MEDRESUMOS PATOLOGIA Inflamação aguda
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MEDRESUMOS PATOLOGIA Inflamação aguda


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da fosfolipase A2 e do cálcio 
intracelular). 
\ufffd Desgranulação e secreção de enzimas lisossomais e ativação do surto oxidativo; 
\ufffd Secreção de citocinas, que amplificam e regulam as reações inflamatórias; 
\ufffd Modulação das moléculas de adesão leucocitária. 
 
OBS5: Os leucócitos apresentam vários receptores de superfície que estão envolvidos em sua ativação: receptores 
Toll-like (desempenham um papel essencial na resposta celular aos lipopolissacarídeos bacterianos e nucleotídios); 
vários receptores ligados à proteína G que atravessam a membrana sete vezes e reconhecem os microrganismos e 
alguns mediadores produzidos em reposta a infecções e lesão tecidual; receptores expressos por células fagocíticas 
para as citocinas que são produzidas durante a resposta imunológica; receptores para as opsoninas que promovem a 
fagocitose de microrganismos cobertos por diversas proteínas e encaminham os sinais que ativam a fagocitose. 
 
FAGOCITOSE 
 A fagocitose e a liberação de enzimas pelos neutrófilos e macrófagos são responsáveis pela eliminação de 
agentes nocivos, constituindo, assim, dois dos maiores benefícios derivados do acúmulo de leucócitos no foco 
inflamatório. A fagocitose envolve três etapas distintas, mas relacionadas entre si: 
\u2022 Reconhecimento e ligação: apesar de os neutrófilos e os macrófagos serem capazes de capturar bactérias e 
materiais estranhos sem a ligação de receptores específicos, a fagocitose de microrganismos e células mortas 
é tipicamente iniciada pelo reconhecimento das partículas por receptores expressos na superfície dos 
leucócitos (como os receptores de manose, açúcar que constitui moléculas encontradas na parede celular das 
bactérias). A eficácia da fagocitose é extremamente aumentada quando o organismo está opsonizado por 
Arlindo Ugulino Netto \u2013 PATOLOGIA \u2013 MEDICINA P4 \u2013 2009.1 
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proteínas específicas (opsoninas, como o C5a e C3a) para as quais as células fagocitárias expressam 
receptores de alta afinidade. 
\u2022 Captura: a ligação de uma partícula ao receptor de um leucócito fagocitário inicia o processo de fagocitose: 
extensões do citoplasma (pseudópodes) se estendem em torno da partícula até engolfá-la em um fagossomo 
criado pela membrana plasmática da célula. 
\u2022 Morte e degradação: a destruição do microrganismo é desempenhada em grande parte por mecanismos 
dependentes de oxigênio. A fagocitose estimula o surto de consumo de oxigênio, glicogenólise, aumento da 
oxidação da glicose e a produção de intermediários reativos do oxigênio (espécies reativas do O2). Depois que 
os microrganismos são mortos, eles são degradados dentro dos fagolisossomos pelas hidrolases armazenadas 
nos lisossomos. 
 
 
TÉRMINO DA RESPOSTA INFLAMATÓRIA 
 É de se esperar que um sistema de defesa do hospedeiro tão potente, com sua capacidade inerente de causar 
dano tecidual, precise de um controle rígido para minimizar o dano. Em parte, a inflamação diminui simplesmente 
porque os seus mediadores têm uma meia-vida curta, são degradados após serem liberados e são produzidos em 
surtos rápidos, somente enquanto o estímulo persiste. Além disso, vários sinais que atuam ativamente para terminar a 
reação são produzidos (como os derivados do ácido araquidônico, lipoxinas antiinflamatórias). 
 
 
MEDIADORES QUÍMICOS DA INFLAMAÇÃO 
 Os mediadores se originam de proteínas plasmáticas ou de células envolvidas no processo inflamatório. Os 
mediadores derivados do plasma (como as proteínas do complemento, as cininas, etc) estão presentes no plasma na 
forma de precursores que devem ser ativados, geralmente por meio de uma série de clivagens proteolíticas. Os 
mediadores derivados de células normalmente estão armazenados em grânulos intracelulares que precisam ser 
secretados (como a histamina nos grânulos dos mastócitos) ou são sintetizados de novo (prostaglandinas, citocinas) 
em resposta a um estímulo. 
 A produção de mediadores ativos é desencadeada por produtos microbianos ou por proteínas do hospedeiro, 
tais como as proteínas do complemento. A maioria dos mediadores desempenha sua atividade biológica ligando-se, 
inicialmente, a receptores específicos nas células alvo. Já outros, possuem atividade enzimática direta (como as 
proteases lisossomais). 
 Um mediador pode, por si só, estimular a liberação de outros mediadores pelas células-alvo. Uma vez ativados 
e liberados pelas células, a maioria desses mediadores têm uma meia vida curta. 
 
OBS6: A maioria dos mediadores tem o potencial para causar efeitos danosos. 
 
AMINAS VASOATIVAS 
 As duas aminas, histamina e serotonina, são especialmente importantes pois são armazenadas nas células, 
estando entre os primeiros mediadores a serem liberados durante a inflamação. 
\u2022 Histamina: está distribuída por todos os tecidos, sendo que os mastócitos são sua fonte principal. A histamina 
pré-formada está presente nos grânulos dos mastócitos e é liberada pela desgranulação dessas células em 
resposta a vários estímulos: lesão física como trauma, frio ou calor; reações imunológicas envolvendo a ligação 
de anticorpos aos mastócitos; pelos fragmentos do complemento chamados de anafilatoxinas (C3a e C5a); 
proteínas leucocitárias que liberam histamina; neuropeptídeos (como a substancia P); e citocinas (IL-1 e IL-8). 
\u2022 Serotonina (5-hidroxitriptamina): é um mediador vaso-ativo pré-formado com ações semelhantes às da 
histamina. Está presente nas plaquetas e nas células enterocromafins. A liberação de serotonina (e histamina) 
das plaquetas é estimulada quando ocorre a agregação plaquetária após o contato com colágeno, trombina, 
difosfato de adenosina (ADP) e complexo antígeno-anticorpo. 
 
PROTEÍNAS PLASMÁTICAS 
\u2022 Sistema complemento: é um conjunto de 20 proteínas (e seus produtos de clivagem) encontradas em maior 
concentração no plasma. É um sistema que atua tanto na resposta imune inata quanto na adquirida. As 
proteínas do complemento estão presentes no plasma na sua forma inativa, e são numeradas de C1 a C9. 
Muitas delas, quando ativadas, tornam-se proteínas proteolíticas que clivam outras proteínas do complemento, 
formando, assim, uma cascata capaz de gerar enorme amplificação enzimática. A etapa crítica no 
desenvolvimento das funções biológicas do complemento é a ativação do terceiro (e mais abundante) 
componente, o C3. A clivagem de C3 pode ser feita por três vias: a via clássica, que é desencadeada por 
fixação de C1 a um complexo antígeno-anticorpo (IgM e IgG); a via alternativa, que pode ser desencadeada 
por moléculas da superfície bacteriana, polissacarídios complexos, veneno de cobra e outras substâncias, na 
ausência de anticorpos; e a via da lecitina, na qual a lecitina plasmática que liga manose se une a 
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carboidratos nos microrganismos e ativa C1 diretamente. Independente da via envolvida nas etapas iniciais da 
ativação do complemento, todas levam à formação de uma enzima ativa chamada C3 convertase, que quebra 
a C3 em dois fragmentos funcionalmente distintos: C3a e C3b. O C3a é liberado e o C3b se liga 
covalentemente à célula ou molécula onde o complemento está sendo ativado. O C3b, então, liga a fragmentos 
gerados anteriormente para formar a C5 convertase, que cliva C5 em C5a e C5b. O fragmento C5b 
remanescente se liga aos componentes posteriores (C6 \u2013 9), culminando com a formação do chamado 
complexo de ataque à membrana (MAC, composto de várias moléculas de C9). 
Além da lise celular por meio do MAC, tem-se ainda os efeitos dos fragmentos proteolíticos formados pela 
ativação desse sistema: 
\ufffd Fenômenos vasculares. C3a, C5a e, em menor extensão, C4a, são produtos da clivagem dos 
componentes correspondentes do complemento que estimulam a liberação de histaminas pelos 
mastócitos, aumentando, assim, a permeabilidade vascular e causando vasodilatação. Por esta ação, 
elas são chamadas de anafilatoxinas (por terem