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APOSTILA ENDODONTIA 2019

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APOSTILA ENDODONTIA 2019.docx
“APOSTILA DE ENDODONTIA - UNESP ARAÇATUBA” 
Holland R, Sousa V, Nery MJ, Bernabé PFE, Otoboni-Filho JA, Dezan-Júnior E, Gomes-Filho JE, Cintra LTA, Sivieri-Araujo G 
 
 
“APOSTILA DE ENDODONTIA - UNESP ARAÇATUBA” 
Holland R, Sousa V, Nery MJ, Bernabé PFE, Otoboni-Filho JA, Dezan-Júnior E, Gomes-Filho JE, Cintra LTA, Sivieri-Araujo G 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
UNIRP - DISCIPLINA DE ENDODONTIA 
SÃO JOSÉ DO RIO PRETO 
 
2019
 
SUMÁRIO 
 
		I 	BIOLOGIA PULPAR 
		03 
		II 	BIOLOGIA DOS TECIDOS PERIAPICAIS 
		31 
		III 	ABERTURA CORONÁRIA 
		46 
		IV 	PREPARO BIOMECÂNICO DOS CANAIS RADICULARES 
		75 
		V 	IRRIGAÇÃO DOS CANAIS RADICULARES 
		122 
		VI 	CURATIVO DE DEMORA 
		144 
		VII 	OBTURAÇÃO DOS CANAIS RADICULARES 
		155 
		VIII 	DIAGNÓSTICO DAS ALTERAÇÕES PULPARES E PERIAPICAIS 
		196 
		IX 	TRATAMENTO CONSERVADOR DA POLPA DENTÁRIA 
		224 
		X 	PROCESSO DE REPARO APÓS TRATAMENTO ENDODÔNTICO 
		238 
		XI 	ISOLAMENTO DO CAMPO OPERATÓRIO 
		257 
		XII 	RADIOLOGIA EM ENDODONTIA 
		269 
		XIII 	TRATAMENTO DE DENTES COM RIZOGÊNESE INCOMPLETA 
		296 
 
 
I - BIOLOGIA PULPAR 
 
1 - INTRODUÇÃO 
A polpa é um tecido conjuntivo, portanto, de origem mesenquimal. Contudo, apresenta características bastante peculiares: está contida entre paredes inextensíveis representadas pela dentina; e possui em sua periferia, em contato direto com a dentina, células especializadas representadas pelos odontoblastos. A íntima relação entre dentina e polpa seja pelo contato ou pela origem embriológica procede à denominação de complexo dentino-pulpar. 
 
2 - ORIGEM EMBRIOLÓGICA 
A polpa é um tecido conjuntivo frouxo, que reage de forma similar a outros tecidos de mesma constituição encontrados em outras regiões do organismo em situações fisiológicas ou patológicas. Contudo, em função da localização do tecido pulpar em uma cavidade formada por paredes de dentina, exceto pelo forame apical e canais acessórios, uma condição excepcional é conferida à polpa, principalmente quando acometida por um processo inflamatório. 
A formação do dente inicia-se durante a sexta semana de vida embrionária. A partir da proliferação do ectoderma relativo aos processos mandibular e maxilar originam-se as lâminas dentais. O desenvolvimento embrionário é promovido pela interação entre células e entre células e matriz extracelular. Interações dessa natureza regem a diferenciação de ameloblastos e odontoblastos. A regulação se dá por expressão de moléculas na superfície da membrana celular, tais como as integrinas, que são moléculas de adesão da superfície celular. Fatores de crescimento produzidos pelas células iniciam o processo de proliferação, migração e diferenciação celular. 
3 
I - BIOLOGIA PULPAR 
De uma forma geral os processos biológicos envolvidos com o desenvolvimento fisiológico e patológico são contínuos e cadenciados por diversos fenômenos, os quais, mesmo no ápice do desenvolvimento científico, estarão longe de serem explicados em sua essência. O processo de formação dental não é contínuo, mas por motivo didático, pode-se dividi-lo em três estágios: botão, capuz e campânula. A fase do botão é o primórdio do órgão do esmalte, derivado do epitélio oral. Apresenta células periféricas pequenas, colunares e justapostas, enquanto as células centrais são poligonais. A extremidade do órgão do esmalte é envolvida por células mesenquimais que se condensam para dar origem à papila dentária e ao saco dentário. 
O estágio do capuz se identifica quando as células da lâmina dentária se proliferam dando origem a uma concavidade. Neste estágio já é possível observar as células do epitélio interno e externo do esmalte separadas por células poligonais, as quais irão constituir o retículo estrelado à medida que os espaços intercelulares sejam preenchidos por substância intercelular. No centro do órgão do esmalte é possível notar a papila dentária. 
O estágio de sino ou campânula se dá pelo crescimento do capuz dentário e invaginação da margem cervical do órgão do esmalte, dando origem a uma estrutura em forma de sino. Nesta fase as células do retículo estrelado se tornam bem afastadas entre si pelo acúmulo de substância intercelular com grande quantidade de glicosaminoglicanas. O retículo estrelado se separa do epitélio interno do esmalte por uma camada de células denominadas estrato intermédio, que parece ser essencial para formação do esmalte, pois está relacionada à ameloblastos secretores. 
O ectomesênquima, que já se apresenta condensado e envolvendo o órgão do esmalte e a papila dental, forma o folículo dentário e posteriormente dará origem ao ligamento periodontal. 
2.1 - Diferenciação Odontoblástica 
Os eventos moleculares que estão sendo mais bem elucidados através de estudos recentes com base nos conceitos da biologia molecular nos dão informações mais detalhadas sobre a diferenciação celular relacionada à dentinogênese. A diferenciação de odontoblastos ocorre durante a fase de sino do desenvolvimento dental e requer uma cascata de eventos moleculares entre ameloblastos e componentes do ectomesênquima da papila dental. 
Uma complexa interação célula-célula e célula-matriz extracelular gera a expressão na mudança genética das células alvo. A diferenciação ocorre mais intensamente no ápice da estrutura em forma de sino relacionada à ponta de cúspide. Desde o início da formação dental, uma membrana basal se interpõe entre o epitélio interno do esmalte e o mesênquima dental e somente as células em contato com esta membrana basal irão se diferenciar em odontoblastos, sendo que o fenômeno de diferenciação é catalisado pela interação de fatores de crescimento e moléculas de transcrição genética. A membrana basal dental expressa diferentes moléculas, como colágeno, fibronectina, laminina, e proteoglicanas. Além disso, as células do epitélio interno do esmalte geram sinais para fatores de crescimento como a família do TGF-β através de proteínas morfogenéticas, tais como BMP-2 e BMP-4. 
Para a diferenciação dos odontoblastos é necessária inicialmente uma interrupção na divisão das células ectomesenquimais, formando uma monocamada celular para que se inicie a síntese e secreção de matriz extracelular. Neste momento, as células apresentam-se colunares altas com núcleo direcionando-se para a base da célula e próxima à papila dental. As células tornam-se polarizadas e exibem características de síntese proteica com um sistema desenvolvido de retículo endoplasmático rugoso, complexo de Golgi e mitocôndrias. 
Antes da formação de dentina, os odontoblastos distanciam-se da camada basal criando uma zona acelular que contem apenas prolongamentos citoplasmáticos e fibrilas. O primeiro sinal de dentinogênese dá-se pela condensação de substância fundamental amorfa em torno das fibrilas da camada acelular. Após a formação dessa camada de pré-dentina, a membrana basal desaparece junto ao inicio do processo de mineralização. Ocorre uma interação entre os prolongamentos dos odontoblastos e as células do epitélio interno para que se diferenciem em ameloblastos para sintetizarem matriz de esmalte. 
2.2 - Formação Radicular 
O desenvolvimento radicular inicia-se um pouco após a formação coronária. Os epitélios, interno e externo, do órgão do esmalte formam a bainha epitelial de Hertwig na alça cervical, a qual se prolifera continuamente crescendo em direção apical para formação da raiz. 
A bainha epitelial de Hertwig determina a forma e o tamanho dental final e ao contrário da formação coronária, não há estrato intermediário e retículo estrelado entre o epitélio interno e externo do órgão do esmalte. As células não se desenvolvem em ameloblastos e odontoblastos, mas são capazes de diferenciar células mesenquimais da papila em pré-odontoblastos