TEORIA DO CRIME (1)
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TEORIA DO CRIME (1)

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TEORIA DO CRIME

 PROFESSOR: Daniel da costa Araújo
DIREITO PENAL I
 1-Material
 2-Formal
 3-ANALÍTICO

Crime pode ser conceituado sob os aspectos:

1-Material: todo fato humano que, propositada ou descuidadamente, lesa ou expõe a perigo bens jurídicos considerados fundamentais para a existência da coletividade e da paz social.
2-Formal: crime resulta da mera subsunção da conduta ao tipo legal, pouco importando seu conteúdo.
3-Analítico: busca estabelecer sob o prisma jurídico, os elementos estruturais do crime.

Crime = Fato Típico + Ilícito + Culpabilidade

Obs: adotamos no Brasil a Teoria Tripartida onde a culpabilidade integra o conceito de crime.

 ANALÍTICO
Conceito: é o fato material que se amolda perfeitamente aos elementos constantes do modelo previsto na lei penaL.
Elementos:
	-Conduta dolosa ou culposa;
	-Resultado;
	-Nexo de causalidade e,
 	-Tipicidade
FATO TÍPICO
Conceito: é a ação ou omissão humana, consciente e voluntária, dirigida a uma finalidade.

Princípio da evitabilidade: onde não houver vontade, não existirá conduta perante o ordenamento jurídico repressivo.
CONDUTA
OBSERVAÇÃO
 No caso da conduta dolosa, a vontade e a finalidade são de produzir o resultado típico, enquanto na conduta culposa, a vontade e a finalidade não buscam um resultado típico, mas este ocorre devido à violação de um dever de cuidado.

1- A teoria naturalista ou causal:
Surgiu após o Absolutismo Monárquico, onde instalou-se o Estado Formal de Direito, no qual todos estavam submetidos não mais ao império de uma pessoa, mas ao império da lei.
TEORIAS DA CONDUTA
Crime é aquilo que o legislador diz sê-lo e ponto final. Se tem ou não conteúdo de crime, não interessa. O que importa é que está na lei. Não importando se o agente quis ou se teve culpa na causação do crime. Lei se cumpre, não se discute, nem se interpreta.
Critica: Não se pode dizer que uma conduta é conduta sem vontade. (consciente e voluntária)

2- A teoria finalista da ação:
Sem o exame da vontade finalística não se sabe se o fato é típico ou não. O dolo e a culpa estão dentro da conduta, responsabilidade subjetiva. Não existe conduta relevante para o Direito Penal, se não for animada pela vontade humana, fundindo a vontade e a finalidade na conduta, como componentes essenciais.
TEORIAS DA CONDUTA
As normas jurídicas não podem, pois, ordenar ou proibir meros processos causais, mas somente atos orientados finalisticamente ou omissões destes atos.
Obs: a teoria adotada no Direito Penal brasileiro. Art. 18, I e II, do CP, expressamente reconheceu que o crime ou é doloso ou é culposo, desconhecendo nossa legislação a existência de crime em que não haja dolo ou culpa.

3- A teoria social da ação
Um fato não pode ser definido em lei como infração penal e, ao mesmo tempo, ser aplaudido, tolerado e aceito pela sociedade. As regras jurídicas devem ser interpretadas de acordo com as circunstâncias históricas e sociais em que se encontram no momento o operador do direito. Cabe ao judiciário suprir o vácuo criado com o tempo, entre a realidade jurídica e a social.
Teorias da Conduta
Critica: O critério pra se eleger determinada conduta-crime ou irrelevante penal de acordo com a nocividade social do comportamento, deve ficar a cargo do legislador, detentor de mandado popular, e não do juiz, cuja a tarefa consiste na prestação jurisdicional, de acordo com as regras jurídicas vigentes.

1-Vontade
2-Finalidade
3-Exteriorização da Conduta
4- Consciência
Elementos da Conduta
A ausência de vontade acarreta a ausência de conduta. Pois reflexos não são condutas, são apenas atos desprovidos de qualquer vontade ou finalidade.
Obs: A coação moral irresistível não exclui a conduta, uma vez que ainda resta um resíduo de vontade. Já a coação física, exclui pela absoluta falta de vontade.
OBSERVAÇÃO
FORMAS DE CONDUTA

Ação: comportamento positivo, movimento corpóreo, um fazer.
Omissão: comportamento negativo, abstenção de movimento, um não fazer.

OMISSÃO
TEORIA NORMATIVA
 Para que a omissão tenha relevância causal, há necessidade de uma norma impondo, na hipótese concreta, o dever jurídico de agir.

FORMAS DE CONDUTAS OMISSIVAS
CRIMES OMISSIVOS PRÓPRIOS
 O omitente só pratica crime se houver tipo incriminador descrevendo a omissão como infração formal ou de mera conduta. Exemplo: os arts. 135 e 269, do CP.
CRIMES OMISSIVOS IMPRÓPRIOS
 O agente tinha o dever jurídico de agir, ou seja, não fez o que deveria ter feito. Exemplo: um salva vidas que assiste inerte o banhista se afogar.
FORMAS DE CONDUTAS OMISSIVAS
CRIMES OMISSIVOS POR COMISSÃO
 A uma ação provocadora da omissão, ou seja, o autor do crime impede (ação) o agir de terceiro que salvaria o bem jurídico (omissão).
 Exemplo: chefe da repartição impede que sua funcionária, que está passando mal, seja socorrida. Se ela morre ele responde por homicídio.

REQUISITOS DA OMISSÃO
Conhecimento da situação típica;
Consciência de seu poder de ação para execução da ação omitida;
Possibilidade real, física, de levar a efeito essa tarefa.

QUALIFICAÇÃO JURÍDICA DA OMISSÃO
Ausência de ação efetiva (omissão) + expectativa e exigência de atuação (dever de ação).
O art. 13, §2º do CP, prever taxativamente todos os casos em que o omitente tem a obrigação de impedir o resultado.

Hipóteses de dever de agir
Tenha por lei a obrigação de cuidado, proteção ou vigilância;
 Obs: sempre que o agente tiver, por lei, a obrigação de cuidado, proteção e vigilância, deverá ser responsabilizado pelo resultado se, com sua omissão, tiver concorrido para ele com dolo ou culpa. Exemplos, os pais.
De outra forma, assumiu a responsabilidade de impedir o resultado;

 Assumiu a posição de garantidor de que nenhum resultado sobreviria. Aqui o dever jurídico não decorre de lei, mas de um compromisso assumido por qualquer meio. Exemplo: a babá, o salva-vidas.

Com seu comportamento anterior, criou o risco da ocorrência do resultado.
 Exemplo: uma pessoa que por brincadeira, esconde o remédio de um cardíaco tem o dever de socorrê-lo e impedir sua morte. Uma pessoa que joga outra na piscina está obrigada a salvá-la, se estiver se afogando.

CASO FORTUITO E FORÇA MAIOR

Fortuito: é aquilo que se mostra imprevisível, quando não inevitável. Uma força estranha à vontade humana, que não pode impedir. Exemplo: incêndio provocado pelo cigarro derrubado do cinzeiro por um golpe de ar inesperado.
Força maior: evento externo ao agente, tornando inevitável o acontecimento. Exemplo: raio que cai em cima de um veículo ocasionando uma batida.
Consequência exclusão da conduta. Sem conduta, não há fato típico.

SUJEITOS DA CONDUTA TÍPICA
Sujeito ativo
Pessoa física: é a pessoa humana que pratica a figura descrita na lei.
Pessoa jurídica
 Teoria da realidade ou personalidade real: a pessoa jurídica não é um ser artificial, criado pelo Estado, mas sim um ente real independente dos indivíduos que a compõe. Dotada de vontade própria, com capacidade de ação e de praticar ilícitos penais.
A vontade coletiva (Conselhos de Administração/de Gerência/Direção) é capaz de cometer crimes tanto quanto a vontade pessoal. A reprovabilidade da conduta de uma empresa funda-se na exigibilidade de conduta diversa, a qual é perfeitamente possível. Os sócios que não tiveram culpa não estão recebendo pena pela infração cometida pela empresa, mas apenas suportando efeitos que decorrem daquela condenação.
Sistema paralelo de imputação: a responsabilidade da pessoa jurídica não interfere na responsabilidade da pessoa física que praticou o crime.
A pessoa jurídica pode ser responsabilizada por atos cometidos contra a ordem econômica e financeira e contra o meio ambiente.
Sujeito Passivo
 O Estado e o titular do bem jurídico lesado.

OBJETO JURÍDICO E OBJETO MATERIAL DO CRIME
Objeto jurídico: