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Recursos em espécie

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Recursos em espécie. 
 
APELAÇÃO 
Artigo 1.009 e ss 
 
Conceito: É o recurso que cabe contra qualquer tipo de sentença: 
 
- a que julga o processo de conhecimento (sentença condenatória, constitutiva ou 
declaratória) 
- a que extingue as execuções; 
- as definitivas, em que há resolução de mérito; 
- as extintivas, sem resolução do mérito. 
 
Exceções: 
- na Lei de Execução Fiscal, contra a sentença que julga os embargos de pequeno valor, o 
recurso cabível é o de Embargos Infringentes; 
- da sentença que decreta a falência, cabe Agravo de Instrumento, e não Apelação. 
 
A regra é que as decisões interlocutórias sejam atacadas pelo recurso de Agravo de 
Instrumento, no prazo de 15 dias, estas estão previstas no rol do artigo 1.015, CPC (estas 
estão sujeitas à preclusão) 
 
Mas e as decisões que não constam deste rol? 
As decisões interlocutórias que não constam do rol do artigo 1.015, CPC só podem 
ser atacadas por meio de preliminar em contestação ou em contrarrazões (estas não 
estão sujeitas à preclusão) 
 
 Não é possível Apelar apenas para impugnar as decisões interlocutórias proferidas 
no curso do processo. 
 
O Tribunal, ao receber a Apelação, antes de julgar o mérito da apelação, reexaminará as 
decisões interlocutórias impugnadas: 
- se mantiver a decisão interlocutória, examinará as razões da apelação; 
- se reformar a decisão interlocutória, o processo retroagirá à fase em que foi proferida a 
decisão agravada, prejudicando todos os atos posteriores, inclusive a sentença e a 
apelação. 
 
Requisitos de admissibilidade do Recurso de Apelação: o conhecimento está 
condicionado ao preenchimento dos requisitos gerais de admissibilidade. 
 
a) prazo: 15 dias 
b) preparo: 4% sobre o valor da causa ou sobre o valor da condenação quando a sentença 
for líquida. Valor mínimo 5 UFESP’s = R$117,75 e valor máximo 3.000 UFESP’s = R$ 
70.650,00 (1 UFESP = R$ 23,55). O documento de arrecadação é o DARE, código 230-6 
 
c) observar as exigências do artigo 1.010: interposição ao juízo a quo, por petição 
endereçada ao juiz da causa, acompanhado das respectivas razões dirigidas ao Tribunal, 
que é quem as examinará. Só será necessária a qualificação do terceiro prejudicado, se 
houver, pois as partes já estão qualificadas. 
 
d) apresentar a exposição do fato e do direito e as razões do pedido de reforma ou 
de decretação de nulidade, com o pedido de nova decisão. 
 
Efeitos da Apelação: 
 
1) devolutivo: como todos os recursos de nosso ordenamento, a apelação é dotados de 
efeito devolutivo, ou seja, a matéria cuja sentença se pronunciou é devolvida para análise 
do Tribunal; 
 
2) suspensivo: a regra da Apelação é o efeito suspensivo, ou seja, a sentença não produz 
eficácia enquanto o recurso não for analisado, não cabendo sequer a execução provisória. 
Exceções: § 1º do artigo 1.012, CPC 
 
Art. 1.012. A apelação terá efeito suspensivo. 
§ 1o Além de outras hipóteses previstas em lei, começa a produzir efeitos imediatamente 
após a sua publicação a sentença que: (não tem efeito suspensivo) 
 
I - homologa divisão ou demarcação de terras; (art. 588 e ss. e 574 e ss., CPC) 
 
II - condena a pagar alimentos; (refere-se aos alimentos para a subsistência e cabe para a 
fixação e elevação do valor, mas não para a redução ou exoneração, e somente àqueles 
do direito de família, decorrentes do direito de família, do casamento, união estável ou 
parentesco) 
 
III - extingue sem resolução do mérito ou julga improcedentes os embargos do executado; 
(se julgados parcialmente procedentes com redução do valor da execução, esta segue pelo 
valor reduzido) 
 
IV - julga procedente o pedido de instituição de arbitragem; (regulamentada pela Lei 
9.307/96) 
 
V - confirma, concede ou revoga tutela provisória; (tutela provisória concedida e depois 
confirmada na sentença ou concedida na sentença não pode ser suspensa por razão da 
apelação, cabendo o efeito suspensivo para os demais pedidos) 
 
VI - decreta a interdição. (art. 747 e ss., CPC) 
 
3) regressivo: só será dotada desse efeito nos casos de apelação interposta contra 
sentença de extinção sem resolução do mérito (art. 485, § 7§) ou improcedência liminar 
(art. 332, § 3º) 
 
4) translativo: as matérias de ordem pública são reconhecidas de ofício pelo Tribunal, ainda 
que não suscitadas. 
 
5) expansivo: em condições específicas 
 
Eficácia que ultrapassa os limites objetivos e subjetivos previamente estabelecidos pelo 
recorrente, nas seguintes condições: 
1. Havendo litisconsórcio, o recurso interposto por um deles pode beneficiar aqueles 
que não recorreram: a) quando for litisconsórcio unitário; b) quando for litisconsórcio 
simples e as matérias alegadas pelo recorrente forem comuns aos demais. 
 
Litisconsórcio simples: é possível que os resultados sejam diferentes para os litisconsortes. 
Litisconsórcio unitário: é aquele em que a sentença forçosamente há de ser a mesma para 
todos os litisconsortes, sendo juridicamente impossível que venha a ser diferente, ou seja, 
os resultados devem ser os mesmos para os litisconsortes, não se podendo admitir, nem 
mesmo em abstrato, que possam ser diferentes. 
 
2. Havendo pedidos interdependentes, com relação de prejudicialidade entre si, ou 
seja, não é possível modificar a decisão a respeito de um sem prejudicar o outro 
 
É permitido inovar na apelação? 
NÃO, em regra. 
Possível em duas situações: 
- art. 493, CPC “Se, depois da propositura da ação, algum fato constitutivo, modificativo ou 
extintivo do direito influir no julgamento do mérito, caberá ao juiz tomá-lo em consideração, 
de ofício ou a requerimento da parte, no momento de proferir a decisão.” - cabível na 
sentença e no recurso) 
- diante de matéria de ordem pública, analisada de ofício pelo juiz. 
 
Processamento da Apelação: 
1) interposta perante o juízo a quo, no prazo de 15 dias da intimação da decisão, somente 
para processamento, não cabendo qualquer juízo de admissibilidade, ainda que se 
verifique o não preenchimento de algum dos requisitos de admissibilidade. 
 
2) a parte contrária será intimada para apresentar contrarrazões ao recurso no prazo de 15 
dias; 
 
3) se nas contrarrazões o apelado postular, em preliminar, o reexame de decisão 
interlocutória proferida no curso do processo, o apelante será intimado a manifestar-se 
sobre ela, no prazo de 15 dias, em virtude do princípio do contraditório; 
 
4) cumpridas as formalidades os autos serão remetidos ao Tribunal; 
 
5) o Tribunal fará o exame dos requisitos de admissibilidade, recebendo ou não o recurso. 
 
6) os autos são registrados, distribuídos e encaminhados ao Relator, que deve elaborar seu 
voto em 30 dias, evolvendo à Secretaria apontando os pontos controvertidos; 
 
7) os autos são remetidos ao Revisor, que deve sugerir ao relator medidas ordinatórias do 
processo que tenham sido omitidas, confirmar, completar ou retificar o relatório, e proferir 
voto; 
 
8) o processo é incluído na pauta de julgamento, e dele participarão três juízes, sendo que 
qualquer um poderá pedir, a qualquer tempo, vista dos autos se não estiver pronto a emitir 
seu voto (10 dias); 
9) se o Relator tomar as providências do artigo 932, III, IV e V, CPC não será marcada data 
para julgamento (contrariar Súmulas - o Relator decide monocraticamente, não admitindo 
o recurso, negando-lhe provimento ou dando-lhe provimento) 
 
10) da decisão monocrática do Relator cabe Agravo Interno, no prazo de 15 dias (art. 1.021, 
CPC); 
 
11) o Tribunal pode determinar a realização ou renovação de ato processual, ou até a 
produção de provas,