MEDRESUMOS PATOLOGIA Neoplasias
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MEDRESUMOS PATOLOGIA Neoplasias


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malignas, estando o núcleo em tamanho completamente desproporcional. 
Algumas células, na microscopia, tendem a apresentar apenas o núcleo. A proporção núcleo/citoplasma, nas 
neoplasias malignas, podem chegar a 1/1 (quando o normal é 1/4 ou 1/6). 
\u2022 Diferenciação: nas formações benignas, a diferenciação é quase que preservada; nas neoplasias malignas, o 
tecido é menos diferenciado e, por tanto, é mais diferente que o tecido que o originou. Os tumores malignos 
tendem a perder a diferenciação do tecido de origem. Esta afirmação é tão verdade que, na microscopia, é 
quase impossível determinar qual o tecido de origem daquele campo neoplásico. A figura abaixo mostra, de 
maneira esquemática, a constituição normal de um tecido mamário e dos ductos mamários e, ainda na figura, 
um exemplo de câncer benigno (bem diferenciado e praticamente normal) e um câncer maligno (pouco 
diferenciado e, portanto, totalmente diferentes do tecido de origem). De um modo geral, o tumor maligno 
apresenta-se como cortes histológicos exibindo uma desorganização da estrutura natural ou habitual 
representada pela proliferação neoplásica constituída de trabéculas ou ninhos de células sólidas. Isso ocorre 
porque a arquitetura do tecido neoplásico maligno é perdida devido à falta de diferenciação que caracteriza 
este tipo de neoplasia. A medida que o tempo passa, as mutações continuam acontecendo e se generalizando, 
fazendo com que as células, cada vez mais, tornem-se ainda mais desdiferenciadas. 
 
\u2022 Invasão de vasos: o tumor benigno não invade vasos, mas permanecem in situ (não ultrapassam a membrana 
basal); o único tumor que tem a capacidade de invadir vasos é o tumor maligno. Quando as células 
cancerígenas malignas, através de mutações, passam a secretar colagenases e proteases, elas passam a 
apresentar a capacidade de degradar a membrana basal, podendo alcançar um vasos e promover metástase. 
Daí, tem-se a importância de tratar o câncer de forma precoce para evitar a formação de células capazes de 
produzir enzimas invasivas. 
\u2022 Necrose, hemorragia, ulcerações: são mais frequentes nos tumores malignos uma vez que estes 
apresentam uma massa de proliferação celular maior. Este fato faz com que estroma vascularizado não 
acompanhe este crescimento e, com isso, gere necrose e isquemia. 
\u2022 Metástase: significa disseminação das células tumorais para tecidos distantes de onde o processo neoplásico 
se iniciou. Em outras palavras, metástase ocorre quando há formação de colônias neoplásicas em um órgão a 
distancia. Apenas tumores malignos produzem metástase. 
\u2022 Recidiva: significa a manifestação de novas neoplasias mesmos depois de tratada ou retirada cirurgicamente. 
Acontece principalmente em tumores malignos devido ao seu caráter de crescimento irregular e invasivo. 
\u2022 Repercussão sobre o estado geral: geralmente, apenas os tumores malignos tem alguma repercussão sobre 
o estado geral do portador. Por exemplo, existem tumores pulmonares em que se tem sarcoma de pequenas 
células (oab cells) que produzem hormônios paraneoplásicos com capacidade de promover a produção de 
hormônios (ADH, corticosteróides) que influenciam na homeostasia do paciente. Nos tumores benignos, a 
repercussão sobre o estado geral não é tal preocupante, como por exemplo, ocorre em certos leiomiomas 
uterinos, alterações menstruais e cólicas. 
 
OBS2: De uma forma geral, as neoplasias benignas são muito semelhantes ao tecido de origem, sendo perceptíveis 
macroscopicamente apenas pela formação de uma massa tumoral que se destaca do tecido normal. Entretanto, isto 
não acontece com as formações malignas, que passam a ser tão diferentes do tecido de origem que são 
irreconhecíveis durante uma biópsia. Para determinar qual o tipo de tecido durante uma biópsia, é necessário o exame 
de imunohistoquímica, teste que, por meio de anticorpos especiais, pode determinar o local de origem daquele corte 
histológico. 
 
Arlindo Ugulino Netto \u2013 PATOLOGIA \u2013 MEDICINA P4 \u2013 2009.1 
 
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 Em resumo, observando a imagem ao lado, temos o 
exemplo de dois tumores da musculatura lisa no útero: o 
leiomioma (benigno) e o leiomiossarcoma (maligno). 
\ufffd Leiomioma: pequeno, bem delimitado 
macroscopicamente, crescimento lento, não-invasivo, 
não-metastático, bem diferenciado. 
\ufffd Leiomiossarcoma: grande e irregular, difícil delimitação, 
rápido crescimento expansivo com hemorragias e 
necrose, invasivo (se infiltra por todo miométrio), 
metastático e pouco diferenciado. 
 
 
 
 
CARACTERÍSTICAS MACROSCÓPICAS GERAIS 
As neoplasias, de uma forma geral, podem apresentar tamanho, peso, forma, cor, consistência e superfície de 
cortes variados. Existem tumores ovarianos que podem chegar a pesar até 10 kg (como os cistoadenomas serosos 
mucinóides, por exemplo). Entretanto, pode haver ainda neoplasias tai pequenas que não ultrapassam 1 cm de 
diâmetro (como os microcarcinomas papiliferos de tireóide). 
O tamanho da massa tumoral (sendo ela capaz de secretar colagenase) e o grau de indiferenciação são 
diretamente proporcionais à disseminação. Contudo, em massas tumorais pequenas, já podem existir células 
potencialmente capazes de formar metástase. Isso acontece porque é a característica biológica do tumor é quem 
define a possibilidade de metástase. Muito embora, tumores menores apresentam menor probabilidade de 
disseminação e são mais fáceis de tratar. 
Quanto à forma, os tumores podem ser sólidos, rígidos, etc. A cor do tumor vai depender da vascularização e 
presença de necrose. Quanto à consistência, depende da formação ou não de fibrose. 
 
ASPECTOS MICROSCÓPICOS 
 Em nível microscópico, podemos destacar alguns pontos que caracterizam e individualizam cada tipo de 
neoplasia. 
\u2022 Componentes básicos: os componentes básicos de uma neoplasia são dois: o componente que compõe o 
estroma e o componente vascular, responsável pela nutrição da massa tumoral. Em um carcinoma, por 
exemplo, seria o componente epitelial o estroma e o componente vascular responsável por nutrir esta 
neoplasia em proliferação. Quando há o crescimento tumoral, é necessária uma nutrição bastante regular e, 
para isso, o próprio tumor é capaz de secretar fatores angiogênicos que induzem a formação de vasos 
(neovascularização). As principais terapias utilizadas contra tumores são quimioterápicos que induzem uma 
diminuição da angiogênese neoplásica, diminuindo, assim, a sua nutrição. 
\u2022 Disposição arquitetural: varia conforme o grau de diferenciação (ver OBS1). Quanto mais bem diferenciado, 
melhor a neoplasia vai lembrar o tecido natural ou de origem (o que acontece, na maioria das vezes, com as 
neoplasias benignas). Já aquelas neoplasias pouco diferenciadas, como ocorre nas neoplasias malignas, mais 
diferentes serão estas massas tumorais com relação à arquitetura do tecido de origem. 
Por exemplo, um carcinoma de mama, quanto mais bem diferenciado, mais vai lembrar o tecido mamário 
hígido (íntegro). Inclusive, em neoplasias bem diferenciadas, é possível e mais fácil de perceber características 
histológicas que definem a origem do tecido na lâmina histológia. Diferentemente do acontece em tumores 
pouco diferenciados: quando há uma desdiferenciação muito intensa, no caso do carcinoma de mama, os 
túbulos mamários vão se tornando sólidos, a sua luz desaparece, formando trabéculas e ilhas tumorais sólidas 
que desconfiguram a arquitetura normal. 
Quanto mais diferenciado, melhor é o prognóstico, pois, assemelha-se mais com o tecido do local em 
neoplasia. O termo desdiferenciado significa que está se afastando da arquitetura do tecido normal. 
Ex: um laudo que determina \u201cCarcinoma mamário ductal moderamente diferenciado\u201d e outro com \u201cCarcinoma 
mamário ductal pouco diferenciado\u201d sugere que o primeiro tem melhor prognóstico e o segundo é de ruim 
prognóstico, pois, o termo pouco diferenciado em nível molecular refere que o tecido possui muitas