Curso de Direito Constitucional   Dirley Cunha

Curso de Direito Constitucional Dirley Cunha


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civis ou militares, 
contra a ordem constitucional e o Estado Democrático (art. 5º, inciso XLIV); 
que nenhuma pena passará da pessoa do condenado, podendo a obrigação 
de reparar o dano e a decretação do perdimento de bens ser, nos termos 
da lei, estendidas aos sucessores e contra eles executadas, até o limite do 
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valor do patrimônio transferido (art. 5º, inciso XLV); que a lei regulará a 
individualização da pena e adotará, entre outras, as penas de privação ou 
restrição da liberdade, perda de bens, multa, prestação social alternativa, 
suspensão ou interdição de direitos (art. 5º, inciso XLVI); que não haverá 
penas de morte (salvo em caso de guerra declarada, nos termos do art. 84, 
XIX), de caráter perpétuo, de trabalhos forçados, de banimento, e cruéis (art. 
5º, inciso XLVII); que a pena será cumprida em estabelecimentos distintos, 
de acordo com a natureza do delito, a idade e o sexo do apenado (art. 5º, 
inciso XLVIII); que é assegurado aos presos o respeito à integridade física e 
moral (art. 5º, inciso XLIX); que às presidiárias serão asseguradas condições 
para que possam permanecer com seus filhos durante o período de ama-
mentação (art. 5º, inciso L); que nenhum brasileiro será extraditado, salvo 
o naturalizado, em caso de crime comum, praticado antes da naturalização, 
ou de comprovado envolvimento em tráfico ilícito de entorpecentes e drogas 
afins, na forma da lei (art. 5º, inciso LI); que não será concedida extradição 
de estrangeiro por crime político ou de opinião (art. 5º, inciso LIl); que nin-
guém será processado nem sentenciado senão pela autoridade competen-
te (art. 5º, inciso LIII); que ninguém será privado da liberdade ou de seus 
bens sem o devido processo legal (art. 5º, inciso LIV); que aos litigantes, em 
processo judicial ou administrativo, e aos acusados em geral são assegura-
dos o contraditório e ampla defesa, com os meios e recursos a ela inerentes 
(art. 5º, inciso LV); que são inadmissíveis, no processo, as provas obtidas por 
meios ilícitos (art. 5º, inciso LVI); que ninguém será considerado culpado até 
o trânsito em julgado de sentença penal condenatória (art. 5º, inciso LVII); 
que o civilmente identificado não será submetido a identificação criminal, 
salvo nas hipóteses previstas em lei (art. 5º, inciso LVIII); que será admitida 
ação privada nos crimes de ação pública, se esta não for intentada no prazo 
legal (art. 5º, inciso LIX); que a lei só poderá restringir a publicidade dos atos 
processuais quando a defesa da intimidade ou o interesse social o exigirem 
(art. 5º, inciso LX); que ninguém será preso senão em flagrante delito ou por 
ordem escrita e fundamentada de autoridade judiciária competente, salvo 
nos casos de transgressão militar ou crime propriamente militar, definidos 
em lei (art. 5º, inciso LXI); que a prisão de qualquer pessoa e o local onde se 
encontre serão comunicados imediatamente ao juiz competente e à família 
do preso ou à pessoa por ele indicada (art. 5º, inciso LXII); que o preso será 
informado de seus direitos, entre os quais o de permanecer calado, sendo-
-lhe assegurada a assistência da família e de advogado (art. 5º, inciso LXIII); 
que o preso tem direito à identificação dos responsáveis por sua prisão ou 
por seu interrogatório policial (art. 5º, inciso LXIV); que a prisão ilegal será 
imediatamente relaxada pela autoridade judiciária (art. 5º, inciso LXV); 
que ninguém será levado à prisão ou nela mantido, quando a lei admitir a 
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liberdade provisória, com ou sem fiança (art. 52, inciso LXVI); que não ha-
verá prisão civil por dívida, salvo a do responsável pelo inadimplemento vo-
luntário e inescusável de obrigação alimentícia e a do depositário infiel (art. 
52, inciso LXVII); que será concedido "habeas-corpus" sempre que alguém 
sofrer ou se achar ameaçado de sofrer violência ou coação em sua liberdade 
de locomoção, por ilegalidade ou abuso de poder (art. 52, inciso LXVIII); que 
o Estado indenizará o condenado por erro judiciário, assim como o que ficar 
preso além do tempo fixado na sentença (art. 52, inciso LXXV); que o Brasil 
se submete à jurisdição de Tribunal Penal Internacional a cuja criação tenha 
manifestado adesão (art. 52, § 42); que é vedada a incomunicabilidade do 
preso (art. 136, § 32, inciso IV). 
c) O Direito Constitucional e o Direito Processual 
O Direito Constitucional mantém uma relação muito íntima com o Di-
reito Processual CiviF3 e Penal, na medida em que garante o acesso à justiça 
(art. 52, inciso XXXV); o devido processo legal (art. 52, inciso LIV); o contra-
ditório e a ampla defesa (art. 52, inciso LV); a inadmissibilidade, no proces-
so, de provas obtidas por meios ilícitos (art. 52, inciso LVI); o mandado de 
segurança individual e coletivo (art. 52, incisos LXIX e LXX); o mandado de 
injunção (art. 52, inciso LXXI); o "habeas-data" (art. 52, inciso LXXII); a ação 
popular (art. 52, inciso LXXIII); a assistência jurídica integral e gratuita aos 
que comprovarem insuficiência de recursos (art. 52, inciso LXXIV); a razoá-
vel duração do processo, no âmbito judicial e administrativo, e os meios que 
garantam a celeridade de sua tramitação (art. 52, inciso LXXVIII). 
A Constituição Federal ainda dispõe sobre um processo constitucional, 
regulando a ação direta de inconstitucionalidade por ação e ação decla-
ratória de constitucionalidade (art. 102, inciso I, "a"); a argüição de des-
cumprimento de preceito fundamental (art. 102, § 12) e a ação direta de 
inconstitucionalidade por omissão (art. 103, § 22), além de prever os efeitos 
das decisões nestas ações diretas (art. 102, § 22) e a sua legitimidade ativa 
ad causam (art. 103). 
d) O Direito Constitucional e o Direito do Trabalho 
É muito forte também o grau de intervenção do Direito Constitucional so-
bre o Direito do Trabalh024, situação que solta aos olhos quando se observa 
23. Conferir, a propósito, a excelente e completa obra de DIDIER JR, Fredie. Curso de Direito Processual 
Civil. Salvador: Editora Juspodivm, 04 v, 2007. Vide também: DIDIER JR, Fredie; WAMBIER, Luiz 
Rodrigues; GOMES IR, Luiz Manoel (Org). Constituição e Processo. Salvador: Editora Juspodivrn, 
2007; e DIDIER IR., Fredie (Org.). Ações Constitucionais. 2ª ed., Salvador: Editora Juspodivrn, 2007. 
24. Na literatura trabalhista, cumpre destacar as magníficas obras: RODRIGUES PINTO, José Augusto. 
Tratado de Direito Material do Trabalho. São Paulo: LTR, 2007; e CAIRO IR., José. Curso de Direito do 
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que é a Constituição que prevê os mais importantes direitos sociais do em-
pregado. 
Na Constituição Federal de 1988, há normas que asseguram aos traba-
lhadores urbanos e rurais, os seguintes direitos, além de outros que visem à 
melhoria de sua condição social: relação de emprego protegida contra des-
pedida arbitrária ou sem justa causa (art. 72, inciso I); seguro-desemprego, 
em caso de desemprego involuntário (art. 7º, inciso 11); fundo de garantia do 
tempo de serviço (art. 7º, inciso I1I); salário mínimo, capaz de atender a suas 
necessidades vitais básicas e às de sua família (art. 72, inciso IV); piso sala-
rial proporcional à extensão e à complexidade do trabalho (art. 72, inciso V); 
irredutibilidade do salário (art. 72, inciso VI); garantia de salário, nunca infe-
rior ao mínimo, para os que percebem remuneração variável (art. 7º, inciso 
VII); décimo terceiro salário com base na remuneração integral ou no valor 
da aposentadoria (art. 7º, inciso VIII); remuneração do trabalho noturno su-
perior à do diurno (art. 72, inciso IX); proteção do salário, constituindo crime 
sua retenção dolosa (art. 7º, inciso X); participação nos lucros, ou resulta-
dos, desvinculada da remuneração (art. 7º, inciso XI); salário-família (art. 72, 
inciso XII); duração do trabalho normal não superior a oito horas diárias e 
quarenta e quatro