26  Reabilitação Cardíaca
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26 Reabilitação Cardíaca

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FERREIRA - ATHENEU
FER-26 - 4ª Prova 06/09/99

ABREU’S SYSTEM
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INTRODUÇÃO

Desde os tempos mais remotos os exercícios físi-
cos têm sido utilizados como forma de preservar e me-
lhorar a saúde e a qualidade de vida1. Até a década de
50, porém, as autoridades no assunto preconizavam
para os pacientes cardíacos que evitassem qualquer ati-
vidade física e fizessem repouso no leito. Estudos reali-
zados posteriormente modificaram esta concepção e
mostraram as conseqüências negativas desse procedi-
mento. Pesquisas recentes mostram que um estilo de
vida sedentário constitui fator de risco para doença ar-
terial coronariana (DAC)2,3.

Nestes últimos anos, os exercícios aeróbicos torna-
ram-se um meio terapêutico muito usado e aceito para
pacientes com coronariopatia, sendo de grande impor-
tância nos programas de reabilitação cardíaca. Existem
evidências de que a inatividade física é um fator impor-
tante na alta prevalência da DAC e que a maioria dos
fatores de risco pode ser favoravelmente modificada
pelo exercício regular4. Oldridge e col. verificaram em
estudos randomizados redução de 25% da mortalidade
cardíaca naqueles pacientes submetidos a um programa
de reabilitação cardiovascular5.

O objetivo da reabilitação não é somente devolver
ao indivíduo uma boa condição física e psicológica,
mas também diminuir o risco de um futuro evento co-
ronariano. Por isso podemos dizer que a reabilitação
cardíaca e a prevenção secundária estão muito ligadas.

Enquanto não há nada que se possa fazer em rela-
ção aos riscos relativos à idade, sexo e hereditariedade,
outros fatores como hipertensão arterial (HA), estresse,
fumo, obesidade, colesterol sérico elevado, dieta e se-
dentarismo, podem ser modificados. Por isto é necessá-

rio orientar e conscientizar o paciente a este respeito5.
O fumante regular apresenta diminuição de sua capaci-
dade funcional pulmonar e aumenta em quase duas ve-
zes a probabilidade de óbito por cardiopatia. A obesi-
dade, entre outros fatores, diminui a função cardíaca
devido ao aumento do trabalho mecânico do coração e
está fortemente associada à hipertensão, diabete e coro-
nariopatia. A modificação dos hábitos do indivíduo e a
combinação ideal entre dieta e exercícios aeróbicos fa-
rão com que o paciente consiga redução de peso e por-
centual de gordura sem que haja perda significativa de
massa corporal magra, além de influenciar em outros
fatores, tais como estresse e hipercolesterolemia6,7.

Para que o programa de reabilitação cardiovascular
seja seguro e de qualidade se faz necessária uma inter-
venção multidisciplinar em uma ação conjunta de car-
diologistas, professores de educação física, nutricionis-
tas, fisioterapeutas e psicólogos.

A reabilitação cardíaca é um processo que se inicia
com o evento cardíaco e permanece até que o paciente
retorne à sua ótima condição clínica, fisiológica, psico-
lógica, social e profissional, recuperando a confiança
em si mesmo.

Segundo Zohmann e col8. é também “a arte e a
ciência de restituir ao indivíduo um nível de atividade
física e mental compatível com a capacidade funcional
de seu coração”.

Destina-se principalmente aos pacientes pós-in-
farto agudo do miocárdio (IAM) ou pós-revascula-
rização cirúrgica do miocárdio. Poderão ser beneficia-
dos os portadores de lesões coronarianas significativas
e sem possibilidade cirúrgica, miocardiopatas, hiper-
tensos, coronariopatas, portadores de fatores de risco
de doença coronária aterosclerótica, indivíduos com

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Eliudem Galvão Lima
Ambrosina Maria Lignani de Miranda Bermudes

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teste ergométrico (TE) anormal e/ou cinecoronariogra-
fia anormal, isquemia miocárdica silenciosa, angina es-
tável, pós-angioplastia coronária, pós-transplante car-
díaco, portadores de marcapasso e valvopatas9.

A prescrição de exercícios para pacientes com
DAC segue os princípios gerais aplicados às pessoas
saudáveis, porém, segundo orientação do Colégio
Americano de Medicina Esportiva10, se faz necessário
respeitar algumas orientações específicas. A equipe de
reabilitação deve ter bom conhecimento de fisiologia
cardiovascular e dos efeitos dos medicamentos especí-
ficos que possam estar sendo usados considerando que
muitos desses fármacos têm ações antagônicas às res-
postas metabólicas e/ou cardiorrespiratórias ao exercí-
cio. Devem ser conhecidas as limitações fisiológicas
impostas pela DAC e o estágio de convalescência em
que o paciente se encontra, bem como suas necessida-
des individuais. As contra-indicações da participação
dos pacientes nos exercícios propostos estão listadas na
Tabela 26.1.

CLASSIFICAÇÃO SEGUNDO O RISCO

Recomenda-se para que haja uma orientação inici-
al mais segura, que os pacientes sejam classificados
com base nos equivalentes metabólicos11 — MET (1
MET = 3,5ml/kg/min) (Tabela 26.2).

Os pacientes classificados como de baixo risco são
aqueles com cardiopatia de evolução estável e/ou TE
normal. Em geral, não necessitam de monitorização
durante as sessões de reabilitação.

Os pacientes classificados como de risco modera-
do ou de alto risco compreendem indivíduos de cardio-
patia de evolução estável e/ou TE anormal. Durante as
sessões de reabilitação, podem necessitar de monitori-
zação dos parâmetros cardiovasculares, cuja freqüên-
cia vai depender da evolução do quadro clínico do paci-
ente.

TIPOS DE EXERCÍCIOS E PRINCÍPIOS
GERAIS DE PRESCRIÇÃO

Na reabilitação cardíaca, o tipo de atividade reco-
mendada para o treinamento aeróbico inclui qualquer
exercício rítmico e aeróbico que envolva a utilização de

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Tabela 26.1
Contra-Indicações para Participação em Programas Intra e

Extra-Hospitalares

Os seguintes critérios podem ser aplicados como
contra-indicações à entrada nestes programas:

1 — Angina instável.

2 — Pressão sistólica de repouso superior a 200mmHg ou
pressão diastólica de repouso superior a 120mmHg.

4 — Estenose aórtica moderada ou grave.

5 — Doença sistêmica aguda ou febre.

6 — Arritmias atriais ou ventriculares incontroláveis.

7 — Taquicardia não controlada (superior a 100bpm).

8 — Insuficiência cardíaca congestiva sintomática.

9 — Bloqueio cardíaco de terceiro grau.

10 — Pericardite e miocardite agudas.

11 — Embolia recente.

12 — Tromboflebite.

13 — Desnível acentuado de ST.

14 — Diabete descompensada.

15 — Problemas ortopédicos que impediriam o exercício.

Tabela 26.2
Risco para Exercício Após Evento Coronário

Pacientes de baixo risco

Após revascularização miocárdica sem complicações

Capacidade funcional ao teste ergométrico ≥ 7,5 METs, três
semanas após evento coronário

Ausência de isquemia, disfunção ventricular esquerda ou
arritmias graves

Pacientes com risco moderado

Capacidade funcional ao teste ergométrico < 7,5 METs, três
semanas após evento coronário

Angina ou infradesnivelamento de segmento ST ao exercício >
1mm e < 2mm

Anormalidades de perfusão (isquemia transitória) ou de
movimentação de parede com estresse

Insuficiência cardíaca pregressa

Disfunção ventricular, leve a moderada

Potencial tardio presente no ECG de alta resolução

Taquicardia ventricular não sustentada

Pacientes com alto risco

Disfunção ventricular esquerda grave

Capacidade funcional ao teste ergométrico ≤ 4,5 METs, três
semanas após evento coronário

Infradesnivelamento do segmento ST > 2mm, com exercício

Hipotensão induzida pelo exercício (15mmHg)

Isquemia induzida com baixos níveis de exercício

Persistência de isquemia ao exercício

Arritmias ventriculares sustentadas, induzidas ou espontâneas

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