MEDRESUMOS PATOLOGIA  Lesão e morte celular
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MEDRESUMOS PATOLOGIA Lesão e morte celular


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mielina) derivadas das membranas danificadas das organelas e da membrana plasmática aparecem inicialmente 
durante o estágio reversível e se tornam mais pronunciadas nas células que sofreram dano irreversível. 
 Vale salientar também que, entre essas lesões irreversíveis, podemos destacar três lesões que acometem o 
núcleo celular, o que de forma indireta, interfere na maquinaria biológica da célula. São as seguintes: 
\u2022 Picnose celular: condensação generalizada do núcleo, o qual passa a apresentar um aspecto puntiforme. 
Além do encolhimento do núcleo, percebe-se um aumento da basofilia da cromatina. 
\u2022 Cariorréxis: fragmentação do núcleo e do material genético por ele abrigado. 
\u2022 Cariólise: dissolução do material genético, fazendo com que o núcleo apresente um aspecto pálido. É 
caracterizada por uma diminuição da basofilia da cromatina, alteração que possivelmente reflete a atividade da 
DNAse. 
 
 
 
Arlindo Ugulino Netto \u2013 PATOLOGIA \u2013 MEDICINA P4 \u2013 2009.1 
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MORTE CELULAR 
 Células que sofreram lesões irreversíveis invariavelmente sofrem alterações morfológicas que são 
reconhecidas como morte celular. Existem dois tipos de morte celular, a necrose e a apoptose, que diferem quanto a 
sua morfologia, mecanismos e papéis que desempenham nas doenças e fisiologia. Enquanto que a necrose é sempre 
um processo patológico, a apoptose ocorre em várias funções normais e não está necessariamente associada à lesão 
celular. Cabe ainda diferenciar a autólise das demais modalidades de morte celular. 
\u2022 Necrose: ocorre quando o dano às membranas é muito severo, de modo que as enzimas lipossômicas entram 
no citoplasma e digerem a célula e os componentes celulares extravasam. Admite-se que um tecido seja 
classificado como necrosado quando este representa apenas uma área restrita que se encontra circundando 
por tecido vivo, ou seja, um tecido necrosado se restringe a apenas uma área de necrose contida em um 
organismo vivo. É caracterizada ainda por causar inflamação no tecido circunjacente. Ex: o infarto do 
miocárdio gera uma área restrita de tecido morto no contexto de um organismo vivo. A necrose é sempre 
causada por um fator externo e patológico, como uma isquemia, por exemplo. 
\u2022 Apoptose: ocorre quando os estímulos nocivos danificam o DNA, o qual induz a dissolução nuclear sem perda 
total da integridade das membranas. A apoptose é, portanto, a via de morte celular que é induzida por um 
programa intracelular altamente regulado, no qual as células destinadas a morrer ativam enzimas que 
degradam seu DNA nuclear e as proteínas citoplasmáticas. A apoptose, diferentemente da necrose, é causada 
por fatores internos, caracterizados por uma auto-programação de destruição celular. As enzimas envolvidas 
com a apoptose são as chamadas caspases. Diferentemente da necrose, não causa inflamação. 
\u2022 Autólise: destruição da massa celular que ocorre post-mortem. 
 
NECROSE 
 Depois de instalada a isquemia e a carência de ATP, e depois que a célula tenha sofrido qualquer mecanismo 
de lesão irreversível, o tecido entra em necrose. A massa de células em necrose pode apresentar diversos padrões 
morfológicos: 
\u2022 Necrose coagulativa: acontece principalmente nos órgãos parenquimatosos (sólidos). Implica a preservação 
do contorno básico da célula por pelo menos alguns dias. Os tecidos afetados apresentam uma textura firme, 
de modo que as células que o compõem apresentem uma delimitação visível, uma vez que suas proteínas 
estruturais não sofreram ação de hidrolases. Presumivelmente, a lesão ou o aumento subsequente da acidose 
intracelular desnatura não somente as proteínas estruturais mas também as enzimas, bloqueando, assim, a 
proteólise celular. Ex: no infarto agudo do miocárdio, as células acidófilas, coaguladas, sem núcleo podem 
persistir por semanas. Finalmente, as células do miocárdio necrosadas são removidas por fragmentação e 
fagocitose dos restos celulares por leucócitos removedores e pela ação de enzimas lisossômicas proteolíticas 
trazidas pelos leucócitos que migram para a região. Este tipo de necrose é característica geral dos tecidos 
quando submetidos a morte por hipóxia, exceto as células que compõem o tecido nervoso. 
\u2022 Necrose liquefativa: neste tipo de necrose, independente da patogenia, a liquefação digere completamente as 
células mortas. O resultado final é a transformação do tecido em uma massa viscosa de odor e cor 
característica. Se o processo for iniciado por uma inflamação aguda, o material geralmente é um amarelo 
cremoso devido a presença de leucócitos mortos, sendo chamado de pus. Ex: é comum este tipo de necrose 
em certas infecções bacterianas focais ou fúngicas; por razões desconhecidas, a morte das células nervosas 
leva a este tipo de necrose. Abcessos cheios de secreção purulenta é exemplo de necrose liquefativa. 
\u2022 Necrose caseosa: do latim, caseus = queijo. É uma forma distinta de necrose coagulativa, encontrada mais 
frequentemente em focos de tuberculose. O termo caseosa é derivado da aparência macroscópica semelhante 
a queijo branco da área de necrose. Ao contrário da necrose de coagulação, a arquitetura está completamente 
destruída. 
\u2022 Esteatonecrose (necrose gordurosa): descreve áreas de destruição de gordura que ocorre tipicamente como 
resultado da liberação de lípases pancreáticas ativadas no parênquima pancreático e na cavidade peritoneal 
(como o que ocorre na pancreatite aguda). Este extravasamento faz com que enzimas pancreáticas ativadas 
quebrem as membranas dos adipócitos e os ésteres de triglicerídios contidos nestas células. Os ácidos graxos 
liberados se combinam com o cálcio e produzem áreas brancas visíveis (saponificação) que permitem que o 
cirurgião e o patologista identifiquem as lesões (por eles chamados de lesões em pingo de vela). 
\u2022 Necrose gangrenosa: é causada por uma isquemia periférica e acomete, na maioria das vezes, os membros 
(como na diabetes; aterosclerose; Síndrome de Furnier, que é a gangrena perineal). A gangrena apresenta um 
odor forte e característico pois na região necrosada se desenvolvem bactérias Clostridium perfringens. Existem 
dois tipos de gangrena: a gangrena úmida (ocorre quando a necrose de coagulação é modificada pela ação 
de liquefação das bactérias e os leucócitos que são atraídos para a região) e a gangrena seca (ocorre quando 
predominam os fenômenos coagulativos).