MEDRESUMOS PATOLOGIA  Fisiopatogênese da aterosclerose
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MEDRESUMOS PATOLOGIA Fisiopatogênese da aterosclerose


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específicos nas células. Quando a célula não precisa de colesterol, os receptores das lipoproteínas somem 
da superfície celular (ocorre inibição da biossíntese desses receptores e da expressão, uma vez que eles são 
geneticamente regulados), ocorrendo o acúmulo de LDL no plasma. 
Contudo, os monócitos e macrófagos não só possuem receptores para LDL geneticamente regulados como 
também apresentam receptores independentes da necessidade ou não de colesterol. Com isso, essas células 
continuam a receber e fagocitar as lipoproteínas, independente da necessidade de LDL, e as englobam até se 
transformar em células grandes e cheias de gorduras (chamadas células xantomatosas ou espumosas). 
Arlindo Ugulino Netto \u2013 PATOLOGIA \u2013 MEDICINA P4 \u2013 2009.1 
 
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Existem certos ácidos graxos polinsaturados presentes em óleos vegetais que fazem o efeito inverso do LDL, 
podendo baixar os níveis de colesterol. A gordura de certos peixes, por exemplo, apresentam o lipídeo ômega-3, que 
diminui os níveis de colesterol plasmático. 
 
 
FATORES DE RISCO 
\u2022 Idade: para que aterosclerose se instale como um processo crônico, é necessário tempo. Por isso, a 
aterosclerose não costuma ser evidente até a meia idade. Ocorre na faixa etéria entre 40-60 anos, faixa em 
que a incidência de infarto miocárdico 5x. 
\u2022 Sexo: os homens são mais propensos ao desenvolvimento de aterosclerose. As mulheres são protegidas do 
desenvolvimento da aterosclerose até o advento da menopausa, uma vez que o estrógeno tem um efeito 
protetor contra a aterosclerose (diminuindo os níveis das lipoproteínas e aumentando os níveis de HDL). A 
partir da fase da menopausa, o as mulheres apresentarão a mesma propensão ao desenvolvimento da 
aterosclerose que os homens. 
\u2022 Hiperlipidemia: é o principal fator de risco da aterosclerose. Está associado ao aumento dos níveis de 
colesterol plasmático que, uma vez aumentado (hipercolesterolemia) pode provocar: 
o Disfunção endotelial, ocorrendo uma diminuição da síntese de substâncias vasodilatadoras como o óxido 
nítrico, aumentando o tônus vascular e a pressão arterial. 
o Aumento dos espaços interendoteliais, o que favorece a passagem de lipoproteínas para a íntima. 
o Lipídeos transportados no sangue sob a forma de lipoproteínas são incorporados às células por meio de 
receptores específicos que deixam de ser expressos quando a célula não mais necessita englobar lipídeo. 
Contudo, macrófagos e monócitos, além deste receptor regulado pela quantidade de gordura, apresentam 
receptores constitutivos cuja expressão não é diminuída com o aumento de gordura, o que faz com que 
essas células continuem fagocitando lipídeos para formar as células xantomatosas, repletas de gordura. 
\u2022 Genética: a predisposição familiar bem estabelecida para aterosclerose e cardiopatia isquêmica é mais 
provavelmente poligênica. Mais comumente, a propensão genética está relacionada com um agrupamento 
familiar de outros fatores de risco, como hipertensão ou diabetes. Com menor frequência, há o envolvimento 
dos distúrbios genéticos hereditários bem conhecidos no metabolismo das lipoproteínas, que resultam em 
níveis excessivamente elevados de lipídios no sangue, como ocorre na hipercolesterolemia familar. 
o Hipertensão arterial: favorece para agravar a aterosclerose. A pressão mecânica sobre o endotélio 
também é responsável por promover uma disfunção endotelial, reduzindo a síntese de oxido nítrico 
(principal promotor de relaxamento vascular derivado do endotélio). Com isso, ocorre aumento do tônus 
vascular e da pressão arterial. Além disso, a força mecânica sobre a parede dos vasos estimula a 
expressão de receptores que favorecem a proliferação da musculatura lisa e elementos da matriz 
extracelular, dois eventos fundamentais para a fisiopatogênese da placa ateromatosa. A placa de 
aterosclerose não somente se forma pelo acúmulo de lipídios como também por meio da proliferação da 
musculatura lisa vascular e da matriz extracelular. 
o Diabetes mellitus: diabéticos apresentam disfunção endotelial e diminuição da síntese de NO, tendendo a 
apresentar hipertensão arterial. Além disso, tendem a hiperlipidemia e hipercolesterolemia, uma vez que a 
deficiência de insulina promove a lipólise e aumento dos níveis de lipídios no sangue. Esses pacientes 
apresentam ainda um sistema anti-oxidante (necessário por degradar citocinas, debelar processos 
inflamatórios e combater a LDL-oxidada, um dos principais fatores para a formação da placa ateromatosa) 
deficiente. 
o Hipercolesterolemia familiar: deficiência nos receptores de LDL, gerando o aumento dos níveis de LDL no 
plasma e favorecendo a sua infiltração na intima dos vasos, predispondo, até mesmo em indivíduos 
jovens, ao infarto. 
\u2022 Tabagismo: aumenta a taxa de óbito por cardiopatia isquêmica, pois, acelera o processo da aterosclerose. O 
tabaco é rico em substancias oxidantes que podem levar à oxidação da LDL, predispondo à produção das 
placas. A própria toxina do cigarro também favorece a destruição do endotélio. 
 
EVENTOS MORFOLÓGICOS E FISIOPATOLÓGICOS DA ATEROSCLEROSE 
 O processo chave que caracteriza a aterosclerose é o espessamento da íntima e o acúmulo de lipídeos na 
região afetada. Um ateroma (derivado da palavra grega para \u201cmingau\u201d) ou placa ateromatosa consiste uma lesão 
elevada que tem início na íntima, apresentando um centro lipídico grumoso consistente, amarelo (principalmente 
colesterol e ésteres de colesterol), coberto por uma cápsula fibrosa firme e branca. Também denominadas palcas 
fibrosas, fibrogordurosas, lipídicas ou fibrolipídicas, as placas ateromatosas são brancas ou branco-amareladas, e 
invadem o lúmen das artérias. 
 Uma lesão endotelial ou uma disfunção no endotélio (que pode ser gerada pela própria lesão ou por alterações 
da permeabilidade endotelial provocada pelo fumo, hiperlipidemia e infecções) acarreta um aumento da permeabilidade 
Arlindo Ugulino Netto \u2013 PATOLOGIA \u2013 MEDICINA P4 \u2013 2009.1 
 
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endotelial e, se o indivíduo já apresenta uma taxa elevada de lipoproteínas no plasma, ocorre acúmulo dessas 
lipoproteínas na matriz subendotelial (que é a camada íntima). 
Uma vez na camada intima, o LDL passa a sofrer modificações estruturais (oxidação pela ação dos radicais 
livres formados pelas células endoteliais ou por macrófagos ou mesmo pelas substâncias tóxicas do fumo). O LDL, 
agora oxidado, promove o aumento da expressão de receptores no endotélio (principalmente para monócitos) e 
também favorece a adesão de plaquetas na superfície endotelial. É fundamental saber também que a própria LDL 
oxidada tem a capacidade de promover a expressão de receptores para mastócitos, linfócitos B e linfócitos T, além de 
ter caráter tóxico contra a própria camada endotelial. 
Todos esses fatores pré-citados favorecem a migração das células inflamatórias para a camada íntima. Os 
macrófagos passam a englobar as lipoproteínas que penetram na camada subendotelial e se transformam em células 
espumosas (ou xantomatosas). 
Por meio da interação e ativação celular, os macrófagos e linfócitos que migraram para a região da lesão 
liberam fatores (citocinas) importantes que vão promover a migração das células musculares da camada média para a 
camada íntima, crescimento e proliferação destas células musculares além da produção de matriz extracelular (por 
meio da estimulação da proliferação de fibroblastos), fazendo com que a região lesionada seja infiltrada por fibrose 
mediada por colágeno e proteoglicanos. 
Ao final do processo, ocorre acúmulo de lipídios dentro dos macrófagos (formação das células xantomatosas) e 
proliferação de células musculares na camada íntima, além de depósito de matriz extracelular e de outros elementos 
inflamatórios nesta região (linfócitos T, B e mastócitos). Estes são os principais componentes da placa ateromatosa. A 
medida que este processo evolui, o processo inflamatório