O ciclo da auto sabotagem
120 pág.

O ciclo da auto sabotagem


DisciplinaPsicologia63.797 materiais447.490 seguidores
Pré-visualização47 páginas
são tão impressionantes e debilitantes que têm de ser tratados
em primeiro lugar. A terapia não pode ser bem-conduzida quando esses sintomas estão se manifestando. Por isso, se os pacientes
levantam questões de abuso de substâncias, digo-lhes:
1. Não posso trabalhar com você se estiver usando drogas ou álcool;
2. É fundamental que você comece num programa de 12 passos; e
3. Depois que tiver parado de fazer uso de substâncias e se engajado efetivamente no programa dos 12 passos, volte u me
procurar e eu ficarei feliz em trabalhar com você.
Faço isso porque a terapia individual não pode ter êxito se o paciente estiver usando drogas, e o tratamento mais eficaz é uma
combinação do programa dos 12 passos com a psicoterapia, depois que o período de abuso de substâncias tiver sido superado.
A razão disso reside na configuração das interações psicofisiológicas. Quando discutimos o abuso de substâncias, temos de
encarar o fato de que, na maior parte dos casos, as dependências constituem uma exceção às outras formas de intervenção
psicoterapêutica, especialmente as dependências em que a contribuição de fatores físicos é maior que a de fatores emocionais.
Em muitos casos de alcoolismo, por exemplo, há um histórico familiar de abuso de álcool. Em alguns casos, tem-se a impressão de
que o alcoólatra tem quase uma reação \u201calérgica\u201d ao álcool. O álcool é o equivalente a andar através de um caminho repleto de
heras venenosas. Para a maioria das pessoas, a hera venenosa deve ser evitada, porque as consequências são evidentes. A
pessoa ficará com uma terrível erupção cutânea, que coçará muito e causará um sério desconforto. A solução é evitar a hera
venenosa. Essa é uma reação fisiológica, Se o indivíduo insistir repetidamente em atravessar o caminho de heras venenosas, é
provável que seja uma característica de autopunição.
Isso também acontece com pessoas que sabem que a sensibilidade ao álcool é algo hereditário, que existe uma inclinação
hereditária para a dependência de álcool, com consequências desastrosas. Elas estão cientes, em primeira mão, dos efeitos do
alcoolismo. Sabem que, como filhos de alcoólatra, estão sob sério risco de se tornar alcoólatras. Mas acabam bebendo em
excesso, repetindo a vida completamente destrutiva dos pais. Há tantos exemplos de famílias destroçadas, de divórcios e de
traumas por causa do alcoolismo, que é desnecessário citá-los.
Muitos alcoólatras, é claro, negam que sua bebedeira seja um problema. Eles dizem que comparecem ao trabalho todo dia,
que voltam para casa toda noite - sem problema algum. Eles não colocam em foco aquilo que acontece quando voltam para casa.
Bebem, e tornam-se agressivos. Ou bebem e, em uma noite, são agressivos; na noite seguinte, são alegres. O seu comportamento
é tão imprevisível que ninguém pode confiar neles; ninguém sabe o que esperar. Alguns deles admitem o alcoolismo depois que são
flagrados dirigindo alcoolizados, outros se dão conta quando caem bêbados na sarjeta. Alguns exigem a intervenção de membros
da família fortalecendo-os e confrontando-os com seu alcoolismo e com os danos que sua bebedeira estão causando a si e àqueles
que gostam deles. Alguns filiam-se ao AA, enquanto outros recusam-se permanentemente a fazer isso. Uns, em um ato de
desespero, vão para centros de reabilitação e ficam sóbrios com o apoio permanente do AA. Outros ficam sóbrios mas depois
começam a beber de novo.
Há casos em que não há um histórico familiar e, por isso, nenhum antecedente hereditário. Aqui, a contribuição de fatores
emocionais ao alcoolismo é maior do que a de fatores físicos. Alguns desses indivíduos conseguem parar de beber \u201cna marra\u201d.
Conseguem por conta própria, embora seja algo difícil e os resultados a longo prazo sejam questionáveis.
De modo similar, não se considera, geralmente, que a maconha tenha um fundamento fisiológico, embora provoque
consequências físicas. O uso persistente e repetitivo da maconha afeta a motivação e a iniciativa do indivíduo, sua vida familiar e,
de modo geral, seu desempenho no trabalho.
Al era casado, tinha 30 anos, e começou a usar maconha no ensino médio. Embora fosse inteligente, não conseguia terminar
as tarefas escolares, e não se diplomou. Arranjou, finalmente, um diploma equivalente e iniciou um programa de treinamento em
eletrônica. Aprendeu rapidamente, e era bom nessa ocupação que exigia participação ativa, embora tivesse dificuldade de
permanecer na mesma empresa por um longo período de tempo. Ele não estava feliz com o trabalho, sentia-se chateado e inquieto.
Fumava maconha toda noite e nos fins de semana. Dizia que era a única forma de escapar de sua existência monótona. Tinha
amigos, e todos eles também usavam maconha. Ele poderia ter continuado nesse caminho, mas um de seus supervisores
descobriu o que Al estava fazendo. E teve uma conversa com ele. Explicou-lhe que havia possibilidade de um futuro para ele
naquela empresa, com oportunidade de crescimento, mas não no ritmo que estava indo. Ele relacionava as limitações de Al no
trabalho ao fato de consumir maconha. Mais ou menos na mesma época, Al se envolveu com uma moça de quem gostava muito.
Ela também ficou sabendo que ele fazia uso pesado de maconha e disse-lhe que não poderia continuar o relacionamento naquelas
circunstâncias. A confluência dessas duas experiências o afetou profundamente. Ele estava aborrecendo a namorada e colocando
em risco seu futuro profissional. Al conseguiu parar de fumar maconha. É claro, há uma psicodinâmica por trás do abuso de
maconha da parte de Al, mas ele não estava interessado em mergulhar no passado ou nas razões para precisar desse tipo de fuga.
Ele queria seguir em frente na profissão e ficar com a namorada, e isto foi o suficiente para dar fim ao seu vício em maconha.
Em contraste com a maconha, há drogas que mimetizam e, às vezes, precipitam episódios psicóticos, resultando muitas vezes
em suicídio. Os alucinógenos, o LSD, o peiote e a mescalina levam à depressão, ideação paranoica, distorções de percepção e a
outras falhas cognitivas. E há sérios \u201cflashbacks\u201d, experiências recorrentes desses sintomas induzidos pelas drogas que perduram
por longo tempo depois que o uso do alucinógeno é interrompido.
Vivemos na cultura das drogas. Com a proliferação das drogas no mercado, inclusive daquelas cuja finalidade é medicinal, há
uma excelente oportunidade para o abuso destas substâncias. Medicamentos prescritos com fins terapêuticos, para alívio da dor,
tranquilizantes, alívio de ansiedade e de depressão podem provocar dependência e ser usados impropriamente. Podem acabar
indo parar nas mãos de crianças ou ser comprados nas ruas, causando os mais variados transtornos.
James se envolveu em um acidente de motocicleta. Quebrou alguns ossos e estava com muitas dores. Foi prescrito Percocet
para aliviar os sintomas. James se tornou dependente e continuou a aviar receitas onde conseguia. Faltou ao emprego, na área de
construção civil. Foi demitido. Viu-se compelido a usar de meios ilegais para conseguir dinheiro, a fim de sustentar o vício. Quando
a mulher exigiu que ele fizesse terapia, prometeu que nunca mais usaria drogas. Ele deixou de usar a droga por uma semana.
Chegou à terapia jurando que não estava mais fazendo uso da droga - mas, de fato, estava. Parou com a terapia. Só posso supor
que as coisas para James tenham seguido ladeira abaixo.
Essa história pode ser repetida no uso da cocaína, do crack, da heroína etc. Todos nós já ouvimos falar dos comportamentos
criminosos de pessoas desesperadas para arranjar dinheiro e comprar drogas, e das terríveis consequências de não pagar os
fornecedores.
DEPENDÊNCIA DE JOGOS DE AZAR E DE SEXO
Seria muito óbvio dizer que o jogo destrói vidas? Algumas pessoas jogam para fugir da pressão do dia a dia, enquanto outras
jogam para provar a si que podem desafiar todas as possibilidades. Qualquer que seja o motivo, os resultados podem ser
devastadores. O indivíduo que participa