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Manual de Teologia Católica   Versão Atualizada

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um reconhecimento mais claro das verdades propriamente sobrenaturais, e como tais recebidas da revelação unicamente, por oposição às verdades sobre Deus que podem ser atingidas pela razão sozinha. 
Sustentam que a teologia é a ciência é ciência da fé. E como tal não pode prosseguir e se desenvolver senão na luz da fé. Esta teologia exige que o rigor racional do pensamento dialético seja constantemente associado a uma exploração não somente alargada mas também penetrante de todo o dado revelado e tradicional, sob a salvaguarda do magistério vivo da Igreja e num espírito de uma fé viva e vivida. 
Como Ciência Sagrada, a Teologia tomista não alimenta a pretensão temerária e fútil de se substituir a Palavra de Deus confiada à Igreja, em particular nas Santas Escrituras, mas alimenta somente a esperança de explorar respeitosamente as profundidades, não esvaziando o mistério mas permitindo-nos de melhor o situar em relação aos nossos conhecimentos simplesmente naturais. 
É uma teologia sistemática e por isso é reflexiva e crítica. Alimenta se constantemente da teologia positiva, que se contenta de fazer o inventário e a exegese da palavra de Deus nos documentos autênticos. Deve guardar e cultivar o contacto com os desenvolvimentos do pensamento simplesmente humano, mas permanecendo sempre na escola viva da Igreja em profunda comunhão de fé com ela. 
Assim se compreende a Teologia como um discurso sistemático, reflexivo e crítico, sobre Deus e tudo o que a Ele se refere. Uma Teologia que se alimenta da revelação divina contida na Palavra de Deus, proclamada e anunciada pela Igreja em seu Magistério. Um discurso aberto ao pensamento humano e capaz de iluminar a razão e se deixar interpelar por ela. 
1.2.2. Diferentes estilos de reflexão teológica 
Existem diferentes estilos de reflexão teológica, tanto no que se refere ao conteúdo, como ao género literário. Assim, podemos distinguir diferentes estilos de acordo com a época. 
No primeiro século do cristianismo podemos encontrar 3 estilos principais: a Teologia narrativa dos evangelhos, a literatura epistolar e a apocalíptica. Em seu núcleo conjugam-se facto e interpretação, compreensão e anúncio, sob notório influxo do judaísmo. Lentamente a comunidade de fé se desprega da religião de Israel mas esta permanece o ponto de referência básica, mesmo para os grupos advindos da genialidade. Esta teologia é: 
Pneumática (embebida pelo espírito que suscita a continuidade dos seguidores de Jesus) 
Eclesial, nascida no seio de uma comunidade 
Missionária, destinada a transmitir e recriar fé crista 
Vivencial, repleta de sentimentos, conotações afectivas e força convocatória, proveniente da experiência do seguimento do ressuscitado 
Contextualizada na história da comunidade em que foi elaborada. Não retrata desejo explícito de fazer reflexão única e universal, válida igualmente para todos como anamnese da palavra, torna presente o dado revelado em diversas situações. 
Aberta ao futuro estimulando assim interpretações enriquecedoras, novas releituras situadas. 
Na época patrística que abarca o período de seis séculos, compreendendo desde a geração imediatamente posterior aos apóstolos até a dos que prepararam a teologia medieval, encontramos um outro estilo de teologia devido ao objectivo do discurso: esclarecer a identidade da fé cristã no seu encontro com as culturas, helénica, romana e mesmo a judaica. 
O cristianismo vê-se às voltas com o imenso desafio de traduzir para a cultura helénica, a sua boa nova. Necessita também justificar-se diante daqueles que, utilizando a filosofia grega, consideram o cristianismo e a fé cristã algo secundário ou de pouco valor. Após o período das perseguições, com o reconhecimento do império romano a Igreja corre dois riscos helenizar a sua doutrina (por uma união entre fé e pensamento grego) e secularizar-se (entrando nas estruturas do império pelo caminho das honras, privilégios, apoio do poder político). 
a) Helenizar a doutrina 
A teologia grega tem sede de explicar a unicidade do universo, explicar como tudo tem um fundamento uma αρχή, uma unidade, uma λοΥiα que dá sentido ao múltiplo. Por isso a fé carrega a marca da preocupação do fundamento, e anuncia que em Cristo se recapitulam todas as coisas, e particularmente tudo o que é verdadeiro, bom e belo. (ciência, moral e estética). 
Da cultura grega, a reflexão teológica leva como empréstimo os valores, os instrumentos e desenvolve a questão da relação entre o humano e o divino. 
A adoção de expressões de fé, categorias e esquemas mentais da teologia e filosofia grega leva a imprecisões e dúvidas. Surgem grupos radicais que com o seu radicalismo ferem a identidade trazida na mensagem cristã e assim nascem as primeiras heresias. 
 A tentativa de responder a estas heresias estimula e permite o avanço da teologia porque obriga a uma reflexão mais precisa e mais fiel ainda que criativa, à Sagrada Escritura. 
Temos assim vários concílios ecuménicos ao serviço da verdade que deve ser proclamada (Niceia, Éfeso, Calcedônia, Constantinopla) regionais (Elvira, Orange). 
O princípio patrístico é: “crer para entender, e entender para crer”intellige ut credas, crede ut intellegas (Agostinho in Sermão 43,7,9). 
Não separa inteligência e fé: a fé nos torna inteligentes! 
b) Secularização 
Quando no ano 313 foi proclamado o Edito de Milão pelo imperador Constantino, o cristianismo se tornou “Religião de Estado”, no Império Romano. Assim foram adoptados progressivamente, maneiras e princípios seculares que contrariavam a simplicidade do Evangelho. Nasce a hierarquização da Igreja sob o modelo do Império, a liturgia é fortemente influenciada pelo culto pagão. Esta situação se arrastou até à reforma trazida pelo Concílio Vaticano II. 
 
1.2.3. Síntese da Teologia da época Patrística: 
Ponto de partida a experiência intensa do mistério proclamado, celebrado e vivido, exercitada na leitura do texto sagrado e das realidades mundanas. 
Quem faz teologia? – Bispos, sacerdotes e leigos (homilias, textos litúrgicos, comentários de textos de escritura, catequese...). no inicio do século III, formam-se “escolas teológicas”. 
As mais conhecidas foram Antioquia (exegese literal de Escritura), Alexandria (exegese espiritual “sentido”). 
Características teológicas: teologia bíblica, litúrgica, Cristológica, eclesial, inculturada e plural 
Foi um tempo de verdadeiro esforço de inculturação da fé. As escolas teológicas testemunham de um pluralismo teológico sadio, que contribui para o aprofundamento da verdade revelada. 
A liturgia é o berço da teologia patrística, e mostra como se deve articular o pensar e o celebrar a fé. 
Limites pouca atenção ao concreto histórico fraco traço profético devido ao compromisso com o poder temporal, progressiva des- escatologização e des-historização da teologia; Deficiência do instrumento teológico utilizado (o seu dualismo neoplatônico, o rigor ético de outras correntes como por exemplo os epicureus, e cépticos. 
1.2.4. A teologia escolástica medieval 
A teologia escolástica medieval atravessou oito (8) séculos, três (3) fases importantes: A dialéctica (Sto. Anselmo) a grande escolástica e a escolástica tardia. 
1) Fase – A teologia se limita a leitura e comentário da Palavra de Deus. Pouco a pouco (VIII – X) esta maneira de fazer teologia é influenciada pelas mudanças significativas verificadas na sociedade e na igreja. 
O surgimento de associações, corporações, ordens religiosas, movimento das ordens mendicantes e também universidades vai influenciar positivamente a maneira de fazer teologia. 
Do século X – XII, mas concretamente de 1120-1160, o pensamento de Aristóteles é redescoberto e sua metodologia é posta em relevo – usa-se a sua dialéctica (“Sicet nom”) = recolhem-se argumentos aparentemente contraditórios, discute-se a questão e depois se tiram conclusões. Santo Anselmo (1033- 1109) une a teologia monástica agostiniana, favorável a absoluta suficiência de fé, ao pensamento especulativo dialéctico. Trabalha para transformar