MEDRESUMOS PATOLOGIA  Pigmentação patológica
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MEDRESUMOS PATOLOGIA Pigmentação patológica


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Arlindo Ugulino Netto \u2013 PATOLOGIA \u2013 MEDICINA P4 \u2013 2009.1 
 
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FAMENE 
NETTO, Arlindo Ugulino. 
PATOLOGIA 
 
 PIGMENTOS E PIGMENTAÇÃO PATOLÓGICA 
(Profº Raimundo Sales) 
 
 
 Pigmentos são substâncias que têm cor própria. No organismo humano há três classes de pigmentos: 
melanina, hemoglobina e derivados, lipocromos. Estes são considerados pigmentos endógenos, pois são produzidos 
através da atividade metabólica das próprias células do organismo, ao contrário dos pigmentos exógenos que 
alcançam o interior do organismo por via respiratória, digestiva ou quando inoculados através da pele, vindos já pré-
formados do meio exterior. 
 A não ser pelo fato de serem dotados de cor, estes pigmentos e seus distúrbios metabólicos quase nada tem 
de comum entre si e são estudados em conjunto na patologia geral por motivos meramente didáticos. 
 
OBS1: A grande variação de cores que se observa nos animais a nas plantas nem sempre depende da presença de 
pigmentos, isto é, de substâncias com cor própria. Muitas vezes, as cores são produzidas por difusão, reflexão e 
refração da luz. Os olhos azuis, por exemplo, não possuem nenhum corante azul; eles são a consequência da reflexão 
da luz nos humores do olho contra o fundo negro da retina. Aliás, é por um mecanismo semelhante que o céu é azul. 
 
 Os pigmentos orgânicos podem ser endógenos (melanina, hemoglobina e derivados, lipocromos) e exógenos 
(antracose, siderose, pigmentação medicamentosa, chumbo e tatuagens). 
 
MELANINA 
 A coloração normal da pele, dos pêlos e do olho é devida fundamentalmente à melanina, que é um pigmento 
acastanhado que aparece em negro quando mais concentrado. Contribuem, no entanto, para a coloração da pele: 
pigmentos exógenos amarelos, que são os carotenóides e também o tom vermelho dado pela hemoglobina oxigenada 
nos capilares e a coloração azulada da hemoglobina reduzida nas vênulas da derme. 
 A coloração da pele humana é relacionada ao número, tamanho, tipo e distribuição de partículas 
citoplasmáticas pigmentadas, denominadas melanossomas, que contêm um biocromo marrom, a melanina. Estas 
organelas especializadas são o produto de glândulas unicelulares exócrinas, os melanócitos, que repousam na 
membrana basal e projetam seus dendritos dentro da epiderme. 
Os melanócitos são células secretoras de melanina presentes na camada basal da epiderme, juntos aos 
queratinócitos. São células neuroectodérmicas, derivadas da crista neural. A diferença entre a pele do negro e do 
caucasiano não está no número de melanócitos \u2013 que, aliás, é praticamente igual \u2013 mas sim, na ativação e capacidade 
destas glândulas em produzir melanina, que é maior nos negros. Na derme superficial ou profunda, frequentemente 
identificam-se macrófagos contendo pigmento melânico no citoplasma \u2013 os melanóforos ou melanófagos. 
 A pigmentação da pele humana é dividida em dois componentes: 
\u2022 Cor natural: cor básica da pele, que é a quantidade de pigmento melânico que surge de acordo com programas 
genéticos, sem ação da radiação solar. 
\u2022 Cor induzida: é a coloração que inclui a pigmentação melânica não permanente, que surge após uma 
exposição direta à radiação ultravioleta, a qual lesa células dessas regiões, que passam a produzir melanina 
para suprir e recobrir tal lesão e proteger esta epiderme. 
 
A coloração da pele deriva de processo complexo que vai desde moléculas que são relevantes à síntese 
melânica até a pele como um sistema totalmente integrado. Os principais eventos incluem: 
\ufffd Migração dos melanoblastos da crista neural e sua diferenciação até a formação de malanócitos 
epidérmicos; 
\ufffd Formação de proteínas estruturais e de uma enzima, a tirosinase e sua posterior localização nos 
melanossomas dentro dos melanócitos; 
\ufffd Quando o melanócito é ativado (como por radiação solar), a tirosinase dá início à melanização dos 
melanossomas. A melanina se forma através dos seguintes passos a partir do aminoácido tirosina: 
TIROSINA \ufffd DOPA \ufffd L-alanina \ufffd DOPAQUINONA \ufffd LEUCODOPACROMO \ufffd DOPACROMO \ufffd 
5,6 DIIDROXIINDOL \ufffd MELANINA 
\ufffd Ocorre movimento dos melanossomos para os processos dendríticos do melanócito; 
\ufffd Transferência e incorporação dos melanossomas nos queratinócitos, que se faz por mecanismos ainda 
discutidos, isolados ou agregados. 
\ufffd Degradação de melanossomas dentro dos queratinócitos, que se faz através de lisossomas nestas 
células. Os próprios melanócitos são capazes, de maneira similar, de degradar melanossomos. 
Arlindo Ugulino Netto \u2013 PATOLOGIA \u2013 MEDICINA P4 \u2013 2009.1 
 
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OBS²: As sardas são acúmulos isolados de excessos de melanina. 
OBS³: É importante tomar nota que nem todos os pigmentos particulados de coloração marrom ou negra em nosso 
organismo devem ser considerados como melanina. Pigmentação com estas características, e designada como 
neuromelanina, está presente em neurônios do sistema nervoso central (como na substância negra e locus caeruleus), 
nas células da medula adrenal e em outros componentes do sistema cromafin e também nas próprias células que 
compreendem o sistema melânico. Os melanócitos também são encontrados nas leptomeninges e no olho (úvea e 
retina) e caracteristicamente estas células conservam o pigmento durante toda a sua existência. 
 
 A melanina da pele tem a função fundamental de proteção: protege a pele da ação lesiva dos raios solares, os 
quais, ao causar lesões na pele, induzem a produção de melanina para cobrir a área afetada. Além da influência dos 
raios ultra-violetas, os melanócitos recebem também influência hormonal e, evidentemente, genética. Este controle no 
homem se dá pela hipófise anterior, que secreta o hormônio estimulante de melanócitos. Este hormônio é muito 
semelhante, senão igual, à parte da molécula do ACTH e parece que é produzido juntamente e pelas mesmas células 
que produzem o ACTH. Por este motivo, tanto o ACTH quanto o hormônio estimulante de melanócitos sofrem uma 
ação repressora por parte dos hormônios corticais da supra-renal. Quando um processo patológico causa a destruição 
das supra-renais, aumenta a produção do hormônio estimulador de melanócitos e ocorre um progressivo 
escurecimento da pele, especialmente das partes expostas ao sol. Estas alterações caracterizam a doença de 
Addison, em que insuficiência da glândula supra-renal crônica ocorre por destruição das supra-renais seguida de 
hiperpigmentação. 
 
DISTÚRBIOS DO METABOLISMO DO PIGMENTO MELÂNICO 
 Os distúrbios que envolvem o metabolismo da melanina podem ser classificadas em dois grandes grupos: 
quando ocorre formação excessiva e quando ocorre ausência ou formação deficiente da melanina. Ambas as 
classificações podem ser subdivididas em focais ou generalizadas. 
 
\u2022 Formação excessiva (hipercrômicas): 
o Sardas (focal): trata-se de o acúmulo de melanina que gera manchas que aparecem na pele clara após 
exposição aos raios solares, em que o excesso de pigmento produzido fica em parte retido, 
especialmente em células epiteliais e macrófagos. 
o Nevus melanocítico (focal): significa sinal benigno, comum em qualquer raça. Caracteriza-se pelo 
aglomerado de células melanocíticas (células névicas) neoplásicas, formando um pequeno nódulo. O 
nevus melanocítico pode ser intradérmico, juncional e composto. 
o Lentigo simples (focal): acontece uma hiperplasia de melanócitos, produzindo uma camada linear basal 
hiperpigmentada; é um quadro benigno que pode aparecer em qualquer idade, principalmente na 
infância. Na neurofibromatose e na síndrome de Albright, há o aparecimento de manchas \u201ccafé com 
leite\u201d em várias partes do corpo. Na neurofibromatose, uma condição em que aparecem múltiplas 
neoplasias derivadas dos nervos periféricos, as áreas hiperpigmentadas lembram a relação entre 
nervos e melanócitos. Na síndrome de Albright, há lesões ósseas que configuram uma displasia junto 
a vários distúrbios endócrinos. Na síndrome