Avaliação Psicológica
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Avaliação Psicológica


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l\ulronização e normatização de testes psicológicos: simplificando conceitos
Normatização
A normatização pressupõe que um teste necessita ser contex- 
tualizado para poder ser interpretado. Tal conceito diz respeito a 
padrões de como se deve interpretar um resultado que a pessoa 
atingiu em um teste. Segundo Urbina (2007), os resultados brutos 
não são muito úteis numa avaliação psicológica, representando um 
grupo de números que não transmitem nenhum sentido, mesmo
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Avaliação psicológica: guia de consulta para estudantes e profissionais de psicologia
depois de mais de um exame aprofundado. Por meio da estatística 
descritiva (distribuições de frequência, gráficos, percentis, variabi­
lidade, etc.), pode-se relacionar ou dar sentido aos dados de modo 
a facilitar a sua compreensão e utilização.
Exemplificando, um indivíduo que apresentou quarenta pon­
tos num teste de inteligência não verbal e vinte pontos num 
teste de memória visual pouco significa dentro de uma avaliação 
psicológica. Outra forma de apresentação dos resultados pouco 
eficiente seria dizer que este sujeito acertou 70% das questões, 
pois comparado com um teste em que os indivíduos da amostra de 
padronização acertaram muitas questões (com médias altas), ou 
seja, um teste considerado fácil, é diferente de 70% de acerto nas 
questões em um teste considerado difícil, com médias de padroni­
zação baixas.
Assim, qualquer resultado bruto deve ser referido a alguma 
norma ou a algum padrão para que tenha algum sentido. A norma 
permite posicionar o resultado de um sujeito, possibilitando 
inferências:
\u2022 A posição em que a pessoa se localiza no traço medido pelo 
teste que produziu o resultado medido;
\u2022 A comparação da pontuação deste sujeito com os resulta­
dos de outras pessoas com características similares.
No processo de criação de normas, um teste deve ser apli­
cado a uma amostra representativa do tipo de pessoa para o qual 
foi planejado. Esse grupo, denominado de amostra de padroni­
zação, possibilita a composição de tabelas que serão estabelecidas 
como normas, indicando não somente as médias, mas também os
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Padronização e normatização de testes psicológicos: simplificando conceitos
diferentes graus de desvios, acima ou abaixo da média. Isso possi­
bilitará avaliar diferentes graus de superioridade ou inferioridade 
naquele determinado aspecto ou faceta que o teste se propôs a 
medir (Cronbach, 1996).
Segundo Pasquali (2001), o critério de referência ou a norma 
de interpretação é normalmente definido por dois padrões, sendo 
eles o nível de desenvolvimento do indivíduo humano, isto é, 
as normas de desenvolvimento, e um grupo padrão composto 
pela população típica para a qual o teste foi construído, também 
chamado de normas intragrupo.
Normas de desenvolvimento
Este tipo de normas se fundamenta em variáveis que podem 
ser expressas no desenvolvimento progressivo de aspectos psico­
lógicos, tais como maturação psicomotora, maturação psíquica, 
idade mental, série escolar, entre outras. Tais características 
informam sobre aquilo que o indivíduo passa ao longo de sua 
vida. Neste sentido, são utilizados, como critério de norma, três 
principais fatores: a idade mental, a série escolar e o estágio de 
desenvolvimento.
A idade mental
Segundo Anastasi (1977), o conceito de idade mental foi 
introduzido por Binet e Simon na revisão de 1908 das escalas de 
Binet-Simon. Nestes casos, os itens individuais são agrupados em 
níveis de idade. Exemplificando, itens solucionados na amostra de
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padronização pela maioria das crianças com nove anos de idade 
são atribuídos para ser aplicados e avaliados em crianças no nível 
de nove anos; os itens respondidos pela maioria das crianças com 
dez anos serão colocados ao nível de dez anos, e assim sucessiva­
mente. Dessa forma, espera-se que o resultado de uma criança no 
teste corresponda ao nível mais alto dentro de sua idade; seguindo 
ainda o exemplo citado, crianças de oito anos devem ser capazes 
de responder às questões dentro deste nível de idade; se elas acer­
tarem itens classificados como para dez anos, sua idade mental 
(IM) será dez, embora sua idade cronológica (IC) seja oito anos.
A autora explica que, na adaptação norte-americana da escala 
de Binet-Simon, a Stanford-Binet (Terman & Merrill, 1960), a 
idade mental (IM) foi expressa em termos da idade cronoló­
gica (IC), resultando no quociente intelectual (QI) por meio da 
fórmula:
IM
QI = 100 x ------------
IC
Dessa forma, o QI é comparável em diferentes idades, na 
medida em que a interpretação de um determinado QI é sempre a 
mesma, qualquer que seja a idade do sujeito. Logo, se um sujeito 
responde a todas as questões relacionadas ao seu nível de idade 
cronológica, representará um QI de 100; por exemplo, uma 
criança de oito anos:
QI = 100 x (8/8) = 100
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Padronização e normatização de testes psicológicos: simplificando conceitos
Todavia, vale ressaltar que, apesar da aparente simplicidade 
lógica, o QI não é aplicável na maioria dos testes psicológicos, 
principalmente nos testes para adultos. O uso do QI deve ser 
precedido de uma verificação da variabilidade em diferentes 
idades, a fim de assegurar que foi satisfeita a condição de variabili­
dade uniforme do QI ou uma variabilidade proporcional crescente 
da idade mental. Vários testes de Inteligência que apresentam 
normas por idade não satisfazem as condições para a constância 
cie QI (Anastasi, 1977).
Normas educacionais - Série escolar
É comum a interpretação de resultados de testes educacionais 
de aproveitamento em termos de normas de série. O conceito de 
série escolar como norma é empregado para testes de desempenho 
acadêmico e pode ser utilizado quando se trata de disciplinas 
que são oferecidas numa seqüência de várias séries escolares. As 
normas são construídas por meio da pontuação bruta média obtida 
por alunos em cada série, resultando numa pontuação típica para 
cada série. Assim, a criança que apresentar uma pontuação típica 
da 4§ série obterá um escore padronizado de quatro (Anastasi, 
1977; Pasquali, 2003).
Estágio de desenvolvimento
Piaget e seus colaboradores examinaram o desenvolvimento cog­
nitivo e estabeleceram uma seqüência de estágios consecutivos do 
desenvolvimento, denominados: sensório-motor, pré-operacional,
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operacional concreto, operacional formal. Normas divididas por 
estágios de desenvolvimento são utilizadas por profissionais da 
psicologia infantil que estudam os desenvolvimentos mental e psi- 
comotor em termos de idades consecutivas de desenvolvimento, 
como Gesell e Piaget.
Gesell e colaboradores (Ames, 1937; Gesell & Amatruda, 1947; 
Halverson, 1933; Knoblock & Pasamanick, 1974) estabeleceram 
normas para oito idades típicas (de quatro semanas a 36 meses) 
de desenvolvimento das crianças no que tange ao comportamento 
motor, adaptativo, lingüístico e social. Pesquisadores e estudiosos 
da escola piagetiana (Laurendeau «SuPinard, 1962, 1970; Pinard & 
Laurendeau, 1964) desenvolvem testes empregando estes estágios 
como método de interpretação dos resultados (Pasquali, 2001).
Normas intragrupo
Como os resultados brutos dos testes normalmente se apre­
sentam em diferentes unidades, torna-se impossível a comparação 
direta de resultados. O nível de dificuldade de cada teste também 
pode influenciar nessa comparação entre resultados brutos. Assim, 
normas representadas por meio de transformações normativas 
permitem expressá-las em unidades que possibilitam comparações.
Anastasi (1977) elucida que existem várias maneiras por meio 
das quais os resultados brutos podem ser