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Apostila Mecanismos de solucao de conflitos

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até então não editada. 
e) Dependia de emenda constitucional. 
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Questão 3 
Tendo em vista as diretrizes do DL nº 28, aponte a alternativa falsa. 
a) A mediação deveria ser contemplada no decreto legislativo como meio de 
solução de litígios envolvendo direitos disponíveis; e deveria ser 
instituído um registro dos organismos de mediação mantido pelo 
Ministério da Justiça. 
b) A possibilidade de a Ordem dos Advogados e demais conselhos 
profissionais instituírem órgãos de mediação. 
c) A possibilidade de nomeação de peritos pelo mediador, caso entenda por 
necessário; e a previsão regulamentada dos honorários dos mediadores, 
a ser majorado em caso de celebração de acordo. 
d) Previsão do dever conferido ao advogado de informar seu cliente sobre a 
possibilidade de mediação antes da instauração do processo judicial. 
e) Vedação a que a mediação tenha duração superior a sessenta dias. 
 
Questão 4 
Levando em conta as iniciativas legislativas brasileiras sobre mediação, aponte 
qual destes diplomas previu, em determinadas hipóteses, a figura da mediação 
obrigatória: 
a) Projeto de Lei nº 94/02 
b) Projeto de Lei do Senado nº 517/11 
c) Projeto de Lei do Senado nº 434/11 
d) Projeto de Lei do Senado nº 405/13 
e) Projeto de Lei do Senado nº 7.169/14 
 
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Questão 5 
Tendo em vista as disposições do CPC, podemos afirmar que: 
a) Conciliação e mediação podem ser utilizadas pelo magistrado apenas nos 
casos expressamente autorizados em lei, cujo rol é taxativo. 
b) A mediação obrigatória pode ser utilizada se determinada pelo 
magistrado. 
c) O novo CPC prevê apenas a conciliação obrigatória, mas não a mediação 
obrigatória. 
d) O novo CPC não prevê arbitragem obrigatória, mas a Lei de arbitragem 
sim. 
e) O novo CPC não prevê mediação ou arbitragem obrigatória(s). 
 
Aula 5 
Exercícios de fixação 
Questão 1 - B 
Justificativa: Embora alguns países, como a Itália, tenham feito uso da 
mediação obrigatória, por força de legislação interna, não há nenhuma regra na 
Diretiva nº 52 nesse sentido. 
 
Questão 2 - C 
Justificativa: Na decisão da Suprema Corte da Itália, ficou assentado que o vício 
era de forma, ou seja, a instituição da mediação obrigatória não poderia ser 
feita apenas por decreto legislativo. Posteriormente, em 2013, com a edição do 
DL nº 69, conhecido com Decreto del fare, o vício foi sanado. 
 
Questão 3 - E 
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Justificativa: A última alternativa é falsa, pois o DL dispõe expressamente que a 
mediação pode ter duração de até quatro meses, sendo permitido, nesse 
período, que as partes se dirijam diretamente ao magistrado na eventualidade 
de necessitarem de alguma providência de urgência. 
 
Questão 4 - A 
Justificativa: Apenas o antigo Projeto nº 4.728, depois convertido no PL nº 
94/02, previa, em seu Artigo 34 a obrigatoriedade da mediação em 
determinadas hipóteses. 
 
Questão 5 - E 
Justificativa: Nem o CPC, nem as Leis de arbitragem ou mediação contemplam 
a figura da obrigatoriedade, mas apenas a conciliação e mediação facultativas. 
 
 
 
 
 
 
Introdução 
Vamos fazer um exame panorâmico do procedimento arbitral a partir das 
hipóteses de intervenção jurisdicional, em seguida veremos a questão da 
constitucionalidade, a partir do julgamento da SE nº 5.206 pelo STF, bem como 
os principais tópicos relacionados aos limites objetivos e subjetivos ao uso do 
instituto, à competência e ao procedimento arbitral, desde a fase cognitiva até 
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a execução da sentença arbitral, que é tratada pela Lei nº 9.307/96 e pelo 
Código de Processo Civil (CPC) como título executivo judicial. 
 
Objetivo: 
1. Estudar o instituto da arbitragem na legislação brasileira a partir da edição 
da Lei nº 9.307/96, enfocando, principalmente, a questão da 
constitucionalidade, dos limites objetivos e subjetivos para sua utilização e os 
princípios informadores; 
2. Analisar as principais questões procedimentais e como elas são tratadas 
tanto pela Lei nº 9.307/96 como pelo CPC vigente. 
 
 
 
 
 
 
 
 
Conteúdo 
Arbitragem no ordenamento brasileiro 
O ponto central da discussão dizia respeito à autonomia da cláusula 
compromissória, ou seja, o pacto de arbitragem, feito antes do surgimento do 
litígio. Pela letra da Lei, declarada constitucional pelo STF, ainda que por 
maioria, a recusa em cumprir a cláusula daria ensejo ao ajuizamento de 
demanda especial, com o objetivo de obter em juízo o suprimento judicial da 
vontade não manifestada (realização da arbitragem). 
 
Alguns pontos da Lei nº 9.307/96 foram questionados em arguição incidental 
de inconstitucionalidade nos autos de homologação de sentença estrangeira, 
que tramitou pelo STF por mais de cinco anos. Após intensos debates, o 
Pretório decidiu, por maioria, pela constitucionalidade desses dispositivos, 
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garantindo a efetividade da arbitragem no ordenamento brasileiro. Assim ficou 
redigida a ementa do julgado. 
 
Concluído o julgamento de agravo regimental em sentença estrangeira em que 
se discutia incidentalmente a constitucionalidade da Lei 9.307/96 – Lei de 
Arbitragem (v. Informativos 71, 211, 221 e 226). O Tribunal, por maioria, 
declarou constitucional a Lei 9.307/96, por considerar que a manifestação de 
vontade da parte na cláusula compromissória no momento da celebração do 
contrato e a permissão dada ao juiz para que substitua a vontade da parte 
recalcitrante em firmar compromisso não ofendem o art. 5º, XXXV, da CF (“a lei 
não excluirá da apreciação do Poder Judiciário lesão ou ameaça a direito”). 
Vencidos os Ministros Sepúlveda Pertence, relator, Sydney Sanches, Néri da 
Silveira e Moreira Alves, que, ao tempo em que emprestavam validade 
constitucional ao compromisso arbitral quando as partes de uma lide atual 
renunciam à via judicial e escolhem a alternativa da arbitragem para a solução 
do litígio, entendiam inconstitucionais a prévia manifestação de vontade da 
parte na cláusula compromissória – dada a indeterminação de seu objeto – e a 
possibilidade de a outra parte, havendo resistência quanto à instituição da 
arbitragem, recorrer ao Poder Judiciário para compelir a parte recalcitrante a 
firmar o compromisso, e, consequentemente, declaravam, por violação ao 
princípio do livre acesso ao Poder Judiciário, a inconstitucionalidade dos 
seguintes dispositivos da Lei 9.307/96: 1) o parágrafo único do art. 6º; 2) o art. 
7º e seus parágrafos; 3) no art. 41, as novas redações atribuídas ao art. 267, 
VII, e art. 301, IX, do Código de Processo Civil; 4) e do art. 42. O Tribunal, por 
unanimidade, proveu o agravo regimental para homologar a sentença arbitral. 
 
Discutiu-se se não se trataria de uma mera cláusula de conteúdo obrigacional, 
que deveria resolver-se em perdas e danos apenas, não ensejando a 
obrigatoriedade da utilização da solução arbitral em detrimento da solução 
jurisdicional, sobretudo diante dos termos do Artigo 5º, XXXV, CF/88. Contudo, 
prevaleceu o entendimento de que a livre manifestação de vontade, a 
previsibilidade das consequências do ato e a existência de lei clara sobre a 
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matéria seriam suficientes para afastar qualquer alegação de 
inconstitucionalidade. 
 
A questão foi ainda discutida sob o ângulo da autonomia da sentença arbitral e 
a desnecessidade de sua homologação pelo Poder Judiciário,