MEDRESUMOS PATOLOGIA Neoplasias
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MEDRESUMOS PATOLOGIA Neoplasias


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se coram apenas parcialmente. Recomenda-se a aplicação 
sistemática de solução de iodo na prática colposcópica, já que isto pode ajudar a identificar lesões que não foram 
notadas durante o exame com solução salina e com ácido acético e delimitar a extensão anatômica das áreas 
anormais com maior precisão, o que facilita o tratamento. 
OBS6: Neoplasia invasiva é aquela capaz de romper a membrana basal e invadir o estroma, podendo alcançar vasos 
sanguíneos e se disseminar. Quanto maior for o tumor, mais provável de que aconteça invasão vascular. Contudo, a 
biologia molecular do tumor é quem prevalece para que ocorra ou não metástase. Por isso, podem ocorre casos, de 
que tumores de 23 cm tenham menor probabilidade de dá metástase do que tumorações de 2,5 cm. 
OBS7: Na OBS4 vimos o exemplo da 
progressão de uma lesão pré-neoplásica em 
epitélio cervical escamoso. Contudo, podemos 
ainda falar do mesmo exemplo em glândulas. 
Na imagem ao lado, percebe-se a evolução de 
alterações pré-neoplásicas da mucosa 
glandular do estômago ou do intestino. Nesta 
mucosa, mediadas por fatores carcinogênicos, 
as alterações seguem a seguinte cronologia: 
as células começam a sofrer displasias e 
passam a não sofrer diferenciação; à medida 
que se tornam menos diferenciadas, as 
células passam a apresentar-se tortuosas; 
pode chegar ao ponto em que um grupo populacional de células neoplásicas mostre a capacidade de romper a 
membrana basal e invadir o estroma para ganhar os vasos sanguíneos. 
 
METÁSTASE 
Metástase significa o desenvolvimento de uma segunda população tumoral 
a partir da primeira, mas sem uma conexão direta entre as duas. Em outras 
palavras, metástase ocorre quando um tumor primário localizado em uma dada 
região é submetido a uma proliferação celular neoplásica e ainda sofreria uma 
expansão clonal (as células se multiplicariam) e, decorrente disto, iria surgir um 
subclone que teria capacidade de invadir a membrana basal. Ocorrendo o 
rompimento desta membrana basal, as células neoplásicas migram através dos 
tecidos até alcançar as paredes dos vasos, invadindo-os e caindo na circulação 
onde sofrem ação de células do sistema imunitário. Sobrevivendo a ação das 
células imunológicas (por meio do mecanismo de escape tumoral), as células 
neoplásicas continuam migrando até chegar a um novo sítio de instalação. 
Para que o processo de metástase se estabeleça é necessário uma série de 
ações pelas células tumorais e pelo sangue. No local onde ocorre o extravasamento 
a distância, ocorre a liberação de fatores angiogênicos que promover a nutrição do 
tumor e seu crescimento. Por isto é importante tratar o tumor o quanto antes, 
prevenindo o surgimento de um subclone metastásico. 
Acredita-se que alguns tumores têm maior predileção para desenvolver 
metástases para alguns lugares. Isso se dá principalmente devido a interação de 
vasos sanguíneos entre o local sede e o local hospedeiro. Por exemplo, tumores de 
pulmão dão metástases para supra-renal: quando se faz necropsia de neoplasia de 
pulmão, pode-se identificar a supra-renal com neoplasias provenientes de 
metástases. Existem alguns tumores de mama (carcinoma lobular) que dão 
Arlindo Ugulino Netto \u2013 PATOLOGIA \u2013 MEDICINA P4 \u2013 2009.1 
 
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metástases para parede intestinal ou útero (dada pela interação de receptores do tumor com a parede destes locais). O 
osteossarcoma, muito comumente (e principalmente, em adolescentes), produz metástase para o pulmão, sendo ele 
muito maligno. 
Contudo, nem toda neoplasia maligna promove metástase. Por exemplo, o carcinoma basocelular de pele, 
apenas infiltra o sentido da pele e área circunvizinha sem produzir metástase. Os tumores do SNC (como os 
astrocitomas) vão apenas infiltrando as estruturas neurais circunvizinhas, porém não dão metástases. Em um laudo 
médico, pode-ser perceber ou não se a neoplasia pode desenvolver metástase. O tamanho e a característica de 
diferenciação são os principais fatores na análise nestes laudos (embora não seja uma regra geral). 
 
VIAS DE DISSEMINAÇÃO 
\u2022 Disseminação por esfoliação (por cavidades corporais): a metástase pode ocorrer por implantação pelas 
cavidades corporais (saco pericárdico, espaço pleural, cavidade peritoneal, etc). A principal via de disseminação 
pelas cavidades corporais ocorre pela cavidade peritoneal (principalmente em tumores de ovário e apêndice). O 
ovário é um órgão que está livre dentro do próprio peritônio, daí que é facilmente disseminado. 
o Os tumores mucossecretores de ovário e apêndice enchem a cavidade peritoneal de muco 
(pseudomixoma peritoneal: quando se abre o abdômen, a cavidade peritonial está cheia de muco por 
conta desses tumores metastáticos). 
o Quando o cirurgião faz uma laparotomia e observa múltiplos nódulos tumorais 
na cavidade peritoneal a olho nu, indicando a carcinomatose peritoneal. 
o Um tumor de Krukenberg se refere a uma malignidade ovariana secundária 
cuja localização primária foi o trato gastrointestinal. Os tumores de 
Krukenberg frequentemente são encontrados em ambos os ovários. Ocorre 
quando os dois ovários recebem células metastáticas que extravasaram de 
tumores do trato gastrintestinal (geralmente, do estômago). O tumor pode 
romper a parede gástrica e, via cavidade peritoneal, alcançar os dois ovários. 
Eles aumentam de volume e ficam comprometidos quanto a sua função. 
\u2022 Disseminação linfática: é a principal via de disseminação dos carcinomas. Todos os órgãos apresentam uma 
cadeia ganglionar relacionada para onde a sua linfa será drenada em um primeiro plano. Um tumor invasivo que 
se origina em um determinado órgão, quando chega à via linfática, segue para o primeiro linfonodo da cadeia 
ganglionar. A expressão \u201clinfonodo sentinela\u201d é o conceito anatômico que foi definido para o primeiro linfonodo a 
receber a drenagem da linfa de um determinado órgão. Com isso, em casos de metátase, trata-se do primeiro 
linfonodo a receber a linfa do órgão que vai apresentar uma determinada neoplasia. 
Contudo, pode haver algumas exceções, como no caso do gânglio de Virchow, que é um linfonodo sentinela para 
carcinomas esofágicos ou gástricos invasores de esôfago. Este gânglio localiza-se na fossa supra-clavicular 
esquerda (quando aumentado, temos o sinal de Troisier) e, portanto, não faz parte da cadeia ganglionar do 
estomago ou do esôfago. 
Hoje em dia, se o tumor não for muito grande e o paciente não apresentar nódulos palpáveis, pode-se optar por 
realizar um exame pré-operatório que consiste na congelação e infusão de corante para identificar linfonodo 
sentinela e avaliar se seria realmente necessária a retirada do complexo ganglionar do paciente (processo 
cirúrgico necessário em casos de metástases mas que traz complicações adversas, 
como o surgimento de edemas). Em casos de câncer de mama, por exemplo, injeta-
se o corante na árvore ductal da mama. Para o primeiro linfonodo que ser corar, o 
patologista deve realizar o seu congelamento e identificar se houve disseminação 
para cadeias ganglionares próximas. Com isto, pode-se fazer o tratamento seletivo 
de somente retirar um quadrante ou toda a mama, em casos de câncer de mama, 
sem ser necessário realizar o esvaziamento ganglionar. 
O linfonodo sentinela (LNS) é definido, portanto, como o primeiro linfonodo a drenar 
o câncer, e por esta razão será o primeiro sítio a receber metástases se ocorrer 
disseminação linfática. A biópsia de linfonodo sentinela no câncer de mama está 
emergindo como um método de amostragem axilar seletiva, minimamente invasivo e 
altamente sensível na identificação de metástases. Se o exame histopatológico do 
LNS evidenciar que este está livre de comprometimento tumoral, então o restante 
dos linfonodos da mesma axila tem baixa probabilidade (1% a 2%) de conter células 
tumorais. Ele será o único linfonodo acometido em mais de 40% dos casos. Em caso 
de melanoma do pé, se