Manual de Licitação em Contratos TCU
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Manual de Licitação em Contratos TCU


DisciplinaDireito Administrativo IV484 materiais1.284 seguidores
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habilitação \u2022	
estabelecidos no art. 27 da Lei nº 8.666/1993, originalmente previstos 
na licitação;
sejam mantidas as condições estabelecidas no contrato original.\u2022	
Acórdão 1108/2003 Plenário
Uma das características marcantes do contrato administrativo reside 
na possibilidade de a Administração Pública alterar unilateralmente o 
conteúdo pactuado. Tal fato deriva da supremacia do interesse público 
sobre o particular. Quando a Administração assina um contrato, já exerceu 
antecipadamente um procedimento licitatório que conduziu à definição do 
objeto, estabelecendo as regras para a sua realização. É claro que pode a 
Administração alterar unilateralmente as cláusulas contratuais, desde que 
não afete o equilíbrio econômico-financeiro da outra parte. Se rompe esse 
equilíbrio, estará a Administração obrigada a promover ajustes relativos ao 
pagamento do particular.
Acórdão 2483/2006 Primeira Câmara (Relatório do Ministro Relator)
Observe os dispositivos estabelecidos no inciso I, § 4º, art. 109, da Lei nº 
8.666/1993, em especial se decorrente de rescisão contratual, unilateral, a 
que se refere o inciso I do art. 79 da referida lei, nos casos em que houver 
interposição de recursos.
Acórdão 1846/2006 Primeira Câmara
Observe o disposto no art. 78, parágrafo único, nos casos de rescisão contratual, 
especialmente no tocante ao direito ao contraditório e à ampla defesa por 
parte do contratado.
Tribunal de Contas da União
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Acórdão 2519/2006 Segunda Câmara
Consulte também os Acórdãos: Plenário: 1978/2004; Primeira Câmara: 498/2004; 
Segunda Câmara: 2521/2003.
Direitos da Administração em Caso de Rescisão
Na rescisão unilateral são assegurados à Administração os seguintes direitos, sem 
prejuízo de sanções aplicáveis ao contratado, previstas na Lei nº 8.666/1993:
assumir de imediato o objeto do contrato, no estado e no local em que se \u2022	
encontrar;
ocupar e utilizar local, instalações, equipamentos, material e pessoal \u2022	
empregados na execução do contrato, necessários à continuidade de 
execução do objeto;
executar a garantia do contrato;\u2022	
reter créditos decorrentes do contrato até o limite dos prejuízos causados à \u2022	
Administração pelo contratado.
Pode a Administração dar continuidade à obra ou ao serviço por execução direta 
ou indireta nas duas primeiras hipóteses.
Para ocupar e utilizar local, instalações, equipamentos, material e pessoal 
empregados na execução do contrato, a Administração deve ter autorização expressa 
do Ministro de Estado competente, ou Secretário Estadual ou Municipal, conforme 
o caso.
Em caso de recuperação judicial ou extrajudicial do 
contratado, antigo regime de concordata, é permitido 
à Administração manter o contrato e assumir o controle 
de determinados serviços considerados essenciais.
DELIBERAÇÕES DO TCU
Existe mais uma lacuna no contrato, frente à Lei 8666/93, que tem particular 
relevância. O art. 55 inc. Ix estabelece a obrigatoriedade, em qualquer contrato 
administrativo, de cláusula especificando o reconhecimento dos direitos 
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Licitações e Contratos - Orientações e Jurisprudência do TCU
da Administração, em caso de rescisão administrativa prevista no art. 77, 
que incluem em especial os direitos de ocupação provisória de instalações 
necessárias à conclusão do objeto do contrato (art. 77, art. 80 inc. II e art. 58 
inc. I e V). (...) Assim, entendemos necessária determinação (...) no sentido 
de incluir no contrato (...) as cláusulas obrigatórias previstas no art. 55 da Lei 
8666/93, em particular o reconhecimento dos direitos de ocupação provisória 
de instalações necessárias à conclusão do objeto do contrato e à continuidade 
da prestação do serviço público de transporte metroviário em situação de 
necessidade urgente (arts. 55, 77, 80 inc. II e 58 incs. I e V).
Acórdão 554/2004 Plenário
Inclua, nos futuros contratos, cláusula de reconhecimento dos direitos da 
Administração em caso de rescisão administrativa prevista no art. 77 da Lei 
nº 8.666/1993, conforme impõe o art. 55, inciso Ix, da mesma Lei.
Acórdão 216/2004 Plenário
Sanções Administrativas
É dever da Administração prever no ato convocatório e no contrato a aplicação 
de multa por atraso injustificado na execução do objeto contratado.
Aplicação de multa não impede a Administração 
de rescindir o contrato e de impor simultaneamente 
ao contratado penas de advertência, suspensão 
temporária ou declaração de inidoneidade.
Se a garantia prestada for inferior ao valor da multa, o contratado, além de 
perder o valor da garantia, responderá pela diferença, que será descontada dos 
pagamentos eventualmente devidos pela Administração ou, quando for o caso, 
cobrada judicialmente.
Pela inexecução total ou parcial do objeto do contrato, podem ser aplicadas ao 
contratado as sanções a seguir:
advertência;\u2022	
multa, de acordo com o previsto no contrato;\u2022	
Tribunal de Contas da União
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suspensão temporária de participar de licitação e impedimento de contratar \u2022	
com a Administração, pelo prazo de até dois anos;
declaração de inidoneidade para licitar ou contratar com a Administração \u2022	
Pública enquanto perdurarem os motivos determinantes da punição ou até 
que seja promovida a reabilitação perante a própria autoridade que aplicou 
a penalidade;
será concedida reabilitação sempre que o contratado ressarcir a \u2022	
Administração pelos prejuízos resultantes e após decorrido o prazo da 
suspensão temporária, se aplicada.
Além das penalidades citadas, o contratado fica sujeito às demais sanções civis 
e penais previstas em lei.
Intimação dos atos correspondentes à pena de 
suspensão temporária e à declaração de inidoneidade 
será feita mediante publicação na imprensa oficial. 
 
Para validade da aplicação de penalidades 
é indispensável que seja assegurado ao 
contratado direito ao contraditório e à ampla 
defesa, no prazo de cinco dias úteis.
Na modalidade pregão, ficará impedido de licitar e de contratar com a União, 
Estados, Distrito Federal ou Municípios e será descredenciado do Sicaf ou dos 
sistemas de cadastramento de fornecedores semelhantes, pelo prazo de até cinco 
anos, licitante que, convocado dentro do prazo de validade da proposta:
deixar de celebrar o contrato;\u2022	
deixar de entregar documentação exigida no edital;\u2022	
apresentar documentação falsa;\u2022	
ensejar o retardamento da execução do objeto do contrato;\u2022	
não mantiver a proposta;\u2022	
falhar na execução do contrato;\u2022	
fraudar a execução do contrato;\u2022	
comportar-se de modo inidôneo;\u2022	
cometer fraude fiscal.\u2022	
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Essas penalidades não excluem multas previstas no edital e no contrato e demais 
cominações legais, em especial as estabelecidas na Lei nº 8.666/1993.
Aplicação de penalidades deve estar devidamente 
motivada em processo administrativo.
Quanto à cobrança de multas, o contrato deve especificar, no mínimo, o 
seguinte:
condições e valores;\u2022	
percentuais e base de cálculo;\u2022	
prazo máximo para recolhimento, após ciência oficial.\u2022	
Na redação de cláusulas contratuais referentes à aplicação de multas, deve evitar-
se o uso de expressões imprecisas ou que gere dupla interpretação, a exemplo da 
seguinte informação \u201cmulta de ATÉ 5%\u201d. 
Exemplo de condições precisas: 
 
- Será aplicada multa de 0,05% sobre o valor do 
contrato, por dia de atraso; e percentual máximo de 
10%, por ocorrência. 
 
- Valor correspondente à multa deverá ser 
recolhido no prazo máximo de 10 dias a contar 
do recebimento da intimação pelo contratado.
Declaração de inidoneidade de licitante proferida pelo Tribunal de Contas da 
União não interfere na competência da Administração para aplicar demais sanções 
decorrentes de inexecução total ou parcial de contrato.