Manual de Licitação em Contratos TCU
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Manual de Licitação em Contratos TCU


DisciplinaDireito Administrativo IV484 materiais1.237 seguidores
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particulares são examinados sob critérios objetivos, mesmo na fase 
de habilitação. Ultrapassada esta, seleciona-se a melhor proposta e 
o julgamento não se relaciona com qualquer elemento subjetivo. Daí 
deriva que o contrato administrativo não apresenta vínculo psicológico 
entre as partes. A Administração pretende receber a prestação a que se 
obrigou o particular. A execução da prestação pelo próprio contratado 
não se impõe como exigência meramente subjetiva da Administração. 
Decorre logicamente do procedimento seletivo. Portanto e em tese, o 
que interessa à Administração é o recebimento da prestação ofertada na 
proposta vencedora. A identidade do executante da prestação até pode 
ser irrelevante, desde que o contratado se responsabilize pela perfeição 
do adimplemento.
Há, porém, duas questões a considerar. A primeira se relaciona com os 
riscos de receber uma prestação mal executada. Estes riscos conduzem 
a Administração a exigir que o próprio licitante desempenhe as tarefas 
necessárias ao cumprimento contratual. A segunda tem a ver com 
a própria licitação. Se o particular não dispunha de condições para 
executar a prestação, não poderia ter sido habilitado. Aliás, apurada 
a inidoneidade após a habilitação, a Administração deve promover a 
rescisão do contrato.
Daí surge a regra da impossibilidade de o contratado transferir ou ceder 
a terceiros a execução das prestações que lhe incumbiriam. A lei autoriza, 
porém, que a Administração, em cada caso, avalie a conveniência 
de permitir a subcontratação, respeitados limites predeterminados. 
[Grifei.]
A hipótese toma-se cabível, por exemplo, quando o objeto licitado 
comporta uma execução complexa, em que algumas fases, etapas ou 
aspectos apresentam grande simplicidade e possam ser desempenhados 
por terceiros sem que isso acarrete prejuízo. A evolução dos princípios 
organizacionais produziu o fenômeno denominado de \u201cterceirização\u201d, 
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Licitações e Contratos - Orientações e Jurisprudência do TCU
que deriva dos princípios da especialização e da concentração de 
atividades. Em vez de desempenhar integralmente todos os ângulos de 
uma atividade, as empresas tornam-se especialistas em certos setores.
A escolha da Administração deve ser orientada pelos princípios que regem 
a atividade privada. Se, na iniciativa privada, prevalece a subcontratação 
na execução de certas prestações, o ato convocatório deverá albergar 
permissão para que idênticos procedimentos sejam adotados na execução 
do contrato administrativo. Assim se impõe porque, estabelecendo 
regras diversas das práticas entre os particulares, a Administração 
reduziria a competitividade do certame. É óbvio que se pressupõe, em 
todas as hipóteses, que a Administração comprove se as práticas usuais 
adotadas pela iniciativa privada são adequadas para satisfazer o interesse 
público.\u201d
Desse modo, concluímos pela irregularidade das previsões editalícias de 
participação de pessoa física; de indicação, pela licitante, de empresa ou empresas 
que realizarão as obras; e de subcontratação total das referidas obras.
Acórdão 1733/2008 Plenário (Voto do Ministro Relator)
Por fim, é oportuno anotar que o edital possibilita a subcontratação de 40% 
da obra, sendo permitida para qualquer atividade, inclusive para aquelas 
consideradas relevantes. Ao contrário do que afirma a unidade técnica, existe 
previsão para a avaliação da capacidade técnica da subcontratada. O item 
5.3 exige que a consulta quanto à subcontratação seja acompanhada de 
qualificação e processo de seleção da sociedade empresária escolhida. Além 
disso, a Lei nº 8.666/1993, (art. 72) nem mesmo requer essa demonstração 
de qualificação, uma vez que não isenta a contratada original das 
responsabilidades contratuais e legais.
Acórdão 1312/2008 Plenário (Relatório do Ministro Relator)
Abstenha-se de permitir subcontratação ou de realizar licitação para 
contratar empresa prestadora de serviços para o desempenho de atividades 
análogas àquelas desempenhadas por servidores de seu quadro, conforme 
previstas em seu Plano de Carreiras, Cargos e Salários, nos termos do Decreto 
nº 2.271/1997.
Acórdão 215/2008 Plenário 
Passe a exigir dos contratados, por ocasião da prévia apresentação das 
cotações de preços para os serviços a serem terceirizados, a comprovação da 
necessidade da subcontratação da execução do objeto. 
Tribunal de Contas da União
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Autorize a execução dos serviços a serem subcontratados somente após 
certificar-se de que a proposta indicada como mais adequada apresenta preços 
compatíveis com o mercado. 
Abstenha-se de efetuar pagamentos às agências nos casos em que não forem 
apresentados os devidos documentos fiscais dos fornecedores subcontratados 
e nos casos em que não restar comprovada a execução dos serviços.
Acórdão 2060/2006 Plenário
Inclua cláusula estabelecendo que as empresas subcontratadas também 
devem comprovar perante o órgão que estão em situação regular fiscal e 
previdenciária. 
Acórdão 1529/2006 Plenário
\u201cA propósito, o foco da questão está na diferenciação que deve ser dada aos 
institutos da subcontratação e da sub-rogação. A principal característica que 
diferencia os dois institutos é o fato de que na subcontratação a contratada 
continua a responder, sozinha, pelo avençado com a Administração, 
transferindo para o terceiro apenas a execução do objeto do contrato, sem 
que com isso a empresa crie vínculo jurídico com o licitante, enquanto que 
na SUB-ROGAçãO, cessão ou transferência, o terceiro assume da contratada 
todos os direitos e deveres consignados no termo contratual original.
(...)
E mais, esta matéria foi objeto de profundo exame por esta Corte quando 
da Decisão 420/2002 Plenário, em cujo relatório o eminente Relator, 
Ministro-Substituto Augusto Sherman Cavalcanti, analisa e traz à colação 
trechos do Representante do Ministério Público junto ao TCU, exarados 
nos autos do TC-007.045/2001-2, sobre as diferenças entre os institutos 
mencionados, verbis:
\u201cQuanto à sub-rogação, transcrevo, do parecer do douto Parquet que tomo 
emprestado do TC 007.045/2001-2, recentemente julgado, passagem que, por 
tratar da questão em tese, pode ser perfeitamente aplicada a estes autos.
\u2018Analisando-se de uma forma ampla os institutos da subcontratação e da 
sub-rogação, no âmbito dos contratos administrativos, deve-se, antes de mais 
nada, esclarecer que o termo sub-rogação é termo emprestado do código civil 
(cf. artigos 985/990 [1916]) ao direito Administrativo, em nenhum momento 
dele se utilizando a Lei nº 8.666/1993 (Lei das Licitações).
Sendo assim, prestar-se-ia a definir genericamente situação contratual em 
que se verifique a substituição do objeto ou da pessoa do contrato, como 
no caso da cessão ou da transferência das obras, serviços e fornecimento a 
outrem. Cumpre observar que a principal característica de uma sub-rogação 
diz respeito à completa eliminação das responsabilidades contratuais e legais 
do contratado perante à Administração Pública.
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A maior importância do estudo ora procedido consiste portanto em identificar 
e avaliar os principais critérios subjacentes aos atos de transmissão de 
direitos, obrigações e responsabilidades da pessoa do contratado à pessoa 
do subcontratado, de forma a poder dizer da conformidade do caso concreto 
à legislação pertinente.
A nosso ver, a Lei nº 8.666/1993, em seus artigos 72 e 78, inciso VI, ao prever a 
possibilidade de subcontratação, reflete, entre outras coisas, preocupação do 
legislador em garantir a viabilidade de execução do contrato administrativo 
mesmo ante a eventuais circunstâncias que impeçam o contratado