Curso de Direito Constitucional   Dirley Cunha

Curso de Direito Constitucional Dirley Cunha


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À SEXTA EDIÇÃO 
É com enorme alegria que apresento a 6ª edição do Livro Curso de Direito 
Constitucional, que foi revisto, atualizado e ampliado. Agradeço a todos que 
confiaram em nosso trabalho, deixando aqui o registro de que foi exatamen-
te esse sentimento de fé e crédito que nos motivou a melhorar ainda mais o 
Livro, acrescentando matérias não tratadas anteriormente e aprofundando 
em tantas outras já abordadas. 
A 6ª edição acompanha os passos das anteriores, sendo fiel ao propósito 
de auxiliar o leitor, com seriedade, no estudo científico, compromissado, di-
dático e compreensivo dos principais temas do Direito Constitucional. 
O Livro foi revisto, atualizado e ampliado, sobretudo em razão da nova 
Emenda Constitucional nº 68, de 21 de dezembro de 2011, que alterou o 
art. 76 do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias, para prorrogar a 
DRU (Desvinculação de Receitas da União), até 31 de dezembro de 2015; e da 
Lei nº 12.562, de 23 de dezembro de 2011, que regulamentou o inciso III do 
art. 36 da Constituição Federal, para dispor sobre o processo e julgamento 
da representação interventiva (a ADI interventiva) perante o Supremo Tri-
bunal Federal. 
Fizemos a atualização da jurisprudência do Supremo Tribunal Federal, 
notadamente em razão da nova súmula vinculante que surgiu após o lança-
mento da anterior edição e de algumas importantes mudanças de entendi-
mento da Corte em certos temas. 
Demais disso, ampliamos a abordagem acerca do Neoconstitucionalis-
mo; das Normas Constitucionais; do Controle de Constitucionalidade, este 
em razão da recente Lei 12.562/11 (representação interventiva perante o 
Supremo Tribunal Federal); e da Organização dos Poderes. 
Enfim, agradeço as sugestões gentilmente apresentadas por amigos pro-
fessores, alunos e ex-alunos, que foram prontamente acatadas, esperando 
que esta edição tenha a mesma acolhida e êxito que obtiveram as edições 
anteriores. 
Com um afetuoso abraço, 
Dirley da Cunha Júnior 
Salvador, janeiro de 2012. 
APRESENTAÇÃO 
o Direito Constitucional evoluiu consideravelmente. De simples discipli-
na jurídica da organização do poder converteu-se no próprio fundamento 
lógico e jurídico de todo o Direito, de onde os poderes públicos e privados 
retiram a sua legitimidade e os limites de suas atribuições e ações. Mas nada 
disso foi obra do acaso. Resultou de um processo histórico que compreen-
deu um amplo movimento social e político direcionado à garantia das liber-
dades humanas fundamentais e à submissão do poder aos valores incorpo-
rados na Constituição. 
No Brasil, o Direito Constitucional ganhou fôlego e atingiu o seu triunfo 
com a Constituição Federal de 1988, que inaugurou entre nós uma era de 
profundo respeito à pessoa humana e de afirmação dos direitos fundamen-
tais, como valores supremos e indispensáveis para se construir uma socie-
dade livre, justa e solidária. Efetivamente, a Constituição de 1988 contribuiu 
significativa e decisivamente para o revigoramento dos postulados demo-
cráticos e para a conseqüente travessia do Estado brasileiro de um regime 
autoritário e arbitrário para um Estado Democrático de Direito, com o que 
suscitou no povo brasileiro a esperança de mudanças e um sentimento cons-
titucional jamais visto na história política do país. E nesse contexto, preocu-
pada em proporcionar a plena felicidade e a solidariedade entre os homens, 
a "Norma das normas" eleva a pessoa humana a fundamento maior do Esta-
do e a eixo central do sistema jurídico. E isso tem um significado importante, 
na medida em que todos os ramos do Direito e todos os fenômenos jurídicos 
devem ser lidos, compreendidos e operados a partir da necessidade de pro-
teção do homem e da exigência de se garantir um sentimento de solidarie-
dade entre as pessoas. 
E o Direito Constitucional, motivado pelos avanços e reflexos causados 
pela Carta de Outubro, passa da desimportância ao apogeu, ganhando o 
prestígio e a atenção de toda a nação, razão por que começa a fazer parte do 
dia a dia do estudioso e do operador do Direito. Nunca se viu tanto interesse 
e dedicação pelo estudo do Direito Constitucional, situação que tem provo-
cado uma farta e admirável produção bibliográfica sobre esse Super ramo 
do Direito. 
Nessa linha, invoco toda a minha alegria e satisfação para apresentar, 
com muita honra e humildade, o nosso Curso de Direito Constitucional, que 
surge como o resultado, desejado por mim e incentivado pelos amigos e 
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alunos, de um labor científico e investigativo, mas sem perder a necessária 
objetividade, acerca dos mais destacados e relevantes temas constitucionais. 
O livro compõe-se de vinte e dois capítulos. Além dos capítulos concer-
nentes ao Constitucionalismo (capítulo I); Direito Constitucional (capítulo II); 
Teoria da Constituição (capítulo IlI); Teoria da Norma Constitucional (capí-
tulo IV); Interpretação Constitucional (capítulo V); Poder Constituinte (capí-
tulo VI); Controle de Constitucionalidade (capítulo VII) e sobre o Histórico 
das Constituições Brasileiras (capítulo VIII), o livro dedicou os demais capí-
tulos ao estudo doutrinário e sequencial dos temas relacionados aos títulos 
plasmados no texto da Constituição de 1988, abordando, com amplas consi-
derações teóricas e referência à jurisprudência atual do Supremo Tribunal 
Federal, os PrinCÍpios Fundamentais (capítulo IX); os Direitos e as Garantias 
Fundamentais (incluindo a Teoria Geral dos Direitos Fundamentais e as Ações 
Constitucionais) (capítulos X a XVI); a Organização do Estado (capítulo XVII); 
a Organização dos Poderes (capítulo XVIII); a Defesa do Estado e das Institui-
ções Democráticas (capítulo XIX); a Tributação e o Orçamento (capítulo XX); 
a Ordem Econômica e Financeira (capítulo XXI); e a Ordem Social (capítulo 
XXII). 
Com simplicidade, porém comprometido com a responsabilidade de in-
formar e orientar corretamente e com segurança, o presente livro busca pro-
vocar no leitor um estudo crítico e uma reflexão sobre esse novo, extraordi-
nário e encantador Direito Constitucional. Se ao menos, a partir deste livro, 
se chegar a formar opiniões, mesmo que contrárias às por ele defendidas, 
cremos que o objetivo foi alcançado. Ficaremos satisfeitos. E se a partir dele 
for despertado no leitor um sentimento de amor à Constituição e de cultura 
de respeito pela pessoa humana e pelos valores que lhe são mais caros, não 
teremos palavras para dizer; apenas diremos muito obrigado! Pois, 
'~inda que eu fale as línguas dos homens e dos anjos, se não tiver amor, 
serei como o bronze que soa ou como o címbalo que retine. Ainda que eu 
tenha o dom de profetizar e conheça todos os mistérios e toda a ciência; 
ainda que eu tenha tamanha fé, a ponto de transportar montes, se não tiver 
amor, nada serei .. :' (Coríntios 13.1-2). 
o Autor. 
CAP[TULO I 
CONSTITUCIONALISMO 
~um.ário ~ 1. Orige~ e conceito - 2: De~env~lvimento: 2.1. Constitucionalismo antigo; 2.2. Cons-tl~u~lonahsmo medIeval; 2.3. ConstltuClonahsmo moderno - 3 Neoconstitucionalismo' 3 1 P 
tnotlsmo Constitucional; 3.2. Transconstitucionalismo.· . " a-
1. ORIGEM E CONCEITO 
A .o:igem do constitucionalismo remonta à antiguidade clássica, mais 
~specIfican:en~e, segun~o Karl_ Loewensteinl, ao povo hebreu, de onde par-
tiram as pnmeIras mamfestaçoes deste movimento constitucional e b _ 
ca de . - I' m us 
uma orgamzaçao po Itica da comunidade fundada na limitação do po-
der absoluto. De fato, explica Loewenstein que o regime teocrático dos he-
breus se caracterizou fundamentalmente a partir da idéia de que o detentor 
do pod.er, longe de ostentar um poder absoluto e arbitrário, estava limitado 
pel~ leI do St;nhor, que submetia igualmente os governantes e governados 
radIcando aI o modelo de Constituição material daquele povo. ' 
. O c?nc.eito de constitucionalismo, portanto, está vinculado