MEDRESUMOS PATOLOGIA  Distúrbios hemodinâmicos
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MEDRESUMOS PATOLOGIA Distúrbios hemodinâmicos


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o fluxo vascular, ou podem ser incorporados na 
parede vascular espessada, formando uma cicatriz com pequenos novos vasos. 
 
SIGNIFICADO CLÍNICO 
 Os trombos arteriais podem obstruir vasos críticos, por exemplo, coronário, cerebral. Aqueles localizados nas 
câmaras cárdicas podem embolizar para a perna, rins e baço. No lado arterial, os trombos tendem a cinza-
avermelhados e podem atingir os seguintes locais: ventrículo esquerdo sobre infarto do miocárdio, apêndices 
auriculares; aorta sobre ateromas ulcerados e fissurados; artérias ateroscleróticas; sacos aneurismáticos; etc. 
 Os trombos venosos nas veias profundas das pernas são problemas comuns. Em geral são silenciosos, podem 
embolizar para os pulmões (causando tromboembolismo pulmonar) e tendem a ocorrer em certos quadros clínicos: 
idade avançada; repouso ao leito e imobilização (associada a estase vascular); cardiopatias (infarto do miocárdio, 
estenose mitral reumática, insuficiência cardíaca congestiva, lesão vascular ou anomalia cardíaca congênita); lesão 
tecidual (fraturas, queimaduras, trabalho de parto); câncer visceral disseminado; final de gestação ou período pós-
parto; uso de anticoncepcionais orais (estrogênio em altas doses). 
 
OBS³: A coagulação intravascular disseminada (CID) é um início rápido e insidioso de trombos de fibrina 
disseminada na microcirculação. É mais comum em mulheres pós-parto, mas o sistema de ativação pode ser 
disseminadamente ativado por meio de células cancerígenas ou venenos de cobras. Com o desenvolvimento de 
trombos múltiplos, há um consumo concomitante de plaquetas e proteínas coagulantes (daí, o sinônimo coagulopatia 
de consumo); ao mesmo tempo, os mecanismos fibrinogênicos são ativados e como resultado uma disfunção 
inicialmente trombótica pode desenvolver-se numa disfunção grave de hemorragias por falta de fatores de coagulação. 
Deve ser enfatizado que a CID não é uma doença primária, mas sem dúvida uma complicação potencial de qualquer 
condição associada com ativação disseminada de trombina. 
 
 
EMBOLIA 
 Representa uma massa intravascular sólida, líquida ou gasosa transportada pelo sangue até um local distante 
de sua origem. Mais de 98% têm como origem trombos (tromboembolia). Entre os outros tipos possíveis, os mais 
comuns são fragmentos de placas ateromatosas (ateroêmbolos) e embolia gordurosa. 
 Os êmbolos que surgem nas veias impactam nos pulmões e podem causar tromboembolismo pulmonar, 
cuja principal complicação é a embolia pulmonar. Os êmbolos que surgem no lado arterial da circulação, mais amiúde 
nos trombos intracardíacos, costumam impactar para as pernas, cérebro e vísceras e, em geral, causam infartos. 
\u2022 Tromboembolismo pulmonar: os êmbolos venosos originam-se de trombos venosos profundos da coxa, e 
são, em geral, carregados através de canais progressivamente maiores, passando para o lado direito do 
coração e, daí, para a vasculatura pulmonar. Dependendo do tamanho do embolo, ele pode ocluir a principal 
artéria pulmonar, impactar-se através da bifurcação ou distribuir-se nas arteríolas menores ramificadas. A 
morte súbita, insuficiência cardíaca direita (cor pulmonale) ou colapso cardiovascular ocorre quando 60% ou 
mais da circulação pulmonar é obstruída com êmbolos. 
\u2022 Tromboembolismo sistêmico: refere-se aos êmbolos que viajam dentro da circulação arterial. A maioria 
surge de trombos murais intracardíacos, dois terços dos quais estão associados a infartos da parede 
Arlindo Ugulino Netto \u2013 PATOLOGIA \u2013 MEDICINA P4 \u2013 2009.1 
 
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ventricular esquerda e outro quatro com átrios esquerdos dilatados e fibrilantes. Ao contrário dos êmbolos 
venosos que tendem a alojar-se principalmente num leito vascular (o pulmão), os êmbolos arteriais podem 
viajar para uma ampla variedade de locais. 
\u2022 Embolia gordurosa: glóbulos microscópicos podem ser encontrados na circulação após fraturas de ossos 
longos (que tem medula óssea amarela) ou, raramente, no cenário do trauma de tecido mole e queimaduras. 
Placas ateromatosas podem ainda formar êmbolos migratórios. A síndrome embólica gordurosa é 
caracterizada por insuficiência pulmonar, sintomas neurológicos, anemia e trombocitopenia. Os pacientes 
apresentam sintomas que se originam 3 dias após a lesão: taquipnéia, dispnéia e taquicardia; podem 
apresentar ainda trombocitopenia devido à adesão plaquetária a miríades de glóbulos gordurosos, sendo 
removidos da circulação; a anemia pode resultar como consequência da agregação plaquetária. 
\u2022 Embolia gasosa: as bolhas gasosas dentro da circulação podem obstruir o fluxo vascular quase tão 
prontamente como as massas trombóticas. As bolhas (geralmente de Nitrogênio ou gás Hélio) agem como 
obstruções físicas e podem coalescer-se para formar massas espumosas suficientemente grandes para ocluir 
os grandes vasos. Uma forma particular de embolia gasosa, denominada doença de descompressão, ocorre 
quando os indivíduos são expostos a mudanças bruscas na pressão atmosférica. Os mergulhadores e os 
praticantes de pesca submarina, os trabalhadores de construções subaquáticas e indivíduos em aeronaves 
despressurizadas em rápida ascensão estão todos sob risco. 
\u2022 Embolia do líquido amniótico: é uma complicação grave e incomum. O início é caracterizado por dispnéia 
abrupta grave, cianose e choque hipotensivo, seguido de convulsões e coma. A causa de base é a infusão de 
líquido amniótico ou tecido fetal na circulação materna via um rasgo nas membranas placentárias ou ruptura 
das veias uterinas. 
 
 
INFARTO 
 Um infarto é uma área de necrose isquêmica causada pela oclusão do suprimento arterial ou da drenagem 
venosa num tecido particular. Raramente é causado por obstrução da drenagem venosa, em geral em órgão sem 
canais de desvio, como por exemplo, ovários e testículos. 
 As obstruções vasculares apresentam as seguintes características: 
\ufffd Na maioria dos casos têm origem trombótica ou embólica; 
\ufffd Raramente são provocados por tumores expansíveis, espasmo, aprisionamento de uma víscera em um saco 
herniário, torção de uma víscera móvel, compressão das veias de paredes delgadas, etc. 
 
Nem todas as oclusões vasculares levam a infarto. Os fatores que modificam o resultado incluem: 
\ufffd Estado geral do sangue e do sistema cardiovascular (anemia e ICC aumentam a probabilidade); 
\ufffd Padrão anatômico do suprimento vascular (Ex: o polígono de Willis diminui a probabilidade de infartos) 
\ufffd Velocidade do desenvolvimento de oclusão; 
\ufffd Vulnerabilidade do tecido à isquemia: os neurônios e as células miocárdicas e epiteliais dos túbulos 
proximais dos rins são especialmente sensíveis à isquemia (hipóxia). 
 
 Os infartos são classificados como hemorrágicos ou anêmicos, e também sépticos ou moles. 
\ufffd Os infartos hemorrágicos ocorrem com oclusão venosa e nos tecidos que são frouxos ou que apresentam 
circulação dupla ou anastomótica. 
\ufffd Os infartos brancos ou pálidos ocorrem nos órgãos sólidos com artérias terminais. 
 
 
CHOQUE 
 O choque (colapso vascular) consiste em um sério distúrbio hemodinâmico e metabólico devido a uma 
hipoperfusão disseminada das células e tecidos devido ao volume sanguíneo circulante inadequado. Este fato gera 
uma incapacidade do sistema circulatório de manter aporte sanguíneo adequado a microcirculação devido à diminuição 
da perfusão de nutrientes aos órgãos vitais, depuração inadequada de metabólitos e um desvio hipóxico proveniente 
do metabolismo aeróbico para anaeróbico, às vezes resultando em acidose láctica. 
 As causas do choque estão relacionadas a uma queda do volume sanguíneo circulante efetivo por conta de 
uma propulsão cardiopulmonar inadequada (problemas em nível do pulmão e coração) ou uma grande vasodilatação 
periférica (o que pode fazer com que os órgãos não sejam bem perfundidos). 
 O choque pode ser agrupado em cinco grandes categorias: choque cardiogênico, hipovolêmico, anafilático, 
neurogênico e séptico.