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deste dispositivo advém o princípio da legalidade. 
 
O sistema stare decisis (stare decisis et mon quieta movere – “mantenha-se a decisão e 
não se moleste o que foi decidido”), corresponde ao sistema da força obrigatória dos 
precedentes. 
- o termo “lei” é revisado e sua compreensão ampliada para introduzir o precedente judicial 
que tem cogência prevista no ordenamento jurídico; 
- em virtude da evolução da sociedade e de suas constantes modificações (sociais, culturais, 
políticas, econômicas), que não são acompanhadas pelo legislador e, também, porque não 
é possível prever-se todas as situações concretas e futuras a serem submetidas à apreciação 
judicial; 
- torna-se necessário aceitar a interpretação jurisdicional para garantir que tutela integral. 
 
O sistema do Common Law, também conhecido como sistema anglo-saxão. Os juízes e 
tribunais se baseiam principalmente nos costumes e, com base no direito consuetudinário, 
julgam os casos concretos. A decisão poderá constituir-se em precedente para julgamento 
de casos futuros. 
Os precedentes judiciais no sistema Civil Law: o precedente tem a função de orientar a 
interpretação da lei, sem obrigar o julgador a adotar o mesmo fundamento da decisão 
anteriormente proferida e que tenha como pano de fundo situação jurídica semelhante. 
- o CPC/73 compelia os juízos inferiores a aplicar os julgamentos dos tribunais (STF e STJ), 
por meio de súmulas vinculantes, de julgamento em controle abstrato de constitucionalidade 
e julgamento de recursos repetitivos. 
- o CPC/2015 traz uma vinculação ainda mais consistente. Trata-se da criação de uma 
norma por meio da decisão judicial, que deve ser obrigatoriamente respeitada em virtude 
do status do órgão que a criou. 
- no Brasil já observamos a incidência do stare decisis, pois tanto o STJ quanto o STF têm 
o poder de criar norma (teoria constitutiva, criadora do Direito), os juízes inferiores têm o 
dever de aplicar o precedente criado por essas Cortes (teoria declaratória); 
- a utilização do sistema de stare decisis não revoga as leis vigentes. 
- a aplicação dos precedentes vinculantes não pode ser aleatória, mas o magistrado deve 
realizar uma comparação entre o caso concreto e a fundamentação da decisão 
paradigmática, ou seja, observadas as particularidades da situação submetida à tutela 
jurisdicional, deve o julgador verificar se o caso paradigma possui alguma semelhança com 
aquele que será analisado. (essa comparação, na teoria dos precedentes, recebe o nome 
de distinguishing – distinção) 
 
Apesar da noção de obrigatoriedade, não será possível suscitar os precedentes em toda e 
qualquer situação: 
- pode ser que os fatos não guardem relação de semelhança, mas exijam a mesma 
conclusão jurídica; 
- pode ser que os fatos até guardem semelhança, mas as particularidades de casa caso os 
tornem substancialmente diferentes. 
 
Ao fazer a distinção há a exigência da motivação (art. 93, IX, CF). Isso significa que as 
decisões judiciais não devem pautar-se apenas em artigos de lei, a conceitos abstratos, a 
súmulas e ementas de julgamento, mas devem expor os elementos fáticos e jurídicos em 
que o magistrado se apoiou para decidir. A fundamentação das decisões o juiz deve 
identificar as questões que reputou essências para a tese jurídica escolhida. 
 
A fundamentação passa a ser a norma geral, um modelo de conduta para a sociedade. 
 
Se o que justifica a aplicação de precedentes judiciais como meio de acompanhar a evolução 
social, diante do envelhecimento da lei, é necessário pensar, também, que, em virtude da 
ininterrupta evolução, estes precedentes vinculantes não podem ser permanentes, ou seja, 
é necessário que sejam revogados ou superados em razão da modificação dos valores 
sociais, dos conceitos jurídicos, da tecnologia ou até mesmo por erro gerador de instabilidade 
em sua aplicação. (essa técnica é o overruling) 
 
A força normativa dos precedentes no novo CPC 
 
1. Fundamentação das decisões judiciais: art. 486, CPC – não basta que o julgador invoque 
o precedente ou a súmula em seu julgado, ele deve identificar os fundamentos determinantes 
que o levaram a seguir o precedente, deve explicar os motivos pelos quais está aplicando 
a orientação consolidada ao caso concreto. 
Assim, para que o julgador deixe de seguir enunciado de súmula, jurisprudência ou 
precedente invocado pela parte, deverá demonstrar que há distinção entre o precedente 
e a situação concretamente apresentada ou que o paradigma invocado já foi superado. 
 
2. Uniformização da jurisprudência: at. 926, caput, CPC – Os tribunais devem uniformizar 
sua jurisprudência e mantê-la estável, íntegra e coerente. 
Tal dever decorre da adoção do sistema de precedentes e demonstra a necessidade de 
compatibilização entre as decisões proferidas pelos tribunais e o princípio constitucional da 
segurança jurídica 
Uniformizar: evitar a propagação de teses jurídicas distintas sobre situações semelhantes e 
que, por esta semelhança, merecem tratamento igualitário. 
Estabilizar: manter o que já foi uniformizado 
Coerência: está ligada a ideia de não contradição, o que quer dizer que os tribunais devem 
manter uma relação harmônica entre o que se decide e todo o processo. Há um dever de 
dialogar com os precedentes anteriores, até mesmo para superá-los e demonstrar o 
distinguishing 
Integridade: denota a ideia de conformidade com o direito, com a disposições constitucionais. 
 
Precedentes obrigatórios 
Artigo 927, I a V, CPC – rol que contém precedentes obrigatórios 
Art. 927. Os juízes e os tribunais observarão: 
I - as decisões do Supremo Tribunal Federal em controle concentrado de 
constitucionalidade; pois nas ADI já vale para todos 
II - os enunciados de súmula vinculante; 
III - os acórdãos em incidente de assunção de competência ou de resolução de demandas 
repetitivas e em julgamento de recursos extraordinário e especial repetitivos; IRDR 
IV - os enunciados das súmulas do Supremo Tribunal Federal em matéria constitucional e 
do Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional; 
V - a orientação do plenário ou do órgão especial aos quais estiverem vinculados. 
 
 
Regras gerais para a formação e modificação dos precedentes obrigatórios no novo 
CPC

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