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Manual de Teologia Católica   Versão Atualizada

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Tradição e a Sagrada Escritura de ambos os Testamentos são como que um espelho, no qual a Igreja, peregrinando na terra contempla a Deus, de quem tudo recebe, até chegar a vê-lo face a face, tal qual Ele é (1Jo 3,2).Assim a sucessão Apostólica ininterrupta ou a sagrada Tradição é a garantia da integridade do depositum fidei. 
No ensinamento dos padres conciliares, a sagrada Tradição e a sagrada Escritura, estão intimamente unidas e aglutinadas entre si; porque brotando ambas da mesma fonte divina, reúnemse num mesmo caudal e tendem para o mesmo fim. A Sagrada Escritura é a Palavra enquanto redigida sob a inspiração do Espírito Santo; a sagrada Tradição, por sua vez, transmite integralmente aos sucessores dos Apóstolos a Palavra de Deus confiada por Cristo Senhor e o Espírito Santo aos Apóstolos para que eles com a luz do Espírito de verdade, a guardem, exponham e difundam fielmente na sua pregação (Concílio Vaticano II; O.c.,9). 
1.7.2. A atitude do homem para com a revelação divina 
O homem na qualidade de destinatário da revelação tem uma atitude a tomar. Este pode-se abrir ou permanecer indiferente. Mas como a finalidade da revelação é a salvação do homem, no sentido que é para que o homem tenha acesso a Deus, Deus espera do homem a obediência da fé (Rom 16, 26), isto é adesão ao projecto divino. 
O encontro entre Deus e a pessoa humana acontece no coração e uma vez aberto o coração professa-se com a boca o que se crê. Paulo atesta: “Acredita-se com o coração e, com a boca, fazse a profissão de fé” (Rom 10,10). A abertura do coração é manifestada pelo testemunho público. Pois a fé não é um acto privado. Porque o encontro com Deus é renovador. Deus comunica-se para nos introduzir no seu mundo. Esse toque do coração é um acto de graça. Os Actos dos Apóstolos descrevem muito bem esse movimento na cena de Lídia onde encontramos explicitamente afirmado que “O Senhor abriu-lhe o coração para aderir ao que Paulo dizia” (Act 16,14). 
O que Deus espera do homem perante a sua revelação, ou por outra qual deve ser a atitude do homem perante a iniciativa salvífica de Deus? Resposta positiva, abertura a Deus, abandonar-se a ele. É esta resposta positiva que se chama fé. 
1.8. Evento Cristo 
1.8.1. Quem é Jesus 
Na história da humanidade foram várias e diferentes as respostas dadas a esta pergunta. Ainda Jesus vivia e esta pergunta foi feita por Ele aos seus discípulos. As respostas dos discípulos foram várias: «E aconteceu que, estando ele só, orando, estavam com ele os discípulos; e perguntou-lhes, dizendo: Quem diz a multidão que eu sou? 
E, respondendo eles, disseram: João o Batista; outros, Elias, e outros que um dos antigos profetas ressuscitou. E disse-lhes: E vós, quem dizeis que eu sou? E, respondendo Pedro, disse: O Cristo de Deus.» (Luc 9, 18-21) 
Depois da morte e da ressurreição de Jesus a pergunta sobre a identidade de Jesus contínua pertinente. Um olhar sobre as respostas dadas ao longo da história, é útil para a compreensão do mistério que encerra a figura de Jesus. 
1.8.2. Algumas respostas da época patrística 
Uma das características da fé da época patrística é o monoteísmo radical e o gnosticismo. O Monoteísmo radical afirma a unidade de Deus e vê na afirmação da Trindade um grave risco para a unicidade de Deus. E o Gnosticismo: movimento religioso sincretista – oferece a salvação por meio do conhecimento. Buscando submeter à razão, o Mistério revelado. A preocupação excessiva pelo monoteísmo radical, gerou respostas erróneas chamadas heresias. São assim chamadas pelo Magistério da Igreja para distingui-las das respostas correctas sobre a identidade de Jesus. 
Descrição de algumas heresias: 
a) Gnosticismo (séc I-II) 
É uma corrente de pensamento dualista: preocupa-se com a redenção e salvação entendidos como libertação da existência material e corpórea. Rejeita tudo o que tem relação com o corpo e com a sexualidade – dimensões que pertencem ao mundo decaído, segundo os gnósticos. Este pensamento não admite a ideia de encarnação de Deus em Jesus Cristo. 
b) Docetismo (séc II) 
Esta corrente de pensamento não reconhece o corpo real de Jesus nem a sua humanidade. Os expoentes deste pensamento falam de Jesus como tendo um corpo aparente ou apenas espiritual. Eles também negam a possibilidade da encarnação do Verbo e fazem do sofrimento na cruz uma ilusão. 
 
c) Adocionismo (séc II) 
Corrente que prega que Jesus é filho adoptivo de Deus. Cristo é visto como um simples homem sobre o qual desceu o Espírito de Deus. Sustenta que até o seu baptismo Jesus viveu a vida de um homem ordinário embora supremamente virtuoso. Os milagres por ele praticados seriam a prova de que o Espírito Santo ou o Cristo desceram sobre ele sem que ele seja divino. 
d) Monarquismo (séc III) 
Teoria que reivindica a unidade absoluta de Deus. (um só princípio). Duas correntes principais: Patripassionistas e modalistas – Patripassionistas afirmam que é o Pai que sofre na cruz. Modalistas afirmam que Jesus é chamado filho apenas para significar em Deus esta modalidade segundo a qual ele encarna, sofre e morre. 
e) Arianismo (séc IV, 318) 
Dizia que Jesus era inferior ao Pai e ensinava que Jesus era “semelhante” ao Pai, e não Deus como o Pai, pois Cristo havia dito: ” O Pai é maior do que eu” (Jo 14, 28), referindo-se à sua condição humana, como “servidor” do Pai na Redenção da humanidade. Portanto Jesus é uma criatura, e não Deus, como o Pai Criador. 
f) Apolinarismo: 
Dizia que Jesus não tinha alma humana, a pessoa divina do Filho de Deus supria a falta de uma alma humana em Jesus Cristo. Esta posição se justificava pelo facto de pensar que a alma humana era pecaminosa. E Jesus, por ser filho de Deus, não podia ter alma humana. Esta viria a “manchar” a divindade de Cristo. 
g) Nestorianismo 
Partindo do princípio de que Jesus tem duas naturezas (humana e divina), em Cristo há também duas pessoas: uma Pessoa humana unida à Pessoa divina. Assim umas coisas eram feitas por Jesus Deus e outras por Jesus-Homem. Maria não seria Mãe de Deus, mas apenas Mãe de Jesus-Homem. O erro estava nisto: Jesus tem duas naturezas, mas uma só pessoa. A natureza humana é assumida pela Pessoa Divina do Filho de Deus. Essa união chama-se união “hipostática”. O sujeito ou agente da acção é a pessoa, não a natureza. 
 
h) Monofisimo 
Dizia que, em Cristo, havia uma só natureza. A natureza divina “absorvia a natureza humana. Era como se Jesus tivesse só a natureza divina. Sua heresia chamou-se monofisismo, que significa uma só natureza. 
i) Monotelismo 
Ensinava que em Cristo há uma só vontade divina. Desaparecia, assim, o “querer humano” de Jesus. Em 681, com o terceiro concílio de Constantinopla, foi encerrada a questão: Ficou definido que Jesus tem vontade divina e vontade humana. 
1.8.3. Respostas correctas sobre a identidade de Jesus 
	Local e Designação 
	Duração do 
Concílio 
	Temas Principais 
	Niceia I 
	20 de Maio a 25 de Julho de 325 
	Jesus é:Deus; Deus verdadeiro do Deus verdadeiro, gerado e não criado,
Consubstancial ao Pai… 
	Éfeso 
	22 de Junho a 17 de Julho de 431 
	 Je/.sus foi concebido pelo poder do Espírito Santo no seio da virgem Maria. Maria é mãe do Filho de Deus: Maternidade divina de Maria. 
	Calcedónia 
	8 de Outubro a 1 de 
Novembro de 451 
	Condenação do monofisismo. A existência em Jesus Cristo de duas naturezas completas e perfeitas na unidade da pessoa, que é divina. 
	Constantinopla 
III 
	7 de Novembro de 680 a 
16 de Setembro de 681 
	Condenação do monotelismo. 
 
 
Na Sagrada Escritura encontramos a resposta sobre a identidade de Jesus: 
No prólogo de João encontramos a resposta: Jesus é o Verbo incarnado, é a Palavra feita carne (Jo 1,14). Jesus é o Filho, a segunda Pessoa da Santíssima Trindade. Sendo Jesus a segunda Pessoa da Trindade Santíssima é, logicamente, Deus. É assim que ele é verdadeiramente Deus e verdadeiramente homem. Jesus é o Filho de Deus que tomou a carne humana no seio da Virgem Maria pelo poder do Espírito Santo