MEDRESUMOS PATOLOGIA  Doenças Infecciosas
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MEDRESUMOS PATOLOGIA Doenças Infecciosas


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a condições externas adversas (sobrevivendo em temperaturas relativamente altas, 
como a 60oC por 30min). A transmissão se dá por via oral-fecal, uma vez que o vírus não se encontra nas secreções 
naturais do corpo, sendo mais freqüente em crianças e adolescentes. É transmitido, por exemplo, por meio de 
alimentos contaminados ou água (do mar ou de piscinas, por exemplo). O período de incubação dura cerca de um mês 
(2 a 4 semanas). No intestino infecta os enterócitos da mucosa onde se multiplica. Daí dissemina-se pelo sangue, e 
depois infecta principalmente as células para as quais mostra a preferência, os hepatócitos do fígado (causando 
icterícia). Este tropismo é devido à abundância nessas células dos receptores membranares a que o vírus se liga 
durante a invasão. Os vírions produzidos são secretados nos canais biliares e daí migra para o duodeno, sendo 
expelidos nas fezes. Os sintomas são tantos devidos aos danos do vírus como à reação destrutiva para as células 
infectadas pelo sistema imunitário. No sangue, ocorre a produção de IgM e IgG anti-HAV, garantindo uma imunidade 
permanente ao indivíduo. 
 Mais da metade dos doentes poderão ser assimtomáticos, particularmente crianças. Surgem geralmente de 
forma abrupta febre, dor abdominal, náuseas, alguma diarréia que se mantém durante cerca de um mês. Mais de 
metade dos doentes desenvolve icterícia. Em 99,9% dos casos segue-se a recuperação e cura sem problemas. Em 
0,1% dos casos, o HVA pode gerar uma hepatite fulminante por insuficiência hepática aguda, diferentemente da 
hepatite B e C, que geram quadros mais complexos. A hepatite A, por se tratar de uma doença benigna, não provoca, 
portanto, uma fase crônica, sem cursar para uma fase de portador, cirrose ou hepatocarcinoma (cancro do fígado). 
 
VÍRUS DA HEPATITE B 
 O vírus da hepatite B (HBV), o agente etiológico da \u201chepatite sérica\u201d, é uma causa significante de doença 
hepática aguda e crônica em todo o mundo. É uma doença infecciosa frequentemente crónica causada pelo vírus da 
Hepatite B (HBV \ufffd Família: Hepadnaviridae; Gênero: Orthohepadnavirus), um vírus de DNA, mais complexo, com um 
período de incubação que pode chegar a 6 meses. A transmissão pode se dar por via parenteral (agulhas infectadas e 
transfusão sanguíena), perinatal (transmissão vertical, que geralmente forma portadores assintomáticos) e sexual. 
Diferentemente do HAV, está presente nas secreções corpóreas. 
 A hepatite B apresenta uma fase aguda (de forma fulminante em 1% dos casos) mas que pode regridir; e pode 
progredir ainda para uma fase crônica (em uma pequena porcentagem), com cirrose hepática ou hepatocarcinoma. 
 O vírus da hepatite D é um vírus defeituoso (não tem a capacidade de formar cápsulas e antígenos de 
superfície) que só ataca células já infectadas pelo HBV piorando o prognóstico dos doentes com hepatite B crônica. 
Isso acontece porque o HDV necessita de um antígeno de superfície gerado por infecções do HBV. Quando os dois 
vírus são contraídos simultaneamente por um mesmo indivíduo, desenvolve-se coinfecção, sendo um pouco mais 
grave. A superinfecção acontece naqueles casos em que a criança, portadora assintomática do vírus B, contraiu o vírus 
D, passando a apresentar um prognóstico mais reservado e mais grave que a coinfecção. A hepatite B pode, portanto, 
se manifestar clinicamente das seguintes maneiras: 
Arlindo Ugulino Netto \u2013 PATOLOGIA \u2013 MEDICINA P4 \u2013 2009.1 
 
5 
 
\ufffd Infecção assintomática; 
\ufffd Infecção aguda que pode regredir totalmente; 
\ufffd Raramente, desenvolver uma hepatite aguda fulminante; 
\ufffd Estado de portador assintomático (geralmente, acontece quando a via de transmissão foi vertical); 
\ufffd Hepatite crônica sem evolução; 
\ufffd Hepatite crônica com evolução para cirrose ou para hepatocarcinoma; 
\ufffd Desenvolvimento da hepatite D. 
 
VÍRUS DA HEPATITE C 
 A hepatite C é uma doença viral do fígado causada pelo vírus da hepatite C (HCV \ufffd Família: Flaviviridae; 
Gênero: Hepacivirus). A hepatite C pode ser considerada a mais temida e perigosa de todas as hepatites virais, devido 
à inexistência de vacina e limitações do tratamento, e a sua alta tendência para a cronicidade que complica 
eventualmente em cirrose hepática mortal. É uma das causas mais frequêntes de cirrose hepática de etiologia 
desconhecida. O vírus da hepatite C é um RNA-vírus flavivirus, um dos poucos dessa família (que inclui os vírus da 
dengue, febre amarela e Nilo ocidental) que não é transmitido por artrópodes. A transmissão deste vírus é feita por via 
parentérica (por transfusão sanguínea). Ele é capaz de sobreviver em temperaturas de 100oC por 2 minutos. 
 Em 85% dos casos, incluindo quase todas as crianças, a 
hepatite inicial pode ser assintomática ou leve. O sistema imunitário 
não responde eficazmente ao vírus, e o resultado é cronicidade em 
80% dos casos. Destes, 40% progridem rapidamente para cirrose e 
morte; 25% progridem lentamente com cirrose e morte ao fim de 10 
anos; e outros 35% após 20 anos. O cancro do fígado surge em mais 
5% após 30 anos. Os restantes tornam-se portadores a longo prazo, 
infecciosos. A incidência de hepatite C pôde ser reduzida pelo 
rastreamento adequado de doadores de sangue nas últimas décadas. 
Hoje, apenas 5% dos novos casos são adquiridos dessa forma. A 
melhor forma de prevenção reside no combate ao uso de drogas 
endovenosas. Há evidências de que o tratamento da hepatite C reduz 
o risco de surgimento do hepatocarcinoma. 
 
PAPILOMAVÍRUS HUMANO (HPV) 
 Os vírus do papiloma humano (HPV) são vírus de DNA não-envelopados membros da família papovavírus. 
Alguns HPV causam papilomas (verrugas), tumores benignos de células escamosas sobre a pele, enquanto outros 
tipos de HPV estão associados a verrugas que podem evoluir para malignidades, particularmente, carcinoma de 
células escamosas do cérvix. Em resumo, os subtipos HPV1, HPV2 e HPV4 produzem verrugas vulgares; 
determinados subtipos produzem condilomas aculminados genitais e perineais. 
Estes grupos de lesões elementares da pele produzidas pelo HPV são 
genericamente chamadas de papilomas, neoplasias benignas. 
 Os subtipos HPV16, HPV18 e HPV31 apresentam uma capacidade 
carcinogênica elevada, com a tendência de desenvolver câncer de colo do 
útero, de penis e de vagina. 
 Em cortes histológicos, as mucosas acometidas por HPV apresentam 
células claras características com núcleos enrrugados semelhantes à uva-
passa, sendo encontradas, geralmente, binucleações. Estas lesões consistem 
de alterações citoarquiteturais compatíveis com lesão HPV induzida. Nas 
camadas espinhosas superiores do epitélio, o HPV leva a uma vacuolização 
perinuclear característica nas células epiteliais (coilocitose) formando o próprio 
halo claro em torno do núcleo enrugado. 
 
VÍRUS INFLUENZA E PARA-INFLUENZA 
 São vírus que acometem o trato respiratório. O vírus influenza é o agente etiológico da gripe, enquanto que o 
para-influenza causa a laringotraqueobronquite. Esta afecção é caracterizada por um edema na traquéia que causa 
uma estenose na mesma, fazendo com que a tosse da criança se assemelhe a um latido, daí a denominaçãode crup 
para esta patologia. 
 O vírus influenza é, portanto, o causador da gripe. A sintomatologia clássica da doença engloba febre, dores 
musculares, tosse, dor de cabeça, irritação na garganta e secreções nasais. Os vírus se multiplicam no epitélio ciliado 
das vias respiratórias superiores e inferiores, causando necrose celular e irritação. 
 
OBS1: O Haemophilus influenzaa é uma bactéria resistente a penicilina casadora de meningite em crianças. 
 
Arlindo Ugulino Netto \u2013 PATOLOGIA \u2013 MEDICINA P4 \u2013 2009.1 
 
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VÍRUS EPSTEIN-BARR 
 O EBV causa mononucleose infecciosa, uma disfunção linfoproliferativa autolimitada, benigna, associada ao 
desenvolvimento de leucopatia pilosa e um número de neoplasma, especialmente a maioria de certos linfomas e 
carcinomas nasofaríngeo. 
 O EBV