Curso de Direito Constitucional   Dirley Cunha

Curso de Direito Constitucional Dirley Cunha


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semanais (art. 7º, inciso XlII); jornada de seis horas para 
o trabalho realizado em turnos ininterruptos de revezamento (art. 72, inciso 
XIV); repouso semanal remunerado, preferencialmente aos domingos (art. 
72, inciso XV); remuneração do serviço extraordinário superior, no mínimo, 
em cinqüenta por cento à do normal (art. 7º, inciso XVI); gozo de férias anu-
ais remuneradas com, pelo menos, um terço a mais do que o salário normal 
(art. 72, inciso XVII); licença à gestante, sem prejuízo do emprego e do salário, 
com a duração de cento e vinte dias (art. 7º, inciso XVIII); licença-paternida-
de (art. 7º, inciso XIX); proteção do mercado de trabalho da mulher, mediante 
incentivos específicos (art. 72, inciso XX); aviso prévio proporcional ao tempo 
de serviço, sendo no mínimo de trinta dias (art. 72, inciso XXI); redução dos 
riscos inerentes ao trabalho, por meio de normas de saúde, higiene e segu-
rança (art. 7º, inciso XXII); adicional de remuneração para as atividades pe-
nosas, insalubres ou perigosas (art. 7º, inciso XXIII); aposentadoria (art. 7º, 
inciso XXIV); assistência gratuita aos filhos e dependentes desde o nascimen-
to até 5 (dnco) anos de idade em creches e pré-escolas (art. 7º, inciso XXV); 
reconhecimento das convenções e acordos coletivos de trabalho (art. 72, inci-
so XXVI); proteção em face da automação (art. 72, inciso XXVII); seguro con-
tra acidentes de trabalho, a cargo do empregador, sem excluir a indenização 
Trabalho. 2ª ed., Salvador: Editora Juspodivrn, 2007. 
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a que este está obrigado, quando incorrer em dolo ou culpa (art. 7º, inciso 
XXVIII); ação, quanto aos créditos resultantes das relações de trabalho, com 
prazo prescricional de cinco anos para os trabalhadores urbanos e rurais, até 
o limite de dois anos após a extinção do contrato de trabalho (art. 7º, inciso 
XXIX); proibição de diferença de salários, de exercício de funções e de crité-
rio de admissão por motivo de sexo, idade, cor ou estado civil (art. 7º, inciso 
XXX); proibição de qualquer discriminação no tocante a salário e critérios 
de admissão do trabalhador portador de deficiência (art. 7º, inciso XXXI); 
proibição de distinção entre trabalho manual, técnico e intelectual ou entre 
os profissionais respectivos (art. 7º, inciso XXXII); proibição de trabalho no-
turno, perigoso ou insalubre a menores de dezoito e de qualquer trabalho a 
menores de dezesseis anos, salvo na condição de aprendiz, a partir de qua-
torze anos (art. 7º, inciso XXXIII); igualdade de direitos entre o trabalhador 
com vínculo empregatício permanente e o trabalhador avulso (art. 7º, inciso 
XXXIV); liberdade de associação profissional ou sindical (art. 8º); direito de 
greve (art. 9º); participação dos trabalhadores nos colegiados dos órgãos pú-
blicos em que seus interesses profissionais ou previdenciários sejam objeto 
de discussão e deliberação (art. 10). 
e) O Direito Constitucional e o Direito Civil 
A relação entre o Direito Constitucional e o Direito CiviFs sofreu intensa 
modificação nos últimos dois séculos, passando da separação absoluta à ín-
tima convivência. 
Num primeiro momento, o Direito Constitucional se limitava a estudar 
e sistematizar as estruturas políticas do Estado, enquanto pertencia ao Di-
reito Civil a regência das relações privadas, situação que tornava estas duas 
disciplinas distantes e incomunicáveis. 
Numa segunda etapa, tendo em vista a maior presença do Estado no âm-
bito das relações sociais e econômicas, reivindicada pelo constitucionalismo 
social, dá-se início a um processo natural de publicização do Direito Privado, 
com o Estado limitando a autonomia privada e conduzindo, com normas de 
ordem pública, as relações negociais, caracterizando a fase do dirigismo con-
tratual. 
Finalmente, a partir da segunda metade do século XX, e no Brasil 
particularmente com o advento da Constituição de 1988, surge o fenômeno 
25. Vide os obras de: FARIAS. Cristiano Chaves de. Direito Civil. Teoria Geral. 6ª ed .\u2022 Rio de janeiro: 
Lumen juris. 2007; e GAGLIANO. Pablo Stolze; PAMPLONA FILHO. Rodolfo. Novo Curso de Direito 
Civil. São Paulo: Saraiva. 04 v. 
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DIREITO CONSTITUCIONAL 65 
da Constitucionalização do Direito Civil,26 com a sujeição de suas normas e 
institutos aos princípios e regras constitucionais. De fato, valores constitu-
cionais como dignidade da pessoa humana, solidariedade social e igualdade 
substancial marcam decisivamente a mudança do Direito Civil contemporâ-
neo, outrora de base patrimonial, para fincar as suas raízes no terreno do 
humanismo, provocando uma despatrimonialização deste ramo do Direito, 
o que inevitavelmente levará à sua repersonalização, exigindo-se de todos 
uma releitura do Direito Civil a partir das lentes da Constituição e em conso-
nância com os valores humanos. 
Esse fenômeno da Constitucionalização do Direito Civil tem gerado, como 
importante conseqüência, a aplicabilidade dos direitos fundamentais às re-
lações privadas, tema que atualmente vem ocupando um grande espaço na 
doutrina, onde é examinado normalmente com a designação de eficácia ho-
rizontal dos direitos fundamentais (Drittwirkung), para esclarecer que os di-
reitos fundamentais não são direitos apenas oponíveis aos poderes públicos, 
irradiando efeitos também no âmbito das relações particulares, circunstân-
cia que autoriza o particular a sacar diretamente da Constituição um direito 
ou uma garantia fundamental para opô-lo a outro particular, o que reduz em 
demasia o campo da autonomia privada. 
A Constituição de 1988 logrou superar paradigmas tradicionais do Di-
reito Civil, como assegurando a igualdade entre os homens e as mulheres 
em direitos e obrigações (art. 5º, inciso I) e pondo fim a superioridade no 
marido no casamento, de modo que os direitos e deveres referentes à so-
ciedade conjugal são exercidos igualmente pelo homem e pela mulher (art. 
226, § 5º). Ademais, reconhece a união estável entre o homem e a mulher 
como entidade familiar (art. 226, § 3º), sinalizando para a proteção das uni-
ões homoafetivas. Outrossim, garante a igualdade dos filhos, havidos ou não 
da relação do casamento, ou por adoção, em direitos e qualificações, proi-
bidas quaisquer designações discriminatórias relativas à filiação (art. 227, 
§ 6º), além de consagrar, ineditamente, a paternidade sócioafetiva, "que é 
incentivada pela própria Carta Magna, na medida em que esta elegeu, como 
princípio fundamental, ou princípio dos princípios, a dignidade da pessoa 
humana, da qual se extrai o direito de ser feliz, que envolve, inegavelmente, 
as relações afetivas': provocando uma "mudança do paradigma de família, 
o qual antes tinha como base o elemento genético ou biológico, passando 
a ter como fundamento e base o primado da afetividade, sendo, portanto, a 
26. Conferir. a propósito do terna. a bela obra de FARIAS. Cristiano Chaves de. Direito Civil. Teoria Geral. 
6ª ed .\u2022 Rio de janeiro: Lumen Juris. 2007. em especial a partir da p. 20. 
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verdadeira paternidade aquela resultante da relação de fato e de afeto, e não 
mais a de origem puramente biológica"27\u2022 
fJ O Direito Constitucional e o Direito Tributário 
É o Direito Constitucional que delineia o sistema tributário nacional, 
dando o conceito de tributo, discriminando a competência tributária e es-
tabelecendo um regime tributário, através da fixação de limites ao poder de 
tributar. 
O conceito de tributo é nitidamente um conceito constitucional e não le-
gal. Por essa razão, afirmava Geraldo Ataliba, com propriedade, que se cons-
trói "o conceito jurídico-positivo de tributo pela observação e análise das 
normas jurídicas constitucionais"28\u2022 Assim, pondera o saudoso mestre, que o 
conceito legal de tributo deve ser examinado com cautela, a fim de que não 
ocorram inconstitucionalidades.