Manual de Licitação em Contratos TCU
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Manual de Licitação em Contratos TCU


DisciplinaDireito Administrativo IV484 materiais1.281 seguidores
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\u2018do contrato\u2019. Aliás, até poderia ter adotado tal redação, sem 
que isso importasse alguma rejeição à tese acima defendida. Mas o legislador 
constituinte foi sábio e preciso, nesse ponto. Não deixou margem de dúvida, 
identificando a proposta como o ponto a partir do qual o particular tem sua 
situação garantida.\u201d (grifos meus).
Acórdão 474/2005 Plenário (Voto do Ministro Relator)
O marco inicial a ser contado para início do período de um ano para a 
aplicação dos índices de reajustamento de contratos está estabelecido pela 
Lei 10.192/2001, nos seguintes termos:
Tribunal de Contas da União
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\u2018Art. 3º Os contratos em que seja parte órgão ou entidade da Administração 
Pública direta ou indireta da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos 
Municípios, serão reajustados ou corrigidos monetariamente de acordo 
com as disposições desta Lei, e, no que com ela não conflitarem, da Lei 
8.666, de 21 de junho de 1993.
§ 1º A periodicidade anual nos contratos de que trata o caput deste artigo 
será contada a partir da data limite para apresentação da proposta ou 
do orçamento a que essa se referir.\u2019
E a Lei 8.666/93 determinou:
\u2018Art. 40 O edital conterá no preâmbulo o número de ordem em série 
anual, o nome da repartição interessada e de seu setor, a modalidade, 
o regime de execução e o tipo da licitação, a menção de que será regida 
por esta Lei, o local, dia e hora para recebimento da documentação e 
proposta, bem como para início da abertura dos envelopes, e indicará, 
obrigatoriamente, o seguinte:
(...)
XI - critério de reajuste, que deverá retratar a variação efetiva do custo 
de produção, admitida a adoção de índices específicos setoriais, desde a 
data prevista para apresentação da proposta, ou do orçamento a que essa 
proposta se referir, até a data do adimplemento de cada parcela;
Art. 55 São cláusulas necessárias em todo contrato as que estabeleçam:
(...)
III - o preço e as condições de pagamento, os critérios, data-base e 
periodicidade do reajustamento de preços, os critérios de atualização 
monetária entre a data do adimplemento das obrigações e a do efetivo 
pagamento;\u2019
Como não há conflito entre os dispositivos acima, a administração tem a 
discricionariedade de escolher, como data-base para o período de um ano de 
reajuste, ou a data para apresentação das propostas ou a data do orçamento. 
Basta que esteja claramente estabelecido no edital.
Aliás, este já foi o entendimento exarado no Acórdão 1707, Ata 43/2003 
- Plenário, publicado no Diário Oficial da União em 21.11.2003, onde foi 
determinado (...) que:
estabeleça já a partir dos editais de licitação e em seus contratos, de \u2022	
forma clara, se a periodicidade dos reajustes terá como base a data-limite 
para apresentação da proposta ou a data do orçamento, observando-se 
o seguinte:
se for adotada a data-limite para apresentação da proposta, o reajuste será \u2022	
aplicável a partir do mesmo dia e mês do ano seguinte;
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Licitações e Contratos - Orientações e Jurisprudência do TCU
se for adotada a data do orçamento, o reajuste será aplicável a partir do \u2022	
mesmo dia e mês do ano seguinte se o orçamento se referir a um dia 
específico, ou do primeiro dia do mesmo mês do ano seguinte caso o 
orçamento se refira a determinado mês;
para o reajustamento dos contratos, observe que a contagem do período \u2022	
de um ano para a aplicação do reajustamento deve ser feita a partir da 
data-base completa, na forma descrita no item 9.2.1.1, de modo a dar 
cumprimento ao disposto na Lei 10.192/2001, em seus arts. 2º e 3º, e na 
Lei 8.666/93, em seu art. 40, inciso xI;
Assim, quanto ao marco inicial para reajuste de contratos, bem como 
quanto à periodicidade de um ano para reajustes contratuais, consiste em 
assunto dirimido pelo TCU em acórdão recente, acima mencionado e não 
há divergência entre o parecer da Consultoria Jurídica do MT e as leis que 
regem o dispositivo.
Acórdão 474/2005 Plenário (Relatório do Ministro Relator)
Insira cláusula definindo o índice específico para reajustamento dos preços 
dos contratos administrativos a serem celebrados, em cumprimento ao 
estabelecido no inciso II do art. 55 da Lei nº 8.666/1993.
Acórdão 1051/2003 Plenário
Não há irregularidade em se fazer constar dos contratos firmados pela 
Administração Pública cláusula de reajuste do valor contratual pelo IGP-DI - 
índice Geral de Preços-Disponibilidade Interna.
Decisão 1315/2002 Plenário (Voto do Ministro Relator)
Antes de iniciar a análise, cabe verificar a definição de revisão (realinhamento), 
reajuste e repactuação dos preços, de acordo com a tese de Marçal Justen Filho, 
em Comentários à Lei de Licitações e Contratos Administrativos, 11ª edição, 
editora Dialética, 2005 (págs. 549/551):
a) revisão ou realinhamento de preços: \u201ca modificação decorre de alteração 
extraordinária nos preços, desvinculada da inflação verificada. Envolve a 
alteração dos deveres impostos ao contratado, independentemente de 
circunstâncias meramente inflacionárias. Isso se passa quando a atividade de 
execução do contrato sujeita-se a uma excepcional e anômala elevação (ou 
redução) de preços (que não é refletida nos índices comuns de inflação) ou 
quando os encargos contratualmente previstos são ampliados ou tornados 
mais onerosos\u201d.
(...)
b) reajuste de preços: \u201c(...) A Administração passou a prever, desde 
logo, a variação dos preços contratuais segundo a variação de índices 
(predeterminados ou não). Essa prática é identificada como \u201creajuste\u201d de 
Tribunal de Contas da União
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preços. Trata-se da alteração dos preços para compensar (exclusivamente) os 
efeitos das variações inflacionárias. (...) O reajuste baseia-se em índices setoriais 
vinculados às elevações inflacionárias quanto a prestações específicas. Já a 
atualização financeira se refere aos índices gerais de inflação\u201d.
(...)
Complementando, segundo dispõem o inciso III do parágrafo único do art. 1º 
e o art. 2º, caput, ambos da Lei nº 10.192/2001, a cláusula de reajuste deverá 
respeitar o interregno mínimo de um ano, contado da data de assinatura do 
contrato ou apresentação da proposta vencedora.
Esta última lei visa a condicionar o reajuste automático (independentemente 
de solicitação do contratado e vinculado a índices gerais ou setoriais) ao prazo 
mínimo de um ano. Trata-se de mera atualização dos preços inicialmente 
pactuados. Caso ocorra a quebra da equação econômico-financeira do 
contrato por outros motivos, terá o contratado o direito à revisão dos preços 
sem a observância desse prazo mínimo, desde que devidamente comprovado, 
aplicando-se, nesse caso, a teoria da imprevisão.
Em relação ao limite de 25 % para os acréscimos ou supressões que se fizerem 
nos contratos, nos termos dos §§ 1º e 2º do art. 65 da Lei n.º 8.666/1993, 
transcritos abaixo, os reajustes de preços, por serem meras atualizações dos 
valores originalmente pactuados, não se submetem a esse limite. Da mesma 
forma, as revisões ou repactuações também não, porém somente aquelas 
que se destinem a assegurar a manutenção da identidade da equação 
econômico-financeira:
\u201c§ 1º O contratado fica obrigado a aceitar, nas mesmas condições 
contratuais, os acréscimos ou supressões que se fizerem nas obras, serviços 
ou compras, até 25% (vinte e cinco por cento) do valor inicial atualizado do 
contrato, e, no caso particular de reforma de edifício ou de equipamento, 
até o limite de 50% (cinqüenta por cento) para os seus acréscimos.
§ 2º Nenhum acréscimo ou supressão poderá exceder os limites 
estabelecidos no parágrafo anterior ... (Redação dada pelo(a) Lei 
9.648/1998)\u201d (grifamos)
Esse é o ensinamento que pode ser extraído da obra de Marçal Justen Filho, 
Comentários à Lei de Licitações e Contratos Administrativos,