MEDRESUMOS PATOLOGIA Inflamação aguda
8 pág.

MEDRESUMOS PATOLOGIA Inflamação aguda


DisciplinaPatologia I15.203 materiais68.243 seguidores
Pré-visualização5 páginas
(exsudato) para o tecido extravascular, é uma 
característica fundamental da inflamação aguda. A vasodilatação (que aumenta o espaço entre as células 
endoteliais) e a perda de proteínas do plasma (reduzindo a pressão osmótica no fluido intravascular e 
aumentando no fluido intersticial) são dois fatores que acarretam no extravasamento acentuado de fluido dos 
vasos, levando ao seu acúmulo no interstício, caracterizando o edema. 
\u2022 Exsudação leucocitária: são os eventos celulares que compõem a inflamação aguda. Os leucócitos são as 
células da linhagem branca sanguíena, ou seja: linfócitos, monócitos (que em nível intersticial, passa a ser 
chamado de macrófago), polimorfonucleares (neutrófilos, acidófilos e basófilos). A primeira célula a se envolver 
no processo inflamatório agudo é o polimorfonuclear neutrófilo. Os eventos celulares serão detalhados logo a 
seguir. 
 
OBS²: Modelo de Starling. Sabe-se que o sangue que chega na microcirculação pelo lado arterial (arteríolas) 
apresenta cerca de 32 mmHg em pressão oncótica, sendo maior que a pressão hidrostática do fluido intersticial. Neste 
Arlindo Ugulino Netto \u2013 PATOLOGIA \u2013 MEDICINA P4 \u2013 2009.1 
3 
 
momento, a tendência do líquido vascular é de sair do vaso. Já na região venosa da microcirculação (vênulas), como a 
pressão oncótica é muito menor que a pressão hidrostática, a tendência do líquido é voltar à luz do vaso. O restante 
que não retornou, é drenado pela circulação linfática. 
 
EVENTOS CELULARES (EXTRAVASAMENTO DE LEUCÓCITOS E FAGOCITOSE) 
 Uma das funções mais essenciais da inflamação é o 
encaminhamento de leucócitos à área lesada e a ativação que 
desempenham suas funções normais de defesa do hospedeiro. 
A sequência de eventos na jornada dos leucócitos do lúmen 
vascular para o tecido intersticial (extravasamento ou 
exsudação leucocitária: mecanismo pelo qual os 
polimorfonucleares deixam o capilar para atingir o foco 
inflamatório), pode ser dividida nas seguintes etapas: 
1. No lúmen, por meio da emissão de moléculas 
sinalizadoras pelas células endoteliais, os 
polimorfonucleares passam pelas seguintes etapas: 
marginação, rolamento (processo induzido pelas 
selectinas, que garantem uma maior eficácia neste 
processo) e adesão ao endotélio (mediado pelas 
integrinas). Vale salientar que o endotélio vascular 
normalmente não prende as células circulantes nem 
impede sua passagem. Porém, na inflamação, o 
endotélio precisa ser ativado para permitir que ele se 
ligue aos leucócitos, sendo este o passo inicial para que 
depois eles saiam dos vasos; 
2. Trasmigração (diapedese) através do endotélio; 
3. Migração nos tecidos intersticiais em direção ao 
estímulo quimiotático. 
 
 
MARGINAÇÃO, ROLAMENTO, ADESÃO E TRANSMIGRAÇÃO LEUCOCITÁRIA 
 No sangue que flui normalmente através das vênulas, os eritrócitos estão confinados a uma coluna axial 
central, deslocando os leucócitos na direção da parede vascular. Como logo no início da inflamação ocorre uma 
diminuição da velocidade do fluxo sanguíneo (estase), as condições hemodinâmicas mudam e aumenta o número de 
leucócitos na periferia do fluxo, próximo à superfície vascular. Esse processo de acúmulo dos leucócitos é chamado de 
marginação. Subsequentemente, os leucócitos, inicialmente uma pequena quantidade seguida de um grande aumento 
desse número, vão rolando aos saltos pelo endotélio, aderindo transitoriamente a ele (processo chamado de 
rolamento) e finalmente param em um determinado ponto, onde aderem firmemente (processo chamado de adesão). O 
endotélio pode ficar virtualmente coberto de leucócitos, o que é chamado de pavimentação. 
 A adesão leucocitária e a 
transmigração são reguladas 
principalmente pela ligação de 
moléculas de adesão complementares 
no leucócito e na superfície endotelial, 
e pelos mediadores químicos 
(quimiotoxinas e determinadas 
citocinas) que afetam esses processos 
modulando a expressão na superfície 
ou a avidez dessas moléculas de 
adesão. Os receptores de adesão 
envolvidos pertencem a quatro famílias 
moleculares: as selectinas (P-
selectina, E-selectina); a superfamília 
das imunoglobulinas (ICAM-1 e VCAM-
1); as integrinas (glicoproteínas como 
a Mac-1 e VLA-4); e as glicoproteínas 
semelhantes à mucina (como o 
heparan sulfato). 
 
 
Arlindo Ugulino Netto \u2013 PATOLOGIA \u2013 MEDICINA P4 \u2013 2009.1 
4 
 
QUIMIOTAXIA 
 Após o extravasamento, os leucócitos migram nos tecidos em direção ao local da lesão por um processo 
chamado de quimiotaxia, cuja definição mais simples é a locomoção ao longo de um gradiente químico gerado por 
mediadores produzidos no processo inflamatório. 
 Tanto substancias exógenas quanto endógenas podem agir como quimiotáticos. Os agentes exógenos mais 
comuns são os produtos bacterianos (como os peptídeos que possuem o N-formil-metionina terminal; outros são de 
natureza lipídica). Agentes quimiotáticos endógenos, que serão abordados detalhadamente mais adiante, incluem 
vários mediadores químicos, como: componentes do sistema complemento (ver OBS³ mais adiante), especialmente o 
C5a e C3a; produtos da via da lipoxigenase, especialmente o leucotrieno B4 (LTB4); e citocinas, especialmente as que 
pertencem à família das quimiocinas (como o IL-8, por exemplo). 
 Todos os agentes quimiotáticos mencionados se unem a receptores específicos ligados à proteína G (GPCRs), 
que atravessam a membrana sete vezes, na superfície dos leucócitos. Os sinais iniciados por esses receptores 
resultam no recrutamento das proteínas G e na ativação de várias moléculas efetoras, incluindo a fosfolipase C (PLC\u3b3) 
e a fosfoinositol-3 cinase (PI3K). A PLC\u3b3 e a PI3K atuam no fosfolipídio inositol da membrana e geram mensageiros 
lipídicos secundários que aumentao o cálcio citosólico e ativam pequenas GTPases (da família Rac/Rho/cdc42), 
responsáveis, entre outras funções, por induzir a polimerização da actina do citoesqueleto celular. Desta maneira, os 
leucócitos são capazes de se locomover estendendo pseudópodes até o foco inflamatório. 
 
OBS³: O sistema complemento é um grupo de 20 proteínas (e os produtos de suas clivagens) que são encontradas 
em maior concentração no plasma. Este sistema será mais detalhado na seção Mediadores Químicos da Inflamação. 
Dentre as proteínas, existem as chamadas C5 e C3, que são clivadas em C5b e C5a, e C3b e C3a. As proteínas C5a e 
C3a são anáfilotoxinas que promovem fenômenos vasculares (induzindo a liberação de histamina, realizando 
vasodilatação) além de serem fortes agentes quimiotáticos para neutrófilos, monócitos, eosionófilos e basófilos. 
OBS4: O ácido úrico (produto do metabolismo das purinas) é um cristal que tem a capacidade de ativar o sistema 
complemento. Isso significa que o ácido úrico é capaz de desencadear todo aquele processo da cascata de ativação 
das proteínas do complemento, inclusive a função quimiotática de alguns de seus produtos, recrutando células 
inflamatórias para a região. Como os polimorfonucleares não apresentam uricases, eles não são capazes de destruir 
este cristal, o qual passa a se depositar gradativamente no organismo, geralmente nas regiões articulares e 
tendinosas, caracterizando o quadro clínico conhecido como atrite gotasa (ou, simplesmente, gota). 
 
ATIVAÇÃO LEUCOCITÁRIA 
 Mircorganismos, produtos de células necróticas, complexos antígeno-anticorpo e citocinas, incluindo os fatores 
quimiotáticos, induzem várias respostas nos leucócitos que são parte de suas funções de defesa (neutrófilo e 
monócito/macrófago) e são incluídos sob a rubrica de ativação linfocitária. A ativação leucocitária resulta de várias vias 
de sinalização iniciadas nos leucócitos, gerando um aumento na concentração de Ca2+ no citosol e na ativação de 
enzimas como a proteíno-cinase C e a fosfolipase A2. As respostas funcionais induzidas na ativação dos leucócitos 
incluem: 
\ufffd Produção de metabólitos do ácido araquidônico (resultante da ativação