Curso de Direito Constitucional   Dirley Cunha

Curso de Direito Constitucional Dirley Cunha


DisciplinaConstitucional5.249 materiais6.160 seguidores
Pré-visualização50 páginas
Lumen júris, 2005; CUNHA 
JÚNIOR, Dirley da. Curso de Direito Administrativo. 6ª ed., Salvador: Editora juspodivrn, 2007; DI 
PIETRO, Maria Sylvia Zanella. DireitoAdministrativo.19ª ed., São Paulo: Atlas, 2006; FIGUEIREDO, 
Lúcia Valle. Curso de Direito Administrativo. 6ª ed., São Paulo: Malheiros, 2003; GASPARlNI, Dioge-
nes. Direito Administrativo. 7ª ed., São Paulo: Saraiva, 2002; JUSTEN FILHO, Marçal. Curso de Direito 
Administrativo. São Paulo: Saraiva, 2005; LIMA, Ruy Cirne. Princípios de Direito Administrativo. 7ª 
ed., São Paulo: Malheiros, 2007; MARlNELA, Fernanda. Direito Administrativo. 3ª ed., Salvador: Edi-
tora juspodivm, V. 01, 2007; MEIRELLES, Hely Lopes. Direito Administrativo Brasileiro. 27ª ed., São 
Paulo: Malheiros, 2002; MOREIRA NETO, Diogo de Figueiredo. Curso de Direito Administrativo. 12ª 
ed., Rio de janeiro: Forense, 2002. 
16. MEIRELLES, Hely Lopes. Direito Administrativo Brasileiro. 27ª ed., São Paulo: Malheiros, p. 39, 
2002. 
17. CUNHA JÚNIOR, Dirley. Curso de Direito Administrativo. 6ª ed., Salvador: Editora Juspodivrn, 2007, 
p.02. 
56 DIRLEY DA CUNHA JÚNIOR 
Pública (capítulo VII). Nesse capítulo, há normas explícitas e implícitas sobre 
os princípios constitucionais da Administração Pública (Seção I, arts. 37 e 38) 
e as regras constitucionais sobre os seus servidores (Seção lI, arts. 39 a 41). 
De fato, determina o art. 37, caput, da Constituição, que a Administração 
Pública direta e indireta de qualquer dos Poderes da União, dos Estados, do 
Distrito Federal e dos Municípios obedecerá aos princípios constitucionais 
da legalidade, impessoalidade, moralidade, publicidade e eficiência, além de 
outros princípios e regras que esse mesmo preceito arrola. Ademais, a Cons-
tituição dispõe de regras de acesso aos cargos, empregos e funções públicas 
(art. 37, incisos I e lI); prazo de validade de concurso público para acesso a 
cargos e empregos públicos (art. 37, incisos III e IV); sindicalização e greve 
dos servidores públicos (art. 37, incisos VI e VII); contratação de servidores 
temporários (art. 37, inciso IX); fixação, alteração e revisão da remuneração 
e do subsídio (art. 37, inciso X); teto remuneratório (art. 37, inciso XI); irre-
dutibilidade do subsídio e dos vencimentos (art. 37, inciso XV); vedação da 
acumulação remunerada de cargos, empregos e funções públicas (art. 37, 
incisos XVI e XVII); criação de autarquia, empresa pública, sociedade de eco-
nomia mista e fundação pública (art. 37, inciso XIX); licitação (art. 37, inciso 
XXI); improbidade administrativa (art. 37, § 4º); responsabilidade objetiva 
do Estado (art. 37, § 6º); servidor público no exercício de mandato eletivo 
(art. 38); extensão de direitos trabalhistas aos servidores públicos (art. 39, 
§ 3º); definição dos subsídios (art. 39, § 4º); regime próprio de previdência 
social dos servidores públicos titulares de cargos efetivos (art. 40); estabili-
dade e perda do cargo do servidor estável (art. 41). 
A partir do novo regime jurídico-administrativo, com o molde que lhe deu 
a Constituição, velhos paradigmas conhecidos no Direito Administrativo so-
freram profundas alterações nestas últimas décadas, visando privilegiar os 
direitos fundamentais do administrado, cumprindo mencionar os seguintes: 
i) A reconstrução do princípio da supremacia do interesse público sobre 
o interesse privado, chamando a atenção para o fato de que as prerrogati-
vas inerentes à supremacia do interesse público sobre o interesse privado 
somente podem ser manejadas legitimamente para o alcance dos interes-
ses públicos primários, únicos que verdadeiramente gozam de supremacia, 
porém jamais para satisfazer apenas interesses ou conveniências tão só do 
aparelho estatal (interesses secundários), e muito menos dos agentes go-
vernantes. Ademais, cumpre acentuar que o princípio da supremacia do 
interesse público sobre o interesse privado pressupõe o absoluto respeito 
aos direitos fundamentais. Ora, se o interesse público resulta da soma "dos 
interesses dos indivíduos que nele encontram a projeção de suas próprias 
DIREITO CONSTITUCIONAL 57 
aspirações"18, é inegável que a supremacia do interesse público avulta como 
condição de garantia dos próprios direitos fundamentais. 
ii) A possibilidade do controle judicial do mérito administrativo, rompen-
do com a tradicional resistência que dominou todo o período de ditadura 
militar, que limitava o controle judicial apenas aos aspectos da legalidade do 
ato da Administração (competência, finalidade e forma, que são elementos 
sempre vinculados em todo ato administrativo), afastando qualquer investi-
gação sobre o seu mérito (conveniência e oportunidade, juízos de valor as-
sociados ao motivo e objeto do ato), próprio dos atos discricionários. 
Todavia, todo e qualquer ato administrativo, seja emanado de competência 
discricionária ou vinculada, pode ser analisado pelo Judiciário em qualquer de 
seus elementos (competência, finalidade, forma, motivo e objeto), haja vista 
que sempre há um limite à liberdade da Administração Pública, que é demar-
cada pelo próprio Direito. O que não se admite é o Judiciário imiscuir-se nos 
espaços considerados como puramente mérito administrativo, para fazer so-
brepor a sua avaliação subjetiva sobre a conveniência e oportunidade do ato, 
substituindo-se à Administração. É inegável que no sistema jurídico-consti-
tucional moderno, no qual os direitos fundamentais assumem a dupla dimen-
são subjetiva-objetiva, no sentido de que, além de conferirem ao indivíduo 
posições jurídicas subjetivas de vantagem invocáveis perante o Estado e o 
particular, também apresentam-se como parâmetros objetivos de legitimação 
e limitação do exercício das competências políticas e administrativas, a idéia 
de mérito administrativo deve ser entendida associada à idéia de controle de 
legitimidade dos atos da Administração Pública. Daí sugerirmos a distinção 
entre mérito administrativo, controlável judicialmente em face dos direitos 
fundamentais e dos princípios constitucionais como a razoabilidade, propor-
cionalidade, eficiência e moralidade, por exemplo, e o puro mérito adminis-
trativo, insindicável judicialmente, por referir-se a aspectos exclusivamente 
subjetivos ligados à conveniência e oportunidade da Administração Pública. 
Destacando a possibilidade do controle judicial do mérito administra-
tivo, é interessante conferir o acórdão abaixo, exarado pelo STJ, no Resp 
429570/GO, 2ª Turma, Relatora eminente Ministra Eliana Calmon, publica-
da no DJ de 22.03.2004, p. 277: 
"ADMINISTRATIVO E PROCESSO CIVIL - AÇÃO CIVIL PÚBLICA - OBRAS DE 
RECUPERAÇÃO EM PROL DO MEIO AMBIENTE - ATO ADMINISTRATIVO 
DISCRICIONÁRIO. 
18. BORGES, Alice Gonzalez. 'Supremacia do Interesse Público: Desconstrução ou Reconstrução?'. In: 
Revista Gestão Pública e Controle. Tribunal de Contas da Bahia, p. 51, p. 27-56, v.l, n. 2, ago.j2006. 
I' 
58 DIRLEY DA CUNHA JÚNIOR 
1. Na atualidade, a Administração pública está submetida ao império da 
lei, inclusive quanto à conveniência e oportunidade do ato administrativo. 
2. Comprovado tecnicamente ser imprescindível, para o meio ambiente, a 
realização de obras de recuperação do solo, tem o Ministério Público legi-
timidade para exigi-la. 
3. O Poder Judiciário não mais se limita a examinar os aspectos extrínsecos 
da administração, pois pode analisar, ainda, as razões de conveniência e 
oportunidade, uma vez que essas razões devem observar critérios de mo-
ralidade e razoabilidade. 
4. Outorga de tutela específica para que a Administração destine do orça-
mento verba própria para cumpri-la. 
5. Recurso especial provido:' 19 
Assim, não há discricionariedade absoluta. O espaço legítimo de discri-
ção é aquele em que, dentro de um plano de razoabilidade, mais de uma 
opção seja igualmente válida. Destarte, não se nega que possa haver algum 
espaço de discrição ou liberdade administrativa,