MEDRESUMOS PATOLOGIA  Distúrbios hemodinâmicos
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MEDRESUMOS PATOLOGIA Distúrbios hemodinâmicos


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O edema pulmonar é um problema clínico comum visto mais tipicamente no cenário da insuficiência 
ventricular esquerda, mas também ocorre na insuficiência renal, síndrome da angústia respiratória aguda, 
infecções pulmonares e reações de hipersensibilidade. Os pulmões têm duas a três vezes o seu peso normal e 
seccionamento revela líquido espumoso, tingido de sangue, representando uma mistura de ar, líquido de 
edema e eritrócitos extravasados. Ocorre hipertensão pulmonar. 
 
 O edema cerebral pode ser localizado (devido ao abscesso ou neoplasma) ou pode ser generalizado, como na 
encefalite, crises hipertensivas ou obstrução do fluxo externo venoso do cérebro. O trauma pode resultar em 
edema local ou generalizado, dependendo da natureza ou extensão da lesão. Com o edema generalizado, o 
cérebro é excessivamente expandido, com sulcos estreitados e giros distendidos, mostrando sinais de 
achatamento contra o crânio inflexível. 
 
PRINCIPAIS SITUAÇÕES CLÍNICAS COM EDEMA LOCALIZADO 
 Edema de membro inferior bilateral: obstrução ou estenose da veia cava inferior por trombose ou pressão 
externa, por exemplo, gestação, tumor, ascite. 
 
 Edema de membro inferior unilateral: obstrução das principais veias de efluxo de um perna, por exemplo, 
trombose das veias femoral ou ilíaca; veias varicosas nas pernas com retorno venoso comprometido 
 
 Causas incomuns de edema localizado: destruição ou bloqueio dos linfonodos inguinais ou linfáticos, por 
exemplo, filaríase, excisão cirúrgica, linfonodos, radiação e tumor. 
 
MORFOLOGIA 
\u2022 Edema subcutâneo: mas evidente nos pés, tornozelos e parte inferior das pernas (edemas gravitacional). O 
edema generalizado (anasarca) é caracterizado por edema facial, sobretudo, periorbitário. 
Arlindo Ugulino Netto \u2013 PATOLOGIA \u2013 MEDICINA P4 \u2013 2009.1 
 
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\u2022 Edema de órgãos sólidos: discreto aumento no tamanho e no peso, separação dos elementos 
parenquimatosos e compressão da microcirculação. 
\u2022 Pulmões: pesados, subcreptantes e úmidos. Septos alargados e líquido pobre em proteínas nos espaços 
alveolares. 
 
 
HIPEREMIA E CONGESTÃO 
 Os dois termos significam aumento do volume sanguíneo no tecido ou na parte afetada. A hiperemia é um 
processo ativo resultante do fluxo interno tecidual aumentado devido à dilatação arteriolar, como no músculo 
esquelético durante o exercício ou em locais de inflamação. O tecido afetado é avermelhado pelo congestionamento 
dos vasos com sangue oxigenado. 
 A congestão (hiperemia passiva) é um processo passivo resultante do efluxo externo deficiente de um tecido. 
A parte afetada adquire uma coloração vermelho-azulada devido à desoxigenação dos eritrócitos represados (cianose). 
Pode ser localizada, como na obstrução venosa, ou sistêmica, como na insuficiência cardíaca. 
 Na insuficiência ventricular esquerda, os pulmões estão principalmente afetados; na insuficiência cardíaca 
direita, os órgãos sistêmicos são afetados, por exemplo, fígado, baço, com preservação dos pulmões. 
 A congestão e o edema, em geral, ocorrem juntos, de maneira primária visto que a congestão no leito capilar 
pode resultar em edema devido à transudação líquida aumentada. Na congestão de longa duração, denominada 
congestão passiva crônica, a estase do sangue pouco oxigenado também causa hipóxia crônica, que pode resultar em 
degeneração celular parenquimatosa ou morte, alguma vezes, com cicatrização microscópica. 
 
MORFOLOGIA 
 Em geral, a hiperemia e a congestão estão associados ao edema. Quando agudas, os vasos estão distendidos 
e os órgãos estão incomumente sanguinolentos. Quando crônicas, podem levar a atrofia hipóxica ou a morte das 
células parenquimatosas, ou a micro-hemorragias com deposição de Fe2+ e fibrose. 
 Os órgãos mais afetados são os pulmões, fígado e baço. Os pulmões sofrem por congestão e edema 
visualizados principalmente com insuficiência ventricular esquerda, como por exemplo, no infarto do miocárdio, 
miocardite, miocardiopatia; cardiopatia reumática com estenose mitral; válvula mitral insuficiente com regurgitação. Os 
capilares alveolares ficam ingurgitados e tortuosos; ocorre extravasamento de líquido proteináceo nos espaços áreos; 
com o decorrer do tempo, os septos edemaciados e impregnados com hemossiderina tornam-se fibrinóticos (induração 
parda dos pulmões). 
 O fígado sofre com a congestão aguda e crônica, com insuficiência cardíaca direita (cor pulmonale), raramente 
com obstrução da veia hepática ou da veia cava inferior. Quando agudas, o sangue apresenta-se vermelho-escuro, 
tenso, ligeiramente pesado, com perda de sangue das veias centrais quando seccionadas. Quando crônicas, o sangue 
apresenta-se vermelho-azulado, centro dos lóbulos congestionados com bordas de parênquima acastanhado, algumas 
vezes gorduroso. Se ocorrer rotura de sinusóides centrais, verifica-se necrose hemorrágica central. 
 O baço sofre congestões agudas com infecções hematogênicas. O baço, durante hiperemia aguda, apresenta-
se discretamente aumentado, cianótico; aos cortes, exsudação de sangue e colapso. Quando crônicas, ocorre 
esplenomegalia congestiva, fibrose perissinusoidal; a organização de micro-hemorragias leva à fibrose. 
 
 
HEMORRAGIA 
 A hemorragia indica, em geral, extravasamento de sangue devido à ruptura do vaso. Como descrito 
previamente, o sangramento capilar pode ocorrer sob condições de congestão crônica e uma tendência aumentada à 
hemorragia de lesão geralmente insignificante é vista numa grande variedade de disfunções coletivamente clínicas 
denominadas diáteses hemorrágicas. 
 Todavia, a ruptura de uma grande artéria ou veia é quase sempre devido à lesão vascular, incluindo trauma, 
aterosclerose, ou erosão inflamatória ou neoplásica da parede do vaso. 
 A hemorragia pode ser manifestada em uma variedade de padrões, dependendo do tamanho, da extensão e 
da localização do sangramento: 
\ufffd A hemorragia pode ser externa ou interna (confinada dentro de um tecido). O acúmulo de sangue dentro do 
tecido é chamado hematoma. 
\ufffd As diminutas hemorragias de 1mm a 2mm na pele, mucosas ou superfícies séricas são denominadas 
petéquias (com formato punctiforme) e são associadas tipicamente a pressão intravascular localmente 
elevada, baixa contagem de plaquetas (trombocitopenia), função plaquetária defeituosa (como na uremia) ou 
déficits no fator de coagulação. 
\ufffd As hemorragias levemente maiores de 3mm são denominadas púrpuras e podem ocorrer de forma secundária 
ao trauma, inflamação vascular ou fragilidade vascular aumentada. 
\ufffd Hemorragias subcutâneas maiores que 1cm ou 2cm são denominadas equimoses e são caracteristicamente 
vistas após trauma, porém podem ser exacerbadas por quaisquer das condições previamente mencionadas. 
Arlindo Ugulino Netto \u2013 PATOLOGIA \u2013 MEDICINA P4 \u2013 2009.1 
 
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Os eritrócitos nessas hemorragias locais são degradados e fagocitados pelos macrófagos; a hemoglobina (cor 
vermelho-azulada) é então enzimaticamente convertida em bilirrubina (cor azul-esverdiada), causando as 
mudanças de características na cor de um hematoma. 
\ufffd Os grandes acúmulos de sangue em uma ou outra cavidade corporal são denominados hemotórax, 
hemopericárdio, hemoperitôneo ou hemartrose. 
 
OBS1: Melena e hematêmese são consideradas tipos de hemorragias externas partindo do pressuposto que a luz do 
trato gastrointestinal é tido como parte do meio externo. 
 
 A rápida perda de até 20% do volume de sangue ou perdas lentas de até grande quantidades pode ter pouco 
impacto em adultos sadios; perdas maiores, entretanto, podem resultar em choque hemorrágico (hipovolêmico). O local 
da hemorragia também é importante: o sangramento que seria trivial em tecidos subcutâneos pode causar morte de 
localizado no cérebro. Finalmente, a perda de ferro e uma anemia subsequente pela deficiência do ferro tornam-se um 
consideração na perda sanguínea externa crônica ou recorrente (Ex: úlcera