Avaliação Psicológica
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Avaliação Psicológica


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também como instrumentos para que avaliações não sejam invali­
dadas em virtude da má utilização dos testes, trazendo benefícios 
infindáveis principalmente para o indivíduo submetido à testagem.
Em síntese, a apreciação e a compreensão cada vez mais cuida­
dosa e consistente teoricamente das técnicas e ferramentas de 
avaliação psicológica, capazes de indicar, com maior precisão, os 
caminhos para tomada de decisão, surgem como uma necessidade 
prioritária nos cenários nacional e internacional.
A consolidação do campo da avaliação psicológica dentro da 
psicologia reveste-se de capacidade potencial de colaborar não
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Avaliação psicológica: guia de consulta para estudantes e profissionais de psicologia
apenas para a melhoria da qualidade de vida das pessoas, mas 
também para que organizações e instituições disponham ainda 
mais de ferramentas competitivas no atual contexto globalizado, a 
partir da qualidade dos serviços oferecidos a seus clientes. Assim, 
a testagem provavelmente apresentará um melhor desempenho e, 
desta forma, cooperará mais eficazmente para o sucesso das avalia­
ções psicológicas, o que poderá reverter-se em melhores produtos 
e serviços oferecidos.
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hulronização e normatização de testes psicológicos: simplificando conceitos
Questões
1) A testagem psicológica diferencia-se de outras técnicas de 
avaliação, por se tratar de procedimentos referenciados a 
normas e a diretrizes interpretativas padronizadas. Para al­
guns autores há uma distinção clara entre padronização e 
normatização. Defina estes dois conceitos.
2) Suponha que, durante um processo de Recrutamento e Se­
leção, a utilização de testes psicológicos tenha sido feita de 
forma inadequada. Em uma situação como esta, o resul­
tado do examinando pode ficar comprometido? Justifique.
3) O aplicador do teste é um elemento importante no proces­
so de testagem. Explique os motivos pelos quais o aplicador 
pode afetar os resultados do teste.
4) A principal vantagem de se empregar transformações já 
utilizadas universalmente é que tornam os resultados com­
paráveis entre si. Assim sendo, seria o QI aplicável em 
todos os testes psicológicos?
5) Os escores de postos de percentil são o método mais direto 
e disseminado para transmitir resultados de testes referen­
ciados em normas, contudo, os escores de percentil são 
muitas vezes confundidos com escores percentuais. Sendo 
estes dois tipos de escores distintos, justifique a diferença 
entre eles.
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Avaliação psicológica: guia de consulta para estudantes e profissionais de psicologia
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Capítulo 7
A ética no uso de testes no processo de 
Avaliação Psicológica
Maria Cristina Barros Maciel Pellini 
Irene F. Almeida de Sá Leme
A Avaliação Psicológica, tarefa prevista em lei como priva- 
tiva do psicólogo1, nos últimos anos vem difundindo-se, trazendo 
muitas contribuições em diversas áreas do conhecimento da psico­
logia. Pode definir-se a Avaliação Psicológica como um processo 
técnico e científico de coleta de dados e interpretações, com 
pessoas ou grupos de pessoas, por meio de informações obtidas em 
questionários, métodos, instrumentos psicológicos, entrevistas, 
entre outros (Noronha & Alchieri, 2002; Primi, Flores-Mendoza 
& Castilho, 1998; Wechsler, 1999).
Enquanto a Avaliação Psicológica refere-se a um processo 
amplo que envolve a integração de informações provenientes de
1 Lei 4119/62, artigo 13Q, parágrafo 1Q.
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diversas fontes, como testes, entrevistas, observações, análises de 
documentos, entre outras, a testagem psicológica deve ser consi­
derada como uma das etapas da avaliação, por meio da utilização 
de testes psicológicos de diferentes tipos.
Pasquali e Alchieri (2001) definem testes psicológicos como 
um procedimento sistemático para observar um comportamento 
e descrevê-lo com a ajuda de escalas numéricas. Tradicional­
mente, são encontrados testes com o objetivo de mensurar áreas 
tais como inteligência, cognição, psicomotricidade, atenção, 
memória, percepção, emoção, afeto, motivação, personalidade, 
dentre outras, nas suas mais diversas formas de expressão, segundo 
padrões definidos pela construção dos instrumentos.
Pellini, Rosa e Vilarinho (2002) apontam um ponto impor­
tante que merece reflexão quanto à qualidade dos instrumentos, 
mais especificamente, quanto à qualidade científica destes, com 
validação e normas atualizadas e adequadas à população que irá 
utilizá-los. Os Princípios Éticos e Código de Conduta da American 
Psychological Association (1992) dizem, em seu Artigo 2.07:
1. Os psicólogos não baseiam sua avaliação ou decisões de in­
tervenção ou recomendações sobre dados ou resultados de 
testes que estejam desatualizados