Curso de Direito Constitucional   Dirley Cunha

Curso de Direito Constitucional Dirley Cunha


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Constítutíonnel. 3ª ed., Fontemoing & Cie., Editeurs, Paris, 1918, p. 38. 
5. Dmtto Costítuz/Ona/e. 5ª ed., Edizioni Universitarie, PaI ermo, 1961, p.14. 
50 DIRLEY DA CUNHA JÚNIOR 
tempo, definem a titularidade do poder, os modos de formação e manifes-
taçãoda vontade política, os órgãos de que esta carece e os actos em que se 
concretiza".6 
Pinto Ferreira o define como "a ciência positiva das Constituições. Ele 
estuda os princípios básicos, que presidem à 'regulação técnica' das insti-
tuições políticas, jurídicas e sociais dos sistemas constitucionais. Nesse sen-
tido, as suas normas têm um conteúdo humano, posto que ambicionam o 
elevado propósito de garantir à comunidade uma paisagem de segurança 
social e econômica, mediante a descoberta dos primeiros teoremas da geo-
metria política"? ' 
E, para não sobrecarregar o texto com a citação excessiva de definições, 
fiquemos com o último conceito, da pena de José Afonso Da Silva, para quem 
o Direito Constitucional é "o ramo do Direito Público que expõe, interpreta e 
sistematiza os princípios e normas fundamentais do Estado"B. 
Para nós, o Direito Constitucional é o ramo fundamental do Direito que 
investiga, estuda e sistematiza as normas e instituições que dispõem sobre as 
bases e elementos fundamentais do Estado, determinando sua estrutura, orga-
nização e seus fins, a composição e o funcionamento de seus órgãos superiores, 
disciplinando o modo de aquisição e ascensão ao poder e os limites de sua 
atuação, assim como os direitos e as garantias fundamentais do individuo e da 
coletividade. Tem por objeto o conhecimento sistematizado das Constitui-
ções e das instituições políticas de um Estado, e por isso mesmo representa 
o Direito Supremo do Estado, o tronco do sistema jurídico do qual derivam 
e se desenvolvem todos os ramos do Direito positivo, que nele encontram, 
na célebre expressão de Pellegrino Rossi, as têtes de chapitre. Nesse sentido, 
o Direito Constitucional destaca-se como um Superdireito, não só porque 
provém, como direito positivo, do Poder Constituinte, mas também porque 
domina todos os ramos do Direito submetendo-os a seus princípios, estabe-
lecendo os seus fundamentos e condicionando a sua interpretação, aplica-
ção e validade. Enfim, numa última análise, é a fonte maior de legitimação 
de todo o Direito na medida em que funciona como a pedra angular de toda 
ordem jurídica, assemelhando-se a um grande rio, na feliz comparação de 
Wilson Accioli9, para o qual vão convergindo seus inúmeros afluentes. 
6. Manual de Direito Constitucional. 6' ed., Coimbra Editora, Tomo I, 1997, p.13 
7, Princípios Gerais do Direito Constitucional Moderno. 5' ed" São Paulo: Editora Revista dos Tribu-
nais, 1971, Tomo I, p. 43. 
8. Curso de Direito Constitucional Positivo. 16!! ed., São Paulo: Malheiros, 1999, p. 36. 
9. Op. Cit, p. 08. 
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DIREITO CONSTITUCIONAL 51 
Na clássica divisão do Direito em Direito Público e Direito Privado o Di-
reito Constitucional integra o domínio do Direito Público, ostentand; a na-
tureza de ramo do Direito Público, mas que se distingue dos demais ramos 
deste mesmo setor "pela natureza específica de seu objeto e pelos princípios 
peculiares que o informam".lo 
2. OBJETO DO DIREITO CONSTITUCIONAL 
? Direito Cons~tucional tem por objeto o conhecimento cientifico e siste-
matizado da ~rg~n~zação fundamental do Estado, através da investigação e 
estudo dos prmcIpIOs e regras constitucionais atinentes à forma do Estado ~ forma e ~~ sistema.de Governo, ao modo de aquisição e exercício do pode;' 
a cOJ:~p~sIçao e funCIOnamento de seus órgãos, aos limites de sua atuação e 
aos dIreItos e garantias fundamentais. 
Em suma, constitui objeto do Direito Constitucional o conhecimento e 
estudo científico e sistematizado das normas e instituições que definem a 
Constituição do Estado. 
3. ESPÉCIES OU DIVISÃO DO DIREITO CONSTITUCIONAL 
. A doutrina costuma distinguir ou dividir o Direito Constitucional, rela-
ti~a~ente ao ~eu .conteúdo cientifico, em três partes ou espécies, a saber: 1) 
~IreIto ConstitucIOnal Especial, Positivo ou Particular; 2) Direito Constitu-
CIOnal Comparado e 3) Direito Constitucional Geral. 
3.1. Direito Constitucional Especial, Positivo ou Particular 
Cui.da-se do Direito Constitucional de um determinado Estado, que tem 
por o~Jet~ o estudo e conhecimento de sua Constituição em vigor. É Direito 
~onstitucIOnal de uma só Constituição, que se preocupa em expor, examinar, 
mterpretar e sistematizar os princípios e as regras constitucionais vigentes 
em um dado Estado. Assim, temos o Direito Constitucional brasileiro o Direi-
t? C~nstitucional americano, o Direito Constitucional alemão, o Direito Cons-
titucIOnal francês, em consonância com as respectivas Constituições em vigor. 
3.2. Direito Constitucional Comparado 
Trata-se do Direito Constitucional que se ocupa com o estudo teórico 
das normas constitucionais positivas, mas não obrigatoriamente vigentes, 
10. SILVA, José Afonso da. Curso de Direito Constitucional Positivo. 16' ed. São Paulo' Malheiros 1999 
p.36. ' . " 
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de vários Estados, ou do mesmo Estado em épocas diferentes, objetivando 
realçar as peculiaridades, os contrastes e as semelhanças entre elas. Não é 
o Direito Constitucional de uma só Constituição, mas de uma pluralidade de 
Constituições. 
Na verdade, funciona como um método que descreve as ordens consti-
tucionais distintas de Estados diversos ou do mesmo Estado, cotejando e 
confrontando as suas normas e instituições fundamentais. 
O Direito Constitucional Comparado pode se valer de critérios variáveis. 
Um desses critérios consiste em comparar no tempo as Constituições de um 
mesmo Estado, visando aferir as semelhanças e dessemelhanças entre as 
normas constitucionais e instituições neste Estado (Exemplo: estudo com-
parado das Constituições brasileiras de 1967 e 1988). Outro critério consiste 
em confrontar no espaço as Constituições de Estados diferentes. Apesar de 
ambos os critérios servirem ao trabalho do Direito Constitucional Compara-
do, o mais utilizado vem sendo o critério espacial, que vem se revelando mui-
to proveitoso, tendo em vista que possibilita a análise da organização política 
e do funcionamento das instituições de Estados diferentes, contribuindo no 
mais das vezes para a compreensão geral acerca do melhor modelo de Estado. 
3.3. Direito Constitucional Geral 
O Direito Constitucional Geral corresponde a uma verdadeira Teoria Ge-
ral do Direito Constitucional, que tem por objeto a identificação e sistema-
tização, numa perspectiva unitária, dos princípios, conceitos e instituições 
comuns a diversos ordenamentos constitucionais e que se acham presentes 
em várias Constituições de Estados distintos, que revelam características 
equivalentes ou similares. 
Para Santi Romano, o Direito Constitucional Geral é aquela disciplina 
que, tendo por base o Direito Constitucional Comparado, "delineia uma série 
de princípios, conceitos, instituições, que se encontram nos vários direitos 
positivos, para classificá-los e sistematizá-los numa visão unitária". Ou seja, 
continua o grande publicista, "o direito constitucional geral extrai de cada 
uma das constituições, para reuni-las em categorias típicas, conceitos, figu-
ras, princípios jurídicos que, se não absolutos e universais, são ao menos 
relativamente constantes e, por conseqüência, gerais e, neste sentido, co-
muns a um conjunto mais ou menos vasto de constituições tendo caracteres 
essenciais idênticos ou muito semelhantes:'ll 
11. Princípios de Direito Constitucional Geral. São Paulo: Ed. Revista dos Tribunais, 1977, trad. Maria 
Helena Diniz, pgs.16-17. 
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Constitui tarefa do Direito Constitucional Geral fixar o próprio conceito 
de Direito Constitucional, suas relações com outras disciplinas