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Manual de Teologia Católica   Versão Atualizada

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mau estado do embrião. 
Aborto provocado - É devido a uma intervenção especial do homem e cujas causas se chamam indicações. 
O aborto provocado pode ser terapêutico ou por outros motivos. O aborto terapêutico é interrupção da gravidez para salvar a vida salvável da mãe ou da criança, trata-se daqueles casos em que se deve escolher entre deixar as duas vidas morrer ou salvar uma das duas vidas (Häring, 1982, p. 32). A Igreja apenas condena o aborto provocado por outros motivos que não sejam a questão terapêutica. 
 
4.3.12.1. Causas do Incremento do Aborto 
 Entre as causas do incremento do aborto se destacam as seguintes: 
Diminuição da mortalidade infantil, 
A consciência da necessidade de ter filhos felizes e de educá-los em boas condições económicas, 
A prática crescente de relações sexuais pré-matrimoniais, 
A desdramatização do aborto devido ao progresso da técnica médica. 
 
4.3.12.2. Incentivos do Aborto 
Neste campo destacamos os seguintes aspectos que incentivam as pessoas a praticar o aborto. 
A existência de movimentos em favor do aborto, 
A frequência de aborto praticado sem a plena consciência da sua culpa, 
A arrogância de personalidades conhecidas que se apresentam publicamente como heróis, com consciência fria e segura, afirmando que já fizeram aborto, ou então mandaram abortar alguém. 
 
4.3.12.3. O concílio Vaticano II e o Aborto 
Ao condenar o aborto como delito abominável e ao afirmar que a vida deve ser protegida desde o momento da concepção, (Gs. 51), não entra na questão do momento da animação (Hominização). 
A declaração sobre o aborto provocado, da sagrada congregação para a doutrina da fé, de 18 de Novembro de 1974, depois de afirmar que «o respeito pela vida humana impõe-se desde o momento que começou o processo da gestação nº 12» faz notar que deixa de parte o problema do momento da infusão da alma espiritual. 
4.3.12.4. Indicações 
Conceito - Chamam-se indicações, os diversos motivos ou situações conflituosas que se costumam invocar para a pretensa justificação do aborto. 
a) Indicação médica em sentido estrito 
Trata se de uma situação conflituosa entre a vida da mãe e a vida do feto. 
Trata-se de gravidez ectópica e do cancro do útero. Nesta situação, o princípio ético ideal é que se tente salvar ambas as vidas. 
 Mas se tal resultar impossível, então o médico deve procurar salvar o salvável. Na realidade, não se pode falar, neste caso, de aborto no sentido verdadeiro do termo, já que toda a acção do médico é orientada intencionalmente a salvar a vida da mãe e não a suprimir o feto. 
b) Indicação médica em sentido amplo 
O que está em causa, é como seleccionar as duas vidas. Se pelo contrário, damos igual valor á vida do feto e á da mãe, então não podemos aceitar o «aborto terapêutico» em sentido amplo. O avanço actual da ciência médica e da técnica faz com que o chamado «aborto terapêutico perca cada vez mais terreno e não possa falar honestamente de risco para a saúde da mãe. 
c) Indicação eugénica 
Trata-se do caso em que- se prevê que a criança nascerá com malformações graves. Os defensores desta indicação argumentam a felicidade quer da mãe quer da criança: quer se poupar á mãe o peso de dar á luz e educar um filho deficiente, e á criança o peso de uma vida deficiente. Mas na vida concreta, encontrámos pessoas deficientes que são mais felizes que outras sãs. O respeito pela vida humana é motivado pela dignidade da pessoa humana e não pela sua utilidade ou sanidade. Assim podemos afirmar não á indicação eugénica. 
d) Indicação Psiquiátrica 
Trata-se de uma situação de profundo trauma, por parte da mulher, devido a uma gravidez causada por exemplo: incesto, adultério, pré - matrimonial. 
A mulher grávida, nestas circunstâncias, apresenta grande vulnerabilidade emocional. Devemos dizer não ao aborto que, além de ser nestas situações uma solução para a mulher traumatizada, não se pode justificar eticamente. 
 
 
 
e) Indicação sócio económica 
Sob esta Orientação, indicam-se vários motivos de ordem sócio - económica tais como: casa pequena, impossibilidade de educar a criança, situação económica dramática. Estas razões não podem de modo nenhum, legitimar o aborto. 
f) Indicação criminal 
É o caso de gravidez causada por violação. Como uma mulher violentada por um maníaco sexual. Tal gravidez significa, para a mulher, extrema humilhação pessoal. Mesmo neste caso, o aborto não é permitido. 
 
4.3.12.5. Aborto e Dimensão Jurídica 
Conceito- A dimensão Jurídica do aborto, consiste no aspecto em que a mulher e não só ela é posta inevitavelmente perante um outro, com todos os direitos e deveres que cada um tem relativamente aos outros. Mais ainda tanto a mulher como o ser humano concebido são membros duma sociedade e, por isso, os problemas de ambos ultrapassam o horizonte e diz respeito á sociedade como tal. Sendo pois, o aborto um problema social no qual está implicada a própria sociedade, esta deve intervir. É seu direito e dever. 
a) Limites e funções da ordem Jurídica 
 O critério da actuação do legislador é o bem comum, fim da sociedade. Contudo, o legislador deve ter em conta as várias limitações da ordem jurídica. O legislador não pode punir toda a desordem moral, atendo-se apenas aqueles casos que constituem danos sociais. É o chamado «o princípio de tolerância civil» ou do «chamado mal menor». 
Neste sentido, ordem legal e ordem moral são distintas e consequentemente, são também diversas a obrigação legal e a obrigação moral. Uma coisa pode ser tolerada pela lei civil sem que por isso seja admitida pela consciência moral. Quando ao problema do aborto, o legislador deve interrogarse sobre as consequências negativas para a mentalidade pública quando está em causa o valor da vida humana. 
b) Regulamentação do aborto 
Antes de mais é conveniente esclarecer alguns conceitos. 
Regulamentação – é a intervenção da autoridade ou da lei no sentido de disciplinar o aborto mediante alguma regra. O termo regulamentação é genérico, e abarca diversas posições que vão desde a proibição absoluta á liberalização total do aborto. 
c) Despenalização 
A lei embora reconhecendo a nível teórico o aborto como crime, a nível prático cala, renuncia a puni-lo com sanções penais. A despenalização pode ser: total ou parcial conforme elimina a pena de modo parcial, particular, universal. 
d) Legalização 
É a positiva autorização do aborto em determinados casos, sob certas condições e dentro de determinado período de tempo. Na legalização, a lei autoriza o aborto, concede ao cidadão o direito ao aborto. O comportamento abortivo deixa de ser considerado crime e entra no âmbito da legalidade. 
e) O Estado e a legalização do aborto 
O estado não pode autorizar algo que vai contra os direitos inalienáveis da pessoa da pessoa humana (o direito a vida). Ele, não é fonte originária dos direitos do homem. A legalização do aborto reflecte, assim uma concepção absolutista de estado. Legalizando o aborto, o estado entra em contradição com a sua própria finalidade que é o serviço do bem comum: aquele de defender, promover os direitos da pessoa humana e em particular o dos indefesos. Ainda mais, a legalização do aborto é caminho aberto a legalização da Eutanásia. 
 
f) Despenalização Total 
A despenalização total e universal é inaceitável, porque seria não reconhecer o aborto como um crime contra a vida humana. 
A lei deixaria de exercer a sua função pedagógica, e seria mais grave jogar contra a dignidade da pessoa e da convivência social. 
A conclusão é que a vida é um dom de Deus. Ninguém tem o direito de suprimi-la. O ser humano desde a sua concepção até a morte natural, tem uma dignidade que lhe vem do seu criador. O aborto, é um crime contra o ser humano. O direito a vida é o primeiro direito da pessoa humana, condição fundamental de todos os demais direitos. Tal direito procede da própria dignidade humana e, portanto, é anterior á sociedade e a qualquer autoridade. O Estado não é a fonte originária dos direitos do homem.

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