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Apostila Mecanismos de solucao de conflitos

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fim de 2014, e formalizado no Enunciado nº 235, “o 
reconhecimento da competência pelo juízo arbitral é pressuposto processual 
negativo e acarreta a extinção do processo judicial”. 
 
 
 
MECANISMOS DE SOLUÇÃO DE CONFLITOS 57 
 
Art. 475-N. São títulos executivos judiciais: 
(...) 
 
IV – a sentença arbitral; 
VII – a sentença arbitral; 
 
(...) 
 
Art. 515. São títulos executivos judiciais, cujo cumprimento dar- se-á de acordo 
com os artigos previstos neste Título 
 
Temos aqui mera atualização de redação, sem alteração substancial. 
 
Art. 575. A execução, fundada em título judicial, processar-se-á perante: 
(...) 
 
IV - o juízo cível competente, quando o título executivo for sentença penal 
condenatória ou sentença arbitral. 
 
Art. 516. O cumprimento da sentença efetuar-se-á perante: 
(...) 
 
III – o juízo cível competente, quando se tratar de sentença penal 
condenatória, de sentença arbitral, de sentença estrangeira ou de acórdão 
proferido pelo Tribunal Marítimo. Parágrafo único. Nas hipóteses dos incisos II 
e III, o exequente poderá optar pelo juízo do atual domicílio do executado, 
pelo juízo do local onde se encontram os bens sujeitos à execução ou onde 
deve ser executada a obrigação de fazer ou de não fazer, casos em que a 
remessa dos autos do processo será solicitada ao juízo de 
origem. 
 
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MECANISMOS DE SOLUÇÃO DE CONFLITOS 58 
Temos aqui a repetição da regra geral quanto à competência no 
cumprimento de sentença originada em órgão diverso (sentença estrangeira, 
penal condenatória e arbitral). 
 
No parágrafo único, encontramos regra excepcional afinada com os princípios 
do acesso à justiça e da efetividade, flexibilizando, assim, a competência 
territorial inicialmente fixada. 
(...) 
Art. 960. A homologação de decisão estrangeira será requerida por ação de 
homologação de decisão estrangeira, salvo disposição especial em sentido 
contrário prevista em tratado. 
 
§ 3o A homologação de decisão arbitral estrangeira obedecerá ao disposto em 
tratado e na lei, aplicando-se, subsidiariamente, as disposições deste Capítulo. 
 
O novo CPC ratifica a necessidade de homologação de decisões estrangeiras, 
sejam elas proferidas por juiz togado ou por árbitro. A homologação deve ser 
requerida ao STJ, observando-se as regras previstas nos Artigos 216-A a 216-N 
do seu Regimento Interno, observadas as modificações introduzidas pela 
Emenda Regimental nº 18, de 17 de dezembro de 2014, acima referida. 
 
Art. 520. A apelação será recebida em seu efeito devolutivo e suspensivo. Será, 
no entanto, recebida só no efeito devolutivo, quando interposta de sentença 
que: (...) 
 
VI - julgar procedente o 
pedido de instituição de arbitragem. (Incluído pela Lei nº 9.307, de 23.9.1996) 
Art. 1.012. A apelação terá efeito suspensivo. 
§ 1o Além de outras hipóteses previstas em lei, começa a produzir efeitos 
imediatamente após a sua publicação a sentença que: 
(…) 
IV – julga procedente o pedido de instituição de arbitragem; 
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Temos aqui mera atualização de redação. 
 
Art. 522. Das decisões interlocutórias caberá agravo, no prazo de 10 (dez) dias, 
na forma retida, salvo quando se tratar de decisão suscetível de causar à 
parte lesão grave e de difícil reparação, bem como nos casos de inadmissão 
da apelação e nos relativos aos efeitos em que a apelação é recebida, quando 
será admitida a sua interposição por instrumento. 
 
(...) 
Art. 1015. Cabe agravo de instrumento contra as decisões interlocutórias que 
versarem sobre: 
 
III – rejeição da alegação de convenção de arbitragem;(...) 
 
O novo Código trabalha com o sistema da irrecorribilidade das decisões 
interlocutórias, como regra. Fica extinta a figura do agravo retido e, nas 
situações excepcionais previstas no Artigo 1015, fica admitida a interposição de 
agravo de instrumento. 
 
Da leitura do dispositivo, percebe-se que o legislador só autoriza o manejo do 
agravo nas situações em que a decisão interlocutória possa provocar prejuízo 
iminente, sendo, portanto, desaconselhável, aguardar a sentença para que o 
competente recurso de apelação possa ser interposto. 
 
Uma dessas hipóteses é justamente a rejeição de alegação de arbitragem. 
Imagine-se, por exemplo, que a arbitragem já esteja em curso e o juiz, 
provocado por uma das partes, rejeita a alegação formulada na forma do 337, 
X. Com isso o processo prossegue, ao mesmo tempo em que a arbitragem já 
segue o seu curso. 
Se nenhuma providência for tomada, corremos o risco de enfrentar a 
desconfortável situação de coexistência de dois procedimentos, em instâncias 
diversas, sobre o mesmo fato. A propósito, o STJ, em decisão inovadora, já 
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MECANISMOS DE SOLUÇÃO DE CONFLITOS 60 
admitiu a possibilidade de existência de conflito de competência entre juízo de 
direito e juízo arbitral. STJ, CC 111.230-DF, rel. Min. Nancy Andrighi, j. 
08.05.2013, Informativo STJ, nº 522. 
 
Artigo 1.061. O Artigo 33, § 3º, da Lei nº 9.307, de 23 de setembro de 1996, 
passa a vigorar com a seguinte redação: 
 
“Artigo 33. 
 ........................................................ 
§ 3º A decretação da nulidade da sentença arbitral também poderá ser 
requerida na impugnação ao cumprimento da sentença, nos termos do Artigo 
525 e seguintes do Código de Processo Civil, se houver execução judicial”. (NR) 
 
A última menção à arbitragem no novo CPC se encontra no Artigo 1.061, que 
modifica a redação do Artigo 33, § 3° da Lei n° 9.307/96 a fim de substituir a 
expressão embargos do executado por impugnação, além de fazer a referência 
ao dispositivo do novo Código. Na verdade, trata-se de atualização 
terminológica e com o objetivo de conferir uniformidade ao sistema, eis que o 
referido dispositivo, na sua redação original, ainda tinha por base o sistema 
executivo anterior à Lei n° 11.232/2005. 
 
Além do novo CPC, uma nova iniciativa legislativa foi apresentada no tocante à 
arbitragem. Desde o início deixando bem claro que não se tratava de uma nova 
Lei de Arbitragem, mas tão somente de atualizações pontuais, em 2013 foi 
apresentado o Projeto de Lei do Senado n° 406, fruto do trabalho da Comissão 
de Juristas presidida pelo Min. Luís Felipe Salomão, do STJ. 
 
Após rápida tramitação, o texto foi aprovado e remetido à Câmara dos 
Deputados, onde foi autuado como PL 7.108/2014, dando ensejo, ao final, à Lei 
13.129/14. 
 
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No texto, é possível perceber a preocupação em preservar o sistema instituído 
pela Lei n° 9.307/96 e viabilizar a necessária atualização, a fim de 
compatibilizar o instituto da arbitragem com o texto do CPC e com a 
jurisprudência dominante nos Tribunais Superiores. 
 
Nesse sentido, a Lei disciplina o uso da arbitragem nas relações com a 
Administração Pública (Artigo 1°,§ 1°). 
Também viabiliza o uso da carta arbitral (Artigo 22-C), a fim de facilitar a 
comunicação entre árbitros e juízes togados, nos mesmos moldes preconizados 
pelo CPC/2015. 
 
Traz ainda uma solução bem razoável para fixação de competência de árbitros 
e magistrados quando a arbitragem já foi pactuada, mas ainda não instituída 
(Artigo 22-A e B), a fim de solucionar eventuais conflitos de competência 
quanto ao deferimento ou não de medidas de urgência. 
 
Finalmente, regulamenta o direito de retirada do acionista dissidente que não 
concordar com a inserção da convenção de arbitragem no estatuto social das 
Companhias regidas pela Lei n° 6.404/76, inserindo nesse Diploma

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