado em uma ou duas etapas:
em duas etapas – aplica-se inicialmente um teste de rastreamento incluindo GJ ou glicemia
de 1 hora após ingestão de 50 g de glicose (jejum dispensado). Testes positivos: glicemia de
jejum ≥ 85 mg/dL ou glicemia de 1 hora após 50 g ≥ 140 mg/dL. Somente nos casos
considerados positivos é que se aplica o TOTG com 75 g de glicose;
em uma etapa – é aplicado diretamente o TOTG com 75 g.
Existem diferentes métodos sendo utilizados atualmente para o diagnóstico de DMG com 75 g de
glicose. Em 2010, o International Association of Diabetes and Pregnancy Study Group (IADPSG)
decidiu que os critérios de DMG deveriam basear-se nos resultados do estudo Hyperglycemia and
Adverse Pregnancy Outcomes (HAPO), no qual foram propostos novos pontos de corte para o jejum:
em 1 e em 2 horas, que são: > 92 mg/dL, > 180 mg/dL, > 153 mg/dL. Por outro lado, a OMS e o NIH
Tabela 1.2.
apresentam suas recomendações próprias (Tabela 1.2). A SBD sugere a utilização dos novos
critérios, baseados no estudo HAPO, uma vez que são os únicos determinados por estudo e que
demonstraram associação entre os valores da glicemia materna e os desfechos perinatais.
Diagnóstico de DMG com TOTG com ingestão de 75 g de glicose por diferentes instituições
 OMS NIH 2012*
INTERNATIONAL ASSOCIATION OF DIABETES AND PREGNANCY STUDY GROUPS (IADPSG, 2010)**
DA 2011, SBD 2011
Jejum – 95 mg/dL 92 mg/dL
1 hora – 180 mg/dL 180 mg/dL
2 horas 140 mg/dL 155 mg/dL 153 mg/dL
* Dois valores alterados confirmam o diagnóstico; ** Um valor alterado confirma o diagnóstico.
CONCLUSÕES
O pleno conhecimento dos critérios diagnósticos para DM é um passo fundamental para a
detecção precoce e precisa dos distúrbios no metabolismo dos carboidratos. As medidas
terapêuticas devem ser implementadas de acordo com o grau de alteração glicêmica, visando a
minimização de risco para o desenvolvimento de complicações crônicas.
BIBLIOGRAFIA RECOMENDADA
American Diabetes Association. Diagnosis and classification of diabetes mellitus. Diabetes Care. 2012;Jan;35 Suppl 1:S64-71. Disponível
em: http://care.diabetesjournals.org/content/35/Supplement_1/S64.full.pdf+html. Acesso em 15 de janeiro de 2013.
American Diabetes Association. Diagnosis and classification of diabetes mellitus. Diabetes Care. 2007;30(Suppl):S42–S47.
Lyra R, Cavalcanti N. Diabetes Mellitus; 3. ed. São Paulo: AC Farmacêutica. 2013.
Sociedade Brasileira de Diabetes. Diretrizes da Sociedade Brasileira de Diabetes: 2013-2014. São Paulo: AC Farmacêutica. 2014.
Gross J, Azevedo M, Silveiro S, Canani L, Caramori M, Zelmanovitz T. Diabetic nephropathy: diagnosis, prevention and treatment.
Diabetes Care. 2005;28:164-76.
International Diabetes Federation. IDF Diabetes atlas. 6th ed. Brussels: International Diabetes Federation. 2013.
Libman IM, Pietropaolo M, Trucco M, et al. Islet cell autoimmunity in white and black children and adolescents with IDDM. Diabetes
Care. 1998;21:1824.
McCulloch DK. Definition and classification of diabetes mellitus-II. In: Rose BD, editor. Wellesley, MA: UpTodate. 2012.
National Institute of Health. Consensus Development Conference: Diagnosing Gestacional Diabetes Mellitus. 2013. Disponível em:
http://prevention.nih.gov/cdp/conference2013/gdm/final-statement.aspx.
Sociedade Brasileira de Diabetes. Algoritmo para o tratamento do diabetes tipo 2: diagnóstico e classificação do diabetes melito e
tratamento do diabetes melito do tipo 2. Rio de Janeiro: Diagraphic. 2011;p.7-9.
Sociedade Brasileira de Diabetes. Algoritmo para o tratamento do diabetes tipo 2. 2011. Disponível em:
http://www.nutritotal.com.br/diretrizes/files/230--PosicionamentoSBD2011.pdf
Spilchler ERS, Spichler D, Martins CSF, et al. Diabetic lower extremities amputation. Rio de Janeiro, BR. Diabetologia. 1998;41(A
279):90-6.
Wild S, Roglic G, Green A, Sicree S, King H. Global prevalence of diabetes: estimates for the year 2000 and projections for 2030.
Diabetes Care. 2004;27:1047-53.
Capítulo 2
DIABETES:
ASPECTOS EPIDEMIOLÓGICOS
// Laércio Joel Franco
INTRODUÇÃO
O diabetes mellitus (DM) é um importante e crescente problema de saúde para todos os países,
independentemente do grau de desenvolvimento. Atualmente estima-se que a população mundial com
diabetes é de 382 milhões de pessoas, sendo que esse número deverá atingir os 471 milhões em
2035. Cerca de 80% desses indivíduos vivem em países em desenvolvimento, nos quais a epidemia
tem maior intensidade, com crescente proporção de pessoa afetadas em grupos etários mais jovens,
coexistindo com o problema que as doenças infecciosas ainda representam. O número de pessoas
com DM está aumentando devido ao crescimento e ao envelhecimento populacional,