Avaliação Psicológica
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Avaliação Psicológica


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que existem dois grupos distintos, o 
próximo passo, sempre seguindo o espírito de simplificar, é veri­
ficar o que cada grupo de frases tem em comum e refazer a Tabela
2. Em vez de dizer como cada item se relaciona com cada item, 
podemos dizer como cada item se relaciona com o grupo cie itens. 
A Tabela 3 batiza os grupos e mostra quais frases tem a ver ( + ) 
com quais grupos.
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"E viveram felizes para sempre": a longa (e necessária) relação entre psicologia e estatística
Tabela 3. Matriz Fatoriai da Escala de gosto por eventos culturais e 
esportivos.
Fator 1. Fator 2.
Frase Eventos Eventos
culturais esportivos
1. G osto de ir a exposições em
+ 0
museus.
2. Frequentem ente vou ao teatro. + 0
3. A presentações circenses me 
deixam alegre.
+ 0
4- A doro filmes com enredos 
esportivos.
+ +
5. A com panho jogos de basquete no 
ginásio.
0 +
6. Torço por m eu time de futebol no 
estádio.
0 +
7. Assisti pelo m enos a uma partida 
de vôlei neste ano.
0 +
8. A corrupção na política me 
revolta.
0 0
Análise fatoriai tem um nome estranho, mas no fundo é algo 
simples. Cada grupo de frases que se correlacionam pode se chamar 
lator. O objetivo da análise é determinar quantos fatores existem 
i* quais frases (geralmente itens de um teste psicológico) se rela-
i ionarn. com quais fatores. Cabe salientar que a relação item-fator 
(chamada de carga fatoriai), a exemplo da correlação, também é 
quantificada com um número que varia de - 1 a + 1, obviamente 
iliic passando pelo zero. Uma carga fatoriai de ±0 ,32 (Pasquali,
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Avaliação psicológica: guia de consulta para estudantes e profissionais de psicologia
2005), geralmente arredondada para ±0 ,30 , indica que existe 
alguma relação entre o item e o fator.
Outro indicador importante é a precisão do grupo de frases 
(fatores). Quando falamos dc escalas, estamos falando de instru­
mentos de medida, e sempre é importante verificar a precisão 
de uma medida. A precisão dc um instrumento e indicada pela 
relação entre seus itens; se todos os itens estiverem medindo a 
mesma coisa de maneira semelhante, então esse instrumento é 
preciso. Você teria alguma hipótese de como verificar essa relação 
entre os itens? A resposta está debaixo do seu nariz: é por corre­
lações. Nesse caso específico, o Alfa de Cronbach (a) é o teste 
mais famoso, pois indica em um número as relações entre todos os 
itens. Esse indicador vai de zero a um e, embora haja controvérsias 
sobre qual seria um valor aceitável para o a , convencionou-se que 
um teste preciso possui a superior a 0,80, sendo que alfas maiores 
que 0,70 podem ser considerados aceitáveis.
Considerações finais
Com este texto, visou-se a apresentar informações e conceitos 
técnicos, próprios da estatística, de forma leve e acessível, para 
estudantes de psicologia e para profissionais que, por algum 
motivo, tenham desenvolvido atitudes não muito positivas em 
relação à estatística, mas que necessitem agora de informações 
a respeito. Deve deixar-se claro que este capítulo não esgota as 
possibilidades de uso dessas técnicas estatísticas, tampouco explora 
de forma aprofundada qualquer conceito matemático que esteja 
por trás dessas análises. O objetivo foi unicamente apresentar os
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"E viveram felizes para sempre": a longa (e necessária) relação entre psicologia e estatística
procedimentos e dar alguns exemplos de utilização prática, ques­
tionando alguns mitos em relação à estatística na psicologia. O 
leitor interessado pode recorrer a uma vasta literatura na área. 
Inclusive, é possível encontrar livros de estatística aplicados espe- 
cificamente à psicologia.
Dessa forma, espera-se ter contribuído com a formação de 
futuros usuários de testes ou pesquisadores, ao demonstrar que a 
estatística pode ser uma grande aliada dos psicólogos para tomar 
decisões sobre o futuro das pessoas, seja por meio de pesquisas, 
seja por meio da correta interpretação e compreensão das infor­
mações provindas de manuais de testes. As pesquisas mais atuais 
usam números para demonstrar seus achados, e espera-se que um 
psicólogo esteja por dentro do conhecimento atual na sua área. 
Se você não gosta de números porque prefere ajudar as pessoas, 
deve compreender que o conhecimento das técnicas estatísticas 
fará com que ajude as pessoas de uma maneira mais qualificada 
e eficaz.
Avaliação psicológica: guia de consulta para estudantes e profissionais de psicologia
Questões
1) Diferencie amostra de população.
2) Liste e discuta as medidas de tendência central c de 
variabilidade.
3) Como identificar se os resultados encontrados não ocorre- 
ram ao acaso?
4) Em que casos devem-se utilizar procedimentos estatísticos 
não paramétricos?
5) Explique a lógica por trás do conceito de correlação positiva.
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"E viveram felizes para sempre": a longa (e necessária) relação entre psicologia e estatística
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