Avaliação Psicológica
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Avaliação Psicológica


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incapaz 
na aula de estatística\u201d. Por outro lado, entre aqueles com mais 
discordância estavam: \u201cEu gosto de estudar estatística em casa\u201d e 
\u2018T.u acredito que eu posso ser um estatístico ou um cientista futu- 
tamente\u201d. Em outro estudo, que avaliou a atitude de estudantes
i Ir psicologia em relação à estatística, Vendramini, Silva e Dias 
(<;.009) verificaram que o desempçnho na disciplina de estatística 
\u2022\u2022\u2022.lava bastante relacionado com a afirmação: \u201cA estatística me faz 
uimu ir como se estivesse perdido em uma selva de números e sem 
t lu ontrar saída\u201d.
'Também no Brasil, Noronha, Nunes e Ambiel (2007) obser­
v a i am que os estudantes de psicologia atribuem pouca importância 
p a r a o uso da estatística nas práticas de avaliação psicológica. 
Alrm disso, os dados sugerem que os estudantes de primeiro ano 
t r i a l aram ter mais domínio em estatística do que os do quinto ano. 
\u2018 i^i seja, parece ocorrer algum fenômeno que faz os alunos perce- 
l-rirm que \u201cdesaprendem\u201d estatística ao longo do curso.
( ,'om os estudos citados, pode perceber-se que a estatística é 
uir\u2019.mo percebida por futuros psicólogos como um \u201cbicho de sete
< ahrças\u201d. Mas talvez você não tenha percebido que, nos últimos 
ti* , parágrafos, várias informações e vários conceitos estatísticos 
Iniam passados. Possivelmente, você tenha lido os parágrafos e
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Avaliação psicológica: guia de consulta para estudantes e profissionais de psicologia
compreendido as informações, sem que isso lhe causasse nenhuma 
ansiedade ou lhe fizesse sentir-se em uma selva sem saída. E esse é
o objetivo deste capítulo: apresentar conceitos estatísticos básicos 
e essenciais para uma boa utilização e compreensão de manuais e 
de testes psicológicos de uma forma simples e clara.
Contudo, antes de prosseguir, é necessário dar-se uma boa e 
uma má notícia. A má é que, por maior que tenha sido o esforço, 
não foi possível livrar você, leitor, da apresentação de algumas 
fórmulas. Mas não se preocupe. A boa notícia é que você não 
precisa fazer cálculos ou grandes operações matemáticas para 
utilizar a estatística no seu dia a dia de estudante de psicologia ou 
de pesquisador. Existem softwares que farão o trabalho por você, 
tais como o Microsoft Excel ou o Statical Package for Social Sciences,
o popular SPSS.
A estatística na psicologia
A \u201cparceria\u201d entre psicologia e estatística não é nova. Histo­
riadores apontam que no século XIX o caminho da psicologia 
rumo ao seu reconhecimento como ciência demandou a adoção 
de métodos que viabilizassem a quantificação de características 
psicológicas. Concomitantemente, os primeiros pesquisadores 
interessados em conhecer os processos psicofísicos das pessoas 
começaram a fazer uso de procedimentos estatísticos para atribuir 
validade científica aos seus achados (Sass, 2008).
No momento histórico inicial da psicologia como ciência, um 
dos pesquisadores que melhor utilizaram a estatística em seus 
estudos foi Galton. Em seus experimentos, ele, que era biólogo,
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I viveram felizes para sempre&quot;: a longa (e necessária) relação entre psicologia e estatística
cst udava as diferenças individuais das pessoas, com a preocupação 
dc* compreender como a hereditariedade e o ambiente poderiam 
míluenciar no desenvolvimento e na manifestação de traços 
( aracterísticos de cada um. Nessa empreitada, Galton teve a ajuda 
dc Cattell, que mais tarde viria a se tornar um dos principais cien- 
list as no campo da personalidade (Memória, 2004, Schultz & 
Srluiltz, 2007).
No início do século XX, surgiram os primeiros testes psicoló­
gicos, tal como são conhecidos atualmente. Urbina (2007) afirma 
t|uc, nessa época, as sociedades urbanas, industriais e democrá­
ticas começavam a se consolidar e, em conseqüência desses novos 
t onceitos sociais, tornou-se imperativo tomar decisões sobre 
prvssoas de forma justa e considerando suas características pessoais 
nu diversas áreas, tais como nos contextos laborai, educacional e 
d.i saúde.
A partir desse avanço inicial, ao longo do século XX as testagens 
psicológica e educacional se desenvolveram sobremaneira, com 
u contribuição e o refinamento das análises estatísticas (Urbina, 
/007). Além disso, a necessidade de selecionar soldados para as 
gtaiides guerras mundiais e o surgimento de softwares e pacotes 
guiai ísticos possibilitaram tornar os instrumentos de avaliação 
Cüda vez mais válidos e precisos.
I Vssa forma, após uma breve contextualização histórica sobre 
fi u s o tia estatística pela psicologia, alguns conceitos básicos serão 
postos. É importante notar que a intenção deste capítulo, bem 
4^'mo da disciplina de estatística nas faculdades de psicologia, não 
$ lonnar estatísticos e, sim, instrumentalizar os estudantes e os 
l^itili.ssionais da psicologia para uma boa utilização de manuais de 
s i r : , psicológicos e aplicação em pesquisa.
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Avaliação psicológica: guia de consulta para estudantes e profissionais de psicologia
População e amostra
A estatística é um ramo de conhecimento formado por um 
conjunto de métodos matemáticos que ajudam as pessoas a tomar 
decisões. O termo é derivado de status (estado) e pode ter duas 
interpretações: estado, enquanto condição atual de determi­
nada situação (por exemplo, \u201cmeu estado financeiro atual está 
péssimo\u201d); ou Estado, enquanto administração pública, ou seja, 
métodos adotados pelo Estado para monitorar o desenvolvimento 
de alguma característica da população (por exemplo, \u201ca renda per 
capita do brasileiro subiu 5% nos últimos anos\u201d) (Memória, 2004).
Ao trazer essa ideia para a psicologia, é necessário lembrar que 
geralmente se falará sobre pessoas. A esse respeito, é importante 
entender que a estatística, sendo um conjunto de métodos, vai 
informar sobre os dados que estiverem disponíveis, seja qual for 
a fonte da coleta. Por exemplo, em exames médicos clínicos, a 
estatística ajuda os médicos a entender a condição de saúde do 
examinado a partir de uma amostra de alguma substância bioló­
gica, como o sangue. Na psicologia, os dados dizem respeito a 
comportamentos coletados de uma parte da população (Pasquali, 
2010).
Essa noção é primordial para a compreensão dos próximos pas­
sos: dificilmente será possível para um psicólogo fazer uma pesquisa 
com toda uma população e, por isso, seleciona-se uma amostra 
para a realização da pesquisa. Portanto, uma amostra é uma parte 
de uma população, selecionada com base em algum critério. Popu­
lação, por sua vez, é o conjunto de todos os indivíduos de uma 
determinada classe. Por exemplo, um pesquisador quer verificar 
os níveis do traço de personalidade Extroversão em estudantes
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I viveram felizes para sempre&quot;: a longa (e necessária) relação entre psicologia e estatística
do psicologia brasileiros; a população em questão seria composta 
por todos os estudantes de psicologia do Brasil, de todas as uni­
versidades, de todas as cidades, de todos os estados brasileiros 1 1 0 
momento da pesquisa. Como isso seria muito complicado e caro,
\u2022 > pesquisador seleciona uma amostra de estudantes de psicologia 
para realizar seu estudo, a qual pode ser uma turma, algumas tur­
mas de uma universidade, algumas universidades de um estado ou, 
aleatoriamente, uma parte dos estudantes de psicologia do Brasil.
É claro que, quanto menos aleatória for a seleção da amostra, 
maior a possibilidade de tendenciosidade dos dados, ou seja, as 
informações são relativas apenas àquela pequena amostra, e o 
pesquisador não pode generalizar os dados. Por exemplo, seria
1 1 rado que um estudo cujos dados foram coletados em apenas uma 
muna de psicologia da Universidade Estadual de Londrina (UEL), 
1 1 1 ) Paraná, concluísse que os resultados encontrados, naquela 
amostra, refletem as características dos estudantes de psicologia 
do Brasil. Aliás, não é possível nem generalizar para os futuros 
p-.ícólogos