CONSEQUÊNCIAS DO JEJUM INTERMITENTE SOBRE
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CONSEQUÊNCIAS DO JEJUM INTERMITENTE SOBRE


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perda de peso. Para os que receberam 
diagnóstico de obesidade o protocolo foi nas mesmas 
condições de jejum intermitente em dias alternados. Nos 
dias de jejum, eles ingeriam 25% das necessidades 
energéticas, e nos dias normais podiam comer de forma 
irrestrita. Ao final do estudo, a perda de peso foi, em 
média, de 5,6 kg. Houve redução nos níveis de 
lipoproteína de baixa densidade (LDLc), triglicerídeos e 
pressão arterial sistólica, sem alterações na lipoproteína 
de alta densidade (HDLc). 
Varady et al. (2013) observaram que no grupo 
jejum houve redução de peso (5,2 kg), LDLc, 
triglicerídeos, pressão arterial sistólica e diastólica, e 
leptina. O grupo controle não apresentou alteração em 
qualquer um dos parâmetros avaliados no estudo. 
A maior comparação randomizada entre jejum 
intermitente e restrição energética contínua em seres 
humanos foi realizada por Harvie et al. (2011). 
Constataram melhoras comparáveis, em ambos os 
grupos, no que diz respeito à proteína C-reativa 
(marcador de inflamação), LDLc, triglicerídeos, pressão 
arterial e leptina. Entretanto, o grupo que realizou o 
jejum em 2 dias da semana apresentou reduções mais 
significativas nos marcadores de resistência à insulina e 
peso. 
Harvie et al. (2013) utilizaram o protocolo 5:2 (5 
dias consecutivos por semana e 2 dias de intermitente 
com 70% de restrição energética e no máximo de 40 g 
de carboidrato). Para perda de peso foram necessários 
3 meses e para manutenção do peso 1 mês. O resultado 
foi que houve maior adesão na restrição calórica no 
grupo intermitente e maior redução de peso e resistência 
à insulina nos dois grupos. Durante a fase de 
manutenção do peso, o grupo intermitente manteve as 
reduções de resistência à insulina e peso. No curto 
prazo, jejum intermitente é superior à restrição calórica 
no que diz respeito à melhoria da sensibilidade à insulina 
e a redução da gordura corporal. 
Bhutani et al. (2013) perceberam que houve um 
aumento percentual da massa magra como efeito do 
jejum de dias alternados com exercício de endurance. 
No estudo de Hayward et al. (2014) sugerem que 
o jejum intermitente sozinho pode não ser efetivo na 
diminuição do percentual de gordura corporal. No 
entanto, quando emparelhado com o treinamento de 
A. K. M. DOS SANTOS 
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resistência, a massa magra pode ser mantida e/ou a 
gordura corporal pode ser reduzida, melhorando assim a 
composição corporal. 
Um forte indício de que o aumento de 
desempenho provocado pelo treinamento em jejum 
esteja ligado à um aperfeiçoamento da utilização de 
gorduras como substrato. Estudos recentes sugerem 
que um mecanismo desconhecido, na ocorrência de 
depleção de glicogênio no fígado e no músculo 
esquelético, estimula um aumento na oxidação de 
gorduras no organismo (PHILP; HARGREAVES; BAAR, 
2012; IZUMIDA et al., 2013). Iwayama et al. (2015) 
observaram que jovens treinados ao realizar exercício 
aeróbio no período pós-absortivo, ou seja, após jejum 
noturno, apresentaram 24 horas após a atividade um 
maior consumo de energia através da oxidação de 
lipídios que quando realizam exercício após alimentados. 
Ao observar a relação do jejum intermitente com 
treinamento resistido, os resultados de Trabelsi et al. 
(2013) demonstraram que não houve alteração na 
composição corporal nem no desempenho dos mesmos 
de acordo com a opção do treino em jejum ou alimentado 
e Dannecker et al. (2013) não encontraram diferenças 
nos indicadores de dano muscular após uma sessão de 
exercícios resistidos, sugerindo que o jejum também não 
influencia na recuperação muscular pós-treino dos 
indivíduos. 
Aziz et al. (2010) perceberam que houve uma 
diminuição na distância percorrida durante o 
contrarrelógio, assim como uma diminuição da 
velocidade média durante os últimos minutos do teste. 
Isto pode sugerir a ocorrência de uma fadiga mais rápida 
e redução do volume de oxigenação máxima (VO2máx) 
e/ou limiar anaeróbio, o que vai contra as adaptações 
fisiológicas normalmente encontradas como 
consequência do aumento das sirtuínas, que deveriam 
manter ou melhorar a resistência aeróbica e aumentar o 
limiar de lactato (SUMMERMATTER et al., 2013; 
ROMANINO et al., 2011). 
No estudo de Klempel et al. (2010) durante o 
período experimental o nível de atividade física dos 
indivíduos permaneceu o mesmo, independente da fase 
do estudo, sugerindo que o jejum não influenciou na 
disposição para atividade física. 
Moraes (2016) trabalhando com ratos, avaliando 
o jejum intermitente em dois grupos (JI, JI+EX) observou 
que quando implantado só o JI não se verificou 
alterações significativas em relação à gordura corporal, 
as quais foram bastante intensas no JI+EX. Já em 
relação à composição corporal observou-se 
emagrecimento em ambos os grupos. Uma vez que os 
poucos estudos existentes na literatura, associando 
jejum intermitente com exercício, apresentam resultados 
controversos sobre o benefício da associação destas 
duas estratégias, supõe-se que os resultados negativos 
ligados ao jejum intermitente e treinamento estão 
associados a avaliações agudas, e que o caráter 
intermitente de ambos, de maneira crônica, provocará 
uma melhoria no desempenho físico, assim como no 
metabolismo e composição corporal. 
 
COSIDERAÇÕES FINAIS 
Com base nos estudos realizados foi possível 
caracterizar as consequências do jejum intermitente, 
verificando que o mesmo pode trazer resultados 
positivos ou negativos. Apesar dos estudos disponíveis 
apresentarem populações muito reduzidas em relação 
ao montante de pessoas acometidas por doenças 
crônico-degenerativas ou praticantes de esportes, 
observaram-se resultados benéficos com esta 
intervenção, sendo viável e acessível para a maioria dos 
indivíduos. Novos estudos clínicos são necessários para 
testar a sua eficácia na prevenção e no controle de 
doenças metabólicas, bem como, nos esportes de 
rendimento. 
 
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