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Política Social e Seguridade completa

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prioridade absoluta e a inimputabilida-
de penal abaixo dos 18 anos, o que se 
desdobrou posteriormente no Estatuto 
da Criança e do Adolescente (1990), que 
implicou um forte reordenamento ins-
titucional voltado para a atenção a esse 
segmento. (BEHRING; BOSCHETTI, 2008, 
p. 145).
Apesar dos avanços, foram também inscri-
tas no texto constitucional, produto de uma cor-
relação de forças desfavoráveis, conforme apon-
tamos acima, orientações que deram sustentação 
ao conservadorismo no campo da política social. 
Exemplo disso é a contraditória convivência en-
tre universalização e seletividade, bem como o 
suporte legal ao setor privado, em que pese a 
caracterização do dever do Estado para algumas 
políticas. Outro exemplo importante foi a derrota 
das emendas sobre a reforma agrária e a vitória 
dos ruralistas, grandes proprietários de terras:
Sabemos, contudo, que as condições po-
líticas e econômicas da década de 1990 
em diante, que implicaram um giro con-
servador para o neoliberalismo (BRAVO, 
2000), dificultaram em muito a imple-
mentação real dos princípios orientado-
res democráticos e dos direitos a eles cor-
respondentes. (BEHRING; BOSCHETTI, 
2008, p. 146).
No início da década de 1990, a conjuntu-
ra econômico-política passou a ser a de 
fragilização do papel do Estado, diminui-
ção do seu papel redistributivo, privatiza-
ção (no caso da saúde, induzida por me-
canismos de subsídios estatais diretos ou 
indiretos às empresas e pela regulação na 
lógica de mercado) e focalização das polí-
ticas para grupos populacionais carentes 
e excluídos, mas frágeis do ponto de vista 
de sua capacidade de organização e pres-
são sobre o próprio Estado. (ALMEIDA; 
CHIORO; ZIONI, 2001, p. 39).
Esse movimento, contudo, esbarra nos li-
mites da democracia formal, na medida em que 
o processo de socialização da esfera da política 
não teve equivalente na esfera da economia, isto 
é, do poder econômico constituído ao longo do 
regime militar. Ora, esse processo, que possui 
apenas duas décadas, passa a ser negado a partir 
de meados dos anos 1990 em favor das prescri-
ções neoliberais e de um conjunto de mudanças 
macroestruturais, momento em que as classes 
dominantes iniciam a sua ofensiva contra a segu-
ridade social universal. Para realizar a sua reforma, 
as classes dominantes precisaram exercitar não 
somente por meio da força e da coerção, mas 
confundindo as bandeiras políticas históricas dos 
trabalhadores brasileiros. 
Já o fizeram com a noção de cidadania, 
instituindo a figura do cidadão-consu-
midor; o mesmo acontece com a bana-
lização da solidariedade ou, ainda, com 
formas mistificadas de transformismo 
nos conteúdos das bandeiras de esquer-
da – de quem tem sido exemplar o atual 
governo – como é o caso da prioridade 
do social, da solidariedade, das práticas 
associativas etc. (MOTA, 2009, p. 37).
Alberta Emilia Dolores de Goes
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Caro(a) aluno(a),
O conceito de seguridade social foi instituído pela Constituição de 1988 em garantia do direito à 
saúde, à previdência e à assistência social, considerado fundamental à estabilidade da sociedade demo-
crática. 
A seguridade social tem por finalidade a garantia de certos patamares mínimos de vida da popu-
lação em face das reduções provocadas por contingências sociais e econômicas e tem como objetivos a 
universalidade de cobertura e atendimento, a uniformidade e a equivalência das prestações, a seletivida-
de e distributividade, a irredutibilidade do valor dos benefícios, a equidade de participação e custeio, a 
diversidade da base de financiamento e a participação da comunidade na gestão administrativa.
3.5 Atividades Propostas
Assista aos filmes:
Assim Caminha a Humanidade. Estados Uni-
dos. 1956. Direção: George Stevens. Duração: 
201 min.
Memórias do Cárcere. Brasil. 1984. Direção: 
Nelson Pereira dos Santos. Duração: 187 min.
Europa. Dinamarca. 1991. Direção: Lars Von 
Trier. Duração: 107 min.
Longe do Paraíso. Estados Unidos. 2003. Dire-
ção: Todd Haynes. Duração: 107 min.
MultimídiaMultimídia
3.4 Resumo do Capítulo
Caro(a) aluno(a), 
Este capítulo apresentou a você a Seguridade Social, que foi instituída a partir da Constituição Fe-
deral de 1988, e, para percebermos a sua compreensão acerca dos temas abordados, vamos praticar? 
Então, procure resolver as seguintes questões:
1. Qual é o tripé da Seguridade Social?
2. O que são os benefícios e serviços na Seguridade Social?
3. Qual é a finalidade da Seguridade Social?
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A SAÚDE4 
Neste capítulo, trabalharemos uma das po-
líticas que compõem a seguridade social, ou seja, 
a saúde pública. Para tanto, iniciaremos a partir 
de um resgate histórico sobre a sua implantação 
no cenário nacional. 
Até os anos 1930, a atuação do Estado bra-
sileiro, em termos de saúde3, foi voltada princi-
palmente para amparar o modelo de desenvol-
vimento econômico agroexportador. A presença 
do Estado brasileiro não significou, porém, uma 
atuação semelhante ao modelo de Estado Social 
que intervém na economia e administra as rela-
ções capital/trabalho. 
As suas atividades reguladoras ou de inter-
venção pública contemplaram marginalmente a 
questão social, os direitos sociais, centrando suas 
atividades em programas que privilegiaram os se-
tores hegemônicos da economia, ainda que mui-
tas vezes dotadas de racionalidades técnicas.
No início do último século, o Brasil era as-
solado por epidemias causadas por doenças in-
fectocontagiosas, como malária, varíola, febre 
amarela, peste bubônica, cólera, tuberculose, 
hanseníase, parasitoses etc. O que se exigia do sis-
tema de saúde era uma política de saneamento 
dos espaços de circulação das mercadorias e 
a erradicação ou o controle de doenças que po-
deriam prejudicar a exportação, pois o modelo 
agroexportador dominava a economia brasileira 
baseado na exploração da cana e do café.
4.1 Breve Histórico da Saúde Pública Brasileira
Em 1923, as ações de saúde pública foram 
vinculadas ao Ministério da Justiça, em reforma 
promovida por Carlos Chagas, incluindo-se como 
responsabilidade de Estado, além do controle de 
endemias e epidemias, a fiscalização de alimen-
tos, o controle de portos e fronteiras. Em 1930, a 
saúde pública foi anexa ao Ministério da Educa-
ção, através do Departamento Nacional de Saúde 
Pública. Na década de 1930, surgiram inúmeros 
sanatórios para o tratamento de doenças, como 
a tuberculose e a hanseníase, associando-se aos 
manicômios públicos existentes e caracterizan-
do-se a inclusão do modelo hospitalar de assis-
tência médica. Foi nesse período que surgiram 
também os Departamentos Estaduais de Saúde, 
precursores das futuras Secretarias Estaduais de 
Saúde, implantando-se progressivamente uma 
rede de postos e centros de saúde estaduais vol-
tados para o controle das doenças endêmicas e 
epidêmicas. Vale lembrar, porém, que essa expan-
são nunca criou uma situação adequada em ter-
mos quantitativos e qualitativos. 
3 O texto deste capítulo foi fundamentado, em grande parte, na obra de Almeida, Chioro e Zioni (2001).
AtençãoAtenção
Do final do século XIX até metade da década de 
1960, praticou-se, como modelo hegemônico de 
saúde, o sanitarismo campanhista, que visava 
ao combate das doenças por meio de estruturas 
verticalizadas, com a intervenção e a execução de 
suas atividades nas comunidades e nas cidades.
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Um marco nas ações de saúde pública foi a 
criação da Fundação SESP, em 1942, que possibi-
litou importante interiorização das ações para o 
Norte e o Nordeste do país, financiadas com re-
cursos dos EUA, interessados na extração da bor-
racha, num momento crucial (Segunda Guerra 
Mundial) em que a malária