Resumo Cirurgia Geral (Internato)
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Resumo Cirurgia Geral (Internato)


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1 INTERNATO DE CIRURGIA 
GABRIELA ABREU E ISADORA ESTEVAM 
APENDICITE AGUDA 
ANATOMIA: 
Estrutura vermiforme tubular e alongada, fixado ao ceco em sua 
porção posteromedial, na confluência de tênias colônicas. A 
localização mais comum é retrocecal, podendo assumir posição 
pélvica e retroperitoneal. 
Histologia: 
Possui diversas estruturas linfoides que conferem ao apêndice certa função imunológica. Na 
apendicite o diagnóstico histológico é possível pela presença de neutrófilos ocupando toda 
parede. 
FISIOPATOLOGIA: 
\uf0b7 A inflamação do apêndice é a causa mais clássica e também mais comum de abdome 
agudo em ambos os sexos, na gestante e na criança. 
\uf0b7 Cerca de 7-8% dos indivíduos nos países ocidentais têm apendicite em algum momento 
em suas vidas, com maior incidência entre 10-30 anos (2ª década de vida), sendo 
ligeiramente mais prevalente em homens dentro dessa faixa etária (3:2), contudo 
algumas bibliografias apontam mesma incidência entre ambos os sexos. É a cirurgia de 
emergência mais realizada pelo cirurgião geral, respondendo por cerca de 1% de todas 
as cirurgias. 
\uf0b7 Obstrução da luz proximal \u2013 por bandas fibrosas, hiperplasia linfoide, fecalitos, cálculos 
ou parasitas \u2013 há muito tempo vem sendo considerada a principal causa da apendicite 
aguda. É importante ressaltar que, quanto mais grave o quadro de apendicite, maior a 
probabilidade que o mesmo seja devido à obstrução por fecalito/apendicolito. Fecalitos 
e cálculos são encontrados em apenas 10% dos apêndices agudamente inflamados. 
\uf0b7 O apêndice inicialmente entra em contração para eliminar o corpo estranho, ou mesmo 
tenta regredir a hiperplasia linfoide, quando esse sistema falha a obstrução do lúmen 
leva ao acúmulo de secreção com supercrescimento bacteriano, como consequência 
ocorre aumento da pressão intraluminal e distensão do apêndice. Esse quadro deflagra 
o início da condução do estímulo álgico pelos nociceptores viscerais apendiculares, 
causando dor, referida como periumbilical vaga em mesogastro. Em um segundo 
momento, a obstrução compromete o retorno venoso e linfático, gerando isquemia do 
órgão, atingindo o peritônio parietal, dor passa então a ser localizada em fossa ilíaca 
direita. Todos esses achados conduzem a um processo inflamatório que pode culminar 
em necrose e perfuração. A perfuração ocorre após 48 horas do início dos sintomas, 
podendo causar abcesso localizado ou em casos mais graves, peritonite generalizada 
com consequente formação de múltiplos abcessos intraperitoneais. Na perfuração 
bloqueada (abcesso periapendicular), o paciente pode se encontrar oligossintomático, 
queixando-se de algum desconforto em fossa ilíaca direita; já na perfuração livre para o 
peritônio, a dor abdominal é de grande intensidade, com presença de abdome em tábua 
(rigidez generalizada), com temperatura elevada e o paciente podendo evoluir para 
sepse. 
\uf0b7 As bactérias mais comuns são Bacteroides fragilis e E.coli. Cultura de líquido peritoneal 
durante episódio de apendicite aguda só é colhido em imunossuprimidos e pacientes 
que desenvolvem um abscesso após tratamento convencional, já que existe maior 
possibilidade de existir uma flora bacteriana atípica. 
 
 
 
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GABRIELA ABREU E ISADORA ESTEVAM 
CLASSIFICAÇÃO DA APENDICITE: 
\uf0b7 Catarral: fase da obstrução \u2013 única fase que o quadro é capaz de regredir sozinho. 
\uf0b7 Supurativa Simples: a obstrução não foi eliminada, culminando com edema, mas sem 
infecção. Melhor fase para realizar a apendicectomia. 
\uf0b7 Grangrenosa: necrose da parede isquêmica. 
\uf0b7 Perfurativa. 
MANIFESTAÇÕES CLÍNICAS: 
Apendicite deve ser lembrada em todo e qualquer quadro abdominal agudo, devendo ser a 
segunda hipótese em quadros abdominais inflamatórios. 
Normalmente, o quadro inicia com desconforto vago no meio do abdome (epigástrio) ou 
periumbilical, seguido por náusea, anorexia e indigestão. A dor é contínua, mas não intensa, 
com cólica leve ocasional. O paciente pode sentir-se constipado ou vomitar. É importante 
ressaltar que, algumas horas após o início dos sintomas (cerca de 12 horas), a dor desloca-se 
para o quadrante inferior direito, fossa ilíaca direita, tornando-se localizada e agravando-se 
quando o paciente se movimenta, caminha ou tosse, dessa forma os pacientes com apendicite 
procuram se movimentar o mínimo possível devido à irritação peritoneal, e quando deitados 
assumem posições características: permanecem em decúbito dorsal com as pernas fletidas, 
principalmente a perna direita. 
Ao exame físico, habitualmente encontra-se uma temperatura em torno de 38 graus e revela 
sensibilidade localizada à palpação e, talvez, algum grau de defesa abdominal, inicialmente 
voluntária e depois involuntária. Dor à descompressão súbita ou sensibilidade dolorosa à 
percussão podem ser provocadas no quadrante inferior direito. Peristalse está geralmente 
diminuída, devido ao íleo paralítico. Os toques retal e vaginal tendem a ser negativos; quando 
positivos, apontam para outra etiologia. A administração de analgésicos opioides não afeta a 
acurácia do exame físico. 
\uf0b7 Sinal de Blumberg: dor de maior intensidade a descompressão súbita do abdome, 
indicativa de peritonite. 
\uf0b7 Sinal de Lapinsky: dor à compressão da FID enquanto o paciente ou o próprio 
examinador eleva o membro inferior direito esticado (apêndice retrocecal). 
\uf0b7 Sinal de Dunphy: dor em FID que piora com a tosse. 
\uf0b7 Sinal do Obturador: dor hipogástrica provocada pela flexão da coxa e rotação interna 
do quadril (apêndice pélvico). 
\uf0b7 Sinal do Iliopsoas: dor provocada pela extensão e abdução da coxa direita, com o 
paciente deitado sobre o seu lado esquerdo. 
\uf0b7 Sinal de Rovsing: dor na FID após compressão da FIE (peristalse retrógrada). 
 
 
 
 
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GABRIELA ABREU E ISADORA ESTEVAM 
 
A apendicite aguda pode ser confundida com outros quadros cirúrgicos quando o apêndice está 
localizado fora do quadrante inferior direito. Contudo, mesmo quando o ceco está normalmente 
situado, um apêndice longo pode alcançar outras regiões do abdome. 
Há três pontos gerais que devem ser repassados: 
\uf0b7 Os indivíduos na fase inicial da apendicite (não perfurada) não têm aparência enferma. 
A sensibilidade dolorosa localizada sobre o ponto de McBurney (limite entre o terço 
médio e lateral de uma linha imaginária traçada da espinha anterossuperior direita ao 
umbigo) é a base do diagnóstico. 
\uf0b7 Uma regra que ajuda muito nos casos atípicos é nunca colocar a apendicite abaixo do 
segundo lugar no diagnóstico diferencial de dor abdominal aguda em indivíduo 
previamente saudável. 
\uf0b7 Na maioria dos casos, os pacientes com apendicite apresentam-se com história de 
desconforto abdominal generalizado que com o tempo se concentra no quadrante 
inferior direito. 
Quatro grupos merecem toda atenção, pois se esperar o padrão clássico pode-se deixar passar 
o diagnóstico, esses grupos incluem: crianças, idosos, gestantes e obesos mórbidos. Em 
crianças o quadro é totalmente atípico, podendo cursar apenas com febre, letargia, vômitos 
intensos e diarreia, sendo a perfuração muito mais comum, em razão de imaturidade do 
omento (sendo uma de suas funções, bloquear a infecção). Em idosos, tem-se um pior 
prognóstico, a dor é menos intensa, o leucograma pouco elevado e a temperatura menos 
elevada. A incidência de perfuração é ainda maior que na criança. Na gestante, o diagnóstico 
se torna difícil por dois aspectos: deslocamento do apêndice pelo útero gravídico e confusão 
dos sintomas comuns à gravidez; tanto a TC quanto a RM são altamente específicas para o 
diagnóstico de apendicite aguda durante a gravidez. A gestante corre grande perigo de 
infecção abdominal