A maior rede de estudos do Brasil

Grátis
65 pág.
Política Social e Seguridade completa

Pré-visualização | Página 4 de 25

na divisão social 
e técnica do trabalho, como afirmam Ia-
mamoto e Carvalho em seu texto funda-
mental de 1982. (BEHRING; BOSCHETTI, 
2008, p. 13). 
Fonte: bocaderua.com.br
Dessa forma, é de fundamental importância 
o estudo das políticas sociais para a formação do 
profissional do Serviço Social, porém, consideran-
do que você já estudou a contextualização desse 
tema na Disciplina de Política Social, nesta iremos 
fazer uma breve análise dele e passaremos a tra-
balhar na perspectiva pragmática, a partir das le-
gislações vigentes e do tripé da seguridade social.
Assista aos filmes:
O apito da panela de pressão. Brasil. 1981. Di-
reção: Sergio Tufik. Documentário. 
Cidade de Deus. Brasil. 2002. Direção: Fernando 
Meirelles. Duração: 130 min. 
Central do Brasil. Brasil. 1998. Direção: Walter 
Salles. Duração: 112 min.
MultimídiaMultimídia
Alberta Emilia Dolores de Goes
Unisa | Educação a Distância | www.unisa.br
12
2.3 Atividades Propostas
Caro(a) aluno(a),
Neste capítulo, você pôde ver que a política social é uma política de mediação entre as necessida-
des de valorização e acumulação do capital e as necessidades de manutenção da força de trabalho para 
ele disponível mesmo. Nesta perspectiva, a política social é uma gestão estatal da força de trabalho e do 
preço da força de trabalho. Ressaltamos que entendemos por força de trabalho todos os indivíduos que 
só têm a sua força de trabalho para vender e garantir a sua subsistência, independentemente de estarem 
inseridos no mercado formal de trabalho. 
2.2 Resumo do Capítulo
Caro(a) aluno(a),
Este capítulo apresentou a você as principais funções das políticas sociais e a relação destas com o 
Serviço Social. Dessa forma, vamos ver o que você aprendeu? 
Então, procure responder às perguntas: 
1. Quem seria o principal financiador e, ao mesmo tempo, beneficiário das políticas sociais?
2. Quais são as políticas sociais que você conhece? Procure discutir essa questão com os colegas 
e com o tutor. 
Unisa | Educação a Distância | www.unisa.br
13
A SEGURIDADE SOCIAL3 
Caro(a) aluno(a), 
Nos capítulos anteriores, discutimos a im-
portância da política e da política social, correla-
cionando-as com a emergência do Serviço Social. 
Neste, trabalharemos o que vem a ser a seguri-
dade social e qual a sua importância no cenário 
nacional. Desse modo, iniciaremos com a concei-
tuação de seguridade social. 
O conceito de seguridade social2 foi insti-
tuído pela Constituição de 1988 em garantia do 
direito à saúde, à previdência e à assistência 
social, sendo considerado fundamental à esta-
bilidade da sociedade democrática. Distingue-se 
do conceito de seguro social, sinônimo de previ-
dência social no Brasil. 
Os deveres do Estado sobre matéria secu-
ritária apareceram pela primeira vez no quadro 
institucional brasileiro no inciso 31 do art. 179 da 
Constituição de 1824, sob o conceito de socorros 
públicos. Institucionalizava o assistencialismo do 
Estado Imperial, então concebido como caridade. 
A Constituição de 1891 manteve-o como insti-
tuição, porém com uma execução deslocada do 
âmbito privado para o da administração pública. 
Com a Constituição de 1934, esse conceito 
adquiriu natureza previdenciária, sob a forma de 
seguro social, no âmbito das políticas trabalhistas 
do getulismo, como direito dos trabalhadores, em 
reciprocidade a uma contribuição mensal destes, 
assim como dos empresários e do próprio Estado. 
Essa forma permaneceu no essencial nas Consti-
tuições seguintes e foi aperfeiçoada pela Consti-
tuição em vigor:
No final dos anos 1970, começo dos 1980, 
a democratização chega com a Anistia, 
com o fim do AI 5 e de outros atos. Mas só 
em 1986 tivemos a convocação de uma 
Assembléia Constituinte. Infelizmente, 
não foi uma Constituinte específica, como 
muitos de nós queríamos. Elegemos um 
Congresso com poderes constituintes. 
Entretanto, o processo que se inaugura 
desde a eleição desses parlamentares, 
em 1986, e que se desenvolve nos traba-
lhos da Constituinte, entre 1987 até 5 de 
outubro de 1988, foi muito importante 
na história política, social e cultural do 
Brasil, com muitas manifestações, partici-
pação da sociedade em todos os níveis, 
empresários, trabalhadores, mulheres, jo-
vens, minorias. 
A Constituição gerada nesse processo 
foi batizada por Ulisses Guimarães de 
‘Constituição Cidadã’, uma Carta que de 
fato expressa conquistas avançadas. Ela 
incorpora uma concepção de um Estado 
que seja a busca de uma síntese superior 
de integração e transcendência entre as 
conquistas do estado liberal, os direitos 
e garantias individuais, a afirmação da 
dignidade da pessoa humana, o compro-
misso com as liberdades públicas, demo-
cráticas. Ao mesmo tempo incorpora as 
grandes conquistas do Estado do bem 
estar, no que se refere aos direitos dos 
trabalhadores, dos pobres, das minorias, 
dos mais fragilizados, apontando tam-
bém para vigorosas políticas de inclusão, 
de justiça social, como nós estamos, hoje, 
implementando no Brasil. Com base na 
Constituição se desdobraram sistemas 
normativos importantes como o SUS, o 
SUAS, o Sisan, o Estatuto da Criança e do 
Adolescente, a Lei Orgânica da Assistên-
2 O texto deste capítulo foi fundamentado, em grande parte, na obra de Simões (2009).
Alberta Emilia Dolores de Goes
Unisa | Educação a Distância | www.unisa.br
14
cia Social, a lei que instituiu o Programa 
Bolsa Família, o Estatuto do Idoso. (ANA-
NIAS, 2008). 
A Constituição de 1988, no título sobre a 
Ordem Social, instituiu o conceito de seguridade 
social por meio de ações de saúde, previdência e 
assistência social, ou seja, o tripé da seguridade 
social. O conceito de seguro social manteve-se 
restrito à previdência social. 
Expressa a relevância que a Constituição 
atribui a estes três direitos sociais em conexão 
com os descritos no art. 6º, sob a determinação 
de sua concepção universal e, por isso, não mais 
reduzido às relações de trabalho em sua forma 
clássica. 
Em primeiro lugar, como resultado da con-
cepção democrática de participação direta dos 
representantes da sociedade civil, no governo ou 
não, então por representação eletiva. Em segun-
do, em decorrência da instituição política da as-
sistência social como dever do Estado e direito do 
cidadão em prol do interesse social, com políticas 
intervencionistas, sob o fundamento que gera 
distorções e exclui amplos setores populacionais, 
sendo relativamente incapaz de integrar todos, 
desde a infância, para lhes garantir oportunida-
des de vida digna. 
A concepção do ideário liberal da represen-
tação dos interesses da sociedade tornou-se inca-
paz de assegurar as demandas sociais de amplas 
camadas da população desorganizada, no âmbito 
da globalização da economia (BELTRAN, 2004). Tal 
população, entretanto, manifesta seu inconfor-
mismo por meio de conflitos sociais crescentes. A 
Constituição de 1988 viabilizou a efetivação das 
políticas públicas que, embora não propiciem, 
de imediato, a extirpação dessas mazelas sociais, 
pode contribuir para a sua redução. O papel do 
Estado torna-se, então, fundamental, confundin-
do-se com o objetivo da vida social, que deve ser 
uma sociedade justa, na qual todos os cidadãos 
possam viver com dignidade, apesar de suas dife-
renças sociais. 
A seguridade social constitui, assim, uma 
instituição político-estatal com a participação das 
entidades da sociedade civil por meio de convê-
nios ou consórcios administrativos com o Poder 
Público, com o objetivo da ação social que, na 
saúde, na previdência e na assistência social, as-
segure à população os denominados mínimos 
sociais. 
A seguridade social é uma obrigação cons-
titucional do Estado brasileiro, o que não significa 
que outros órgãos (filantrópicos ou com finalida-
de de lucro/iniciativa privada) também