MEDRESUMOS PATOLOGIA Degenerações
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MEDRESUMOS PATOLOGIA Degenerações


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Arlindo Ugulino Netto \u2013 PATOLOGIA \u2013 MEDICINA P4 \u2013 2009.1 
 
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FAMENE 
NETTO, Arlindo Ugulino. 
PATOLOGIA 
 
DEGENERAÇÕES CELULARES 
(Professor Ivan Rodrigues) 
 
 Degenerações são danos celulares não-letais caracterizados por um acúmulo intracelular de quantidades 
anormais de várias substâncias, devido a uma alteração metabólica na célula. As substâncias acumuladas pertencem a 
três categorias: (1) um componente celular normal, tal como água, lipídios, proteínas e carboidratos; (2) uma 
substância anormal, exógena, como um mineral ou produtos de agentes infecciosos, ou endógena, como um produto 
de uma síntese anormal ou do metabolismo; e (3) um pigmento. Essas substâncias podem se acumular 
transitoriamente ou permanentemente no citoplasma ou no núcleo, podendo ser inócuas para as células, mas 
ocasionalmente são altamente tóxicas. 
 Vários processos resultam em uma deposição 
intracelular anormal: 
1. Uma substância endógena normal é produzida a um 
índice normal ou aumentado, mas a velocidade de seu 
metabolismo é inadequada para removê-la. Um exemplo 
desse tipo de processo é a alteração gordurosa que 
ocorre no fígado devido ao acúmulo intracelular de 
triglicerídeos. 
2. Mutações genéticas em proteínas específicas geram um 
defeito no dobramento e excreção da mesma, 
resultando em seu acúmulo dentro do retículo 
endoplasmático rugoso, trazendo posterior prejuízo à 
célula. 
3. Uma substância endógena normal que se acumula 
devido à defeitos genéticos ou adquiridos do 
metabolismo, armazenamento, transporte ou secreção 
destas substâncias. Um exemplo é o grupo de 
condições causadas por defeitos genéticos de enzimas 
específicas envolvidas no metabolismo dos lipídios e 
dos carboidratos, resultando na deposição intracelular 
dessas substâncias, especialmente nos lisossomos. 
4. Uma substância exógena anormal é depositada e se 
acumula, pois a célula não possui as enzimas 
necessárias para degradá-la nem a habilidade para 
transportá-la para outros locais. A deposição de 
partículas de carbono (derivados do petróleo) e 
substâncias químicas não-metabolizáveis, como a sílica, 
são exemplos deste tipo de alteração. 
 
 Qualquer que seja a natureza e a origem da deposição 
intracelular, ela implica o armazenamento de alguns produtos 
pelas células individualmente. Se o excesso ocorrer devido a 
uma alteração sistêmica que pode ser controlada, o acúmulo é 
reversível. Nas doenças genéticas de deposição, o acúmulo é 
progressivo e as células podem se tornar tão sobrecarregadas 
que ocorre lesão secundária, levando, em alguns casos, à morte 
do tecido e do paciente. 
 As degenerações mais conhecidas e que serão aqui 
abordadas são: 
\ufffd Degeneração hidrópica 
\ufffd Degeneração hialina 
\ufffd Degeneração lipídica 
\ufffd Degeneração com acúmulo de carboidratos 
 
 
 
Arlindo Ugulino Netto \u2013 PATOLOGIA \u2013 MEDICINA P4 \u2013 2009.1 
 
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DEGENERAÇÃO HIDRÓPICA 
 A degeneração hidrópica (inchação turva ou hidrópica, tumefação turva ou celular, degeneração vacuolar ou 
edema celular) é uma alteração que se caracteriza pelo acúmulo de água no citoplasma, que se torna volumoso e 
pálido com núcleo normalmente posicionado. É vista com mais frequência nas células parenquimatosas, principalmente 
do rim, fígado e coração. 
 Consiste na lesão não-letal celular mais comum, uma vez que pode ser causada por qualquer agente físico, 
químico (tetracloreto, toxinas, etc) ou biológico (deficiência de oxigênio, etc) que gera um desequilíbrio hidroeletrolítico 
na célula. 
 A degeneração hidrópica ocorre em função do comprometimento da regulação do volume celular, que é um 
processo basicamente centrado no controle de sódio (Na+) e potássio (K+) no citoplasma. A bomba Na+/K+-ATPase é 
responsável por retirar o Na+ de dentro da célula e colocar e manter o K+ intracelularmente. Para este feito, é 
necessário o gasto de energia (ATP). Qualquer fator que altere o funcionamento desta bomba, seja por destruição da 
bomba Na+/K+ ou por carência de ATP celular, ocorre uma retenção de Na+ no citoplasma, deixando escapar o K+ e 
com isto há um aumento de água citoplasmática no intuito de manter as condições isosmósticas e o consequente 
inchaço da célula. 
 A causa mais comum de degeneração 
hidrópica é a hipóxia (como ocorre no 
choque). A falta de oxigênio altera a 
respiração celular, reduzindo a respiração 
aeróbica, levando à queda de ATP. Todos os 
processo que requerer ATP, como a própria 
bomba Na+/K+-ATPase são afetados. Enfim, 
todos os processos que interfiram na 
fosforilação oxidativa que produzirá ATP, seja 
por hipóxia ou por falta de substratos como 
ocorre na desnutrição grave, seja pela lesão 
da membrana por enzimas de oxidação 
(toxinas bacterianas/químicas e radicais livres 
produzidos no processo inflamatório), podem 
produzir degeneração hidrópica. 
 Condições que agridem a membrana 
celular como, por exemplo, os vírus, o cálcio, 
substâncias químicas e toxinas bacterianas 
podem lesar diretamente a membrana 
plasmática e levar a um edema celular. 
 A hipóxia força, ainda, a célula a entrar em respiração anaeróbica, o que leva a um aumento na produção de 
ácido láctico. Esta condição leva a uma redução do pH, culminando no desacoplamento dos ribossmos e um 
decréscimo na síntese protéica, o que afeta, também, na síntese da Na+/K+-ATPase. 
 Nos estados de vômitos constantes e diarréia, há perda acentuada de vários eletrólitos, incluindo o potássio 
(hipocalemia). Acredita-se que este fator reflita em uma alteração da bomba Na+/K+ pela perda do potássio intracelular, 
O K+ tem ainda uma importante função nas reações enzimáticas e na manutenção da permeabilidade da membrana. 
 Todos estes fatores levam a uma retenção de Na+ e água dentro da célula seguidos de uma expansão 
isosmótica. 
 
ASPECTOS MORFOLÓGICOS 
 Os órgãos acometidos por este tipo de degeneração aumentam de volume e apresentam certa palidez por 
motivo da compressão da microcirculação. Entretanto, a função dos órgãos continuará preservada. 
 Microscopicamente, observa-se uma distensão das células, que passam a apresentar citoplasma 
completamente vacuolizado, mais alargado e mais claro. 
 
EVOLUÇÃO E CONSEQUÊNCIAS 
 A degeneração hidrópica é um fenômeno reversível que, se o agente lesivo for retirado, a célula pode voltar ao 
normal, sem levar a nenhum comprometimento da função do órgão. 
 
 
DEGENERAÇÃO HIALINA 
 O termo hialino refere-se simplesmente a qualquer material que, ao microscópio óptico, apresente-se 
homogeneamente corado em róseo pela HE, amorfo e acidofílico (coloração rósea). É importante conhecer tais 
constituições pois existe uma série de doenças de diferentes patogenias que cursam com o acúmulo deste material 
hialina. 
Arlindo Ugulino Netto \u2013 PATOLOGIA \u2013 MEDICINA P4 \u2013 2009.1 
 
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 A degeneração hialina é classificada em extracelular (quando o material hialino se acumula no espaço 
intersticial ou ao longo da parede dos vasos) e intracelular (quando o material se acumula dentro das células). 
 
DEGENERAÇÃO HIALINA EXTRACELULAR (CONJUNTIVO-VASCULARES) 
 Pode se apresentar na forma de degeneração hialina (DH) propriamente dita ou na forma da amiloidose. 
\u2022 DH propriamente dita: é o tipo mais comum de DH, atingindo o tecido conjuntivo fibroso colágeno e a parede 
dos vasos. A hialinização do tecido conjuntivo fibroso é encontrada em cicatrizes antigas decorrentes de 
organização de processos inflamatórios. Ao microscópio, vê-se que nesta área cicatricial branca corada pela 
HE existem poucos fibroblastos, além de alargamento, fusão e compactação das fibras colágenas, dando a 
este tecido o aspecto eosinofílico, portanto, hialinizada. 
o Cicatrizes antigas: quando ocorre um acúmulo de fibrina para o local de uma lesão prévia, acontece um 
recrutamento de fibroblastos que passam a sintetizar fibras colágenas e, posteriormente,