A FORMAÇÃO DE UM LIDER
313 pág.

A FORMAÇÃO DE UM LIDER


DisciplinaR110 materiais261 seguidores
Pré-visualização50 páginas
mas, no final, eles nos ajudarão a entender em quem devemos depositar 
nossa confiança: não em quem não a merece, mas nAquele que faz jus a ela. 
A triste verdade é que as pessoas nem sempre são confiáveis. Se você 
estiver num círculo de pessoas e colocar sua confiança nelas, posso assegurar-lhe 
que, cedo ou tarde, uma ou mais entre elas irão decepcioná-lo. Alguém vai 
desapontá-lo fazendo algo que você não esperava que fizesse ou não fazendo o 
que você esperava que fizesse. Isso faz parte da natureza humana. 
Quando isso acontece conosco, Deus tenta nos poupar de um grande 
sofrimento dizendo: "Por que você não depositou sua confiança em mim desde o 
princípio?" 
Claro que podemos ter relacionamentos com os outros. Podemos confiar nas 
pessoas, embora somente até certo ponto. Mas, quando depositamos nas pessoas 
a confiança que deveria ser depositada apenas em Deus, Ele acaba nos revelando 
as fraquezas delas, para que saibamos que colocamos nossa confiança em quem 
não deveríamos. 
Como Deus prepara um líder? Ele nos dá uma série de testes, pois eles 
fazem com que as impurezas de nossa vida subam à superfície, de onde podem 
ser removidas. Nada melhor para mostrar quem realmente somos do que um teste. 
Minha filha, certa vez, compartilhou algo sobre o ponto em que estava com 
relação à manutenção da paz interior. Estava buscando não ficar irritada com as 
pequenas coisas do dia-a-dia que saíssem errado. No dia seguinte, quando ia 
passar requeijão em sua torrada, derrubou-o no chão da cozinha. Ela o pegou e o 
jogou no lixo. Por esse teste ela viu onde se encontrava em sua tentativa de viver 
em paz. É verdade que ela não chegou a jogar o vidro no chão, como teria feito um 
ano antes. Mas também não reagiu do modo calmo como sabia que deveria 
naquela situação. 
Deus continua nos dando pequenos testes como esse e nos faz passar por 
eles várias vezes até que aprendamos. Os testes não mudam, mas nós mudamos. 
Não seria maravilhoso se chegássemos ao ponto de não nos irritarmos com as 
pequenas coisas da vida? 
Eu mesma já tive um desejo tão grande de paz que finalmente decidi que 
faria qualquer ajuste necessário em minha vida para obtê-la, pois eu não queria 
mais ficar chateada o tempo todo. Descobri que não eram as circunstâncias que 
deveriam mudar, e sim eu mesma. 
Na verdade, alguns passam a vida toda tentando mudar tudo e todos, 
tentando controlar os outros, tentando controlar o diabo e tentando controlar suas 
circunstâncias, sem perceberem a verdadeira fonte de nossa infelicidade e tristeza. 
Essas pessoas saem por aí dizendo: "Senhor, não sou feliz. O diabo está me 
incomodando. Os outros estão falhando comigo, me decepcionando. Preciso de 
certas coisas para me sentir feliz, e o Senhor não as dá a mim". Mas quem age 
assim nunca muda porque sempre espera que os outros ou as circunstâncias 
mudem. 
Deus quer usar todas essas pessoas e coisas de que não gostamos para 
nos aperfeiçoar. E, quando mudamos, ou elas desaparecerão, ou não nos 
incomodarão mais; de qualquer forma, não fará mais diferença. 
 
EM QUEM VOCÊ ESTÁ DEPOSITANDO SUA CONFIANÇA? 
Afastai-vos, pois, do homem [fraco e moribundo] 
cujo fôlego [que dura pouco tempo] está no seu nariz. 
Pois em que é ele estimado? 
Isaías 2.22. 
 
Aqui Deus está nos perguntando: "Por que estão depositando sua confiança 
em frágeis mortais, que só vivem pouco tempo? Que valor eles têm em si 
mesmas? Ora, depositem sua confiança em mim". 
No versículo seguinte, em Isaías 3.1, lemos: Porque eis que o Senhor, o 
Senhor dos Exércitos, tira de Jerusalém e de Judá o sustento e o apoio, todo 
sustento de pão e todo sustento de água. Aqui, o Senhor está dizendo que ele está 
tirando de seu povo todo apoio humano. 
O que acontece conosco quando nossos apoios \u2014 escoras \u2014 são tirados de 
nós? Descobrimos em que estamos realmente nos apoiando; onde estamos 
enraizados e firmados. Vou dar um exemplo. 
Meu marido, Dave, e eu jogamos golfe com freqüência. No campo de golfe, 
há geralmente alguns galhos plantados que se transformarão em árvores algum 
dia. Essas pequeninas plantas são tão pequenas e fracas que, normalmente, têm 
algumas estacas pequenas presas ao lado delas para apoiá-las, porque elas não 
têm força ou raízes. Sem essas estacas para apoiá-las, o vento ou a chuva poderia 
destruí-las. 
Quando somos recém-convertidos, também somos assim. Quando 
começamos a andar com Deus, precisamos de um sistema de apoio, algo que nos 
ajude a ficar firmes e fortes. Precisamos de um grupo de pessoas ao nosso redor 
para que estudemos a Bíblia, oremos e busquemos ao Senhor. Se não tivermos 
esse sistema de suporte, quando vierem as tempestades da vida contra nós, nos 
arrastarão para longe. 
Esse sistema de apoio pode ter várias formas, mas seja ele qual for, logo 
Deus irá começar a tirá-lo de nós. Num primeiro momento, isso parece ser algo 
assustador porque não compreendemos direito e não gostamos muito disso. 
Começamos a dizer coisas como: "Oh, Senhor, tenho de desistir daquela reunião 
de oração? Não sei se consigo passar a semana sem ela. O Senhor quer mesmo 
que eu pare de ir ao aconselhamento e busque somente ao Senhor? O Senhor 
quer que eu pare de entrar na fila das pessoas que vão receber oração e confie 
somente no Senhor para me curar? Ah, não sei se consigo ficar firme sem isso". 
Os suportes que Deus começa a remover de nós podem ser coisas que nos 
dão grande prazer ou satisfação; coisas como cantar ou tocar um instrumento 
musical, ou ser parte do grupo de louvor. Então, subitamente, por alguma razão, 
perdemos essa posição, ou Deus exige que a deixemos. E então que descobrimos 
o quanto nosso senso de valor depende das coisas que fazemos. 
Durante uma época, fui co-pastora numa igreja em Saint Louis. Trabalhei lá 
durante cinco anos. Gostava do meu trabalho. Tinha meu grupinho de amigos lá. 
Todos me conheciam. Eu tinha uma cadeira reservada na fila da frente e uma vaga 
com meu nome para estacionar o carro. Eu me achava realmente importante. 
Como tive um passado muito sofrido, no qual não recebera o tipo de amor e 
cuidado de que precisava para saber quem eu era em Cristo, não percebia que o 
meu senso de valor pessoal estava baseado nas coisas que eu fazia. Embora o 
meu chamado fosse aquele e Deus quisesse que eu o cumprisse, Ele não queria 
que eu dependesse daquilo. Ele queria que eu soubesse distinguir entre o que eu 
estava fazendo para Ele e quem eu era nEle, para que, mesmo que eu não mais 
fizesse o que estava fazendo, meu senso de valor pessoal continuasse intacto. Ele 
não queria que eu pensasse que se não fosse mais professora e pregadora não 
seria ninguém. 
Mesmo depois que deixamos de fazer coisas mundanas e passamos a fazer 
obras cristãs quando aceitamos a Jesus como Salvador, ainda trazemos parte da 
bagagem e do lixo antigo conosco; ainda fazemos o jogo mundano, porém 
colocando nele uma maquiagem "cristã". Ainda tentamos alcançar certos privilé-
gios por meio de manipulação. Ainda tentamos nos associar às "pessoas certas" 
para garantir que estaremos no "grupo certo" que nos ajudará a chegar aonde 
queremos. 
Precisamos aprender a parar de tentar nos promover e deixar que Deus nos 
coloque onde Ele quiser. Descobri que Deus não tem de me manter onde me 
colocou. Agora, se eu me colocar em algum lugar, então eu mesma tenho de 
"bancar" minha permanência ali. E isso não é nada fácil. 
Na minha vida, Deus teve de derrubar muitas estacas nas quais eu me 
apoiava. Ele me tirou do trabalho onde eu estava, na igreja de Saint Louis. Depois 
de um tempo, quando eu ia para a igreja no domingo de manhã, já não tinha mais 
minha cadeira reservada nem minha vaga de estacionamento