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Saúde e meio ambiente

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doença, características etc.) está presente, de acordo 
com as diferentes variáveis e também quantos são afetados. A partir disso, são elaboradas 
questões primárias que dão suporte a essa investigação. De acordo com a abordagem escolhida, 
aparecem as proposições com questões relativas à distribuição, como quem, quando e onde.
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Quem . São as pessoas afetadas pelo evento suas características como gênero, grupo
etário, nível educacional, renda etc.
Quando . Período de tempo definido pelo investigador na análise epidemiológica.
Onde . Estabelecimento da relação entre o evento de saúde e o espaço geográfico a ser analisado 
( cidade, país, bairro etc.).
A epidemiologia descritiva produz a base para outros fundamentos utilizados em pesquisas 
acadêmicas ou em serviços em saúde. No final do século XX, os conceitos de doenças emergentes e 
reemergentes difundiram-se. As doenças emergentes são aqueles agravos novos que passam a estar 
presentes nas populações como a gripe aviária. É aquela proveniente de um agente de identificação 
recente, antes desconhecido. As reemergentes são as doenças que voltam a estar frequentes nas 
populações depois de estarem ausentes por um período, como a dengue. É aquela que reaparece de 
maneira a atingir outras regiões que antes estavam isentas da sua presença.
A epidemia é o aumento inesperado da frequência de eventos num período e numa 
determinada região, podendo classificar então um surto. Endemia é quando um agravo persiste 
numa região mantendo sua frequência estabilizada quantitativamente. Pandemia é o termo 
utilizado para a ocorrência de muitos casos em grandes proporções territoriais.
Acredita-se hoje que muitos fatores são responsáveis pelos efeitos na saúde. Fatores próximos 
ao indivíduo sempre associado a um determinado ambiente ou cultura podem gerar condições 
favoráveis que influenciam no seu estado de saúde. Esse entendimento, conhecido como 
“determinante social” no processo saúde-doença vai ao encontro da realidade que vivemos 
hoje, pois os estados tem um importante papel no desenvolvimento da saúde das populações. 
A Epidemiologia é constituída de duas etapas principais, a analítica e a descritiva. A etapa 
analítica da epidemiologia se dedica a elucidar os fatores de risco associados aos efeitos em 
saúde, o objetivo é identificar ou destacar aqueles fatores que possam estar ajudando ou 
protegendo o aparecimento de doenças. A etapa descritiva gera os dados acerca das condições 
de saúde das populações. Utiliza dados secundários, geralmente dos sistemas de informação 
em saúde, com o objetivo de construir o perfil de saúde dos indivíduos em seus territórios. Uma 
etapa depende da outra, uma hipótese é gerada na etapa descritiva e testada pela analítica.
Tanto a fase analítica quanto a descritiva empregam a compreensão da noção de risco. Hoje em 
dia, o conceito de risco tem a conotação de ganho ou perda, mas com um sentido negativo do perigo. 
É usual o termo risco nos processos que envolvem saúde-doença, principalmente na mudança do 
estado de ausência para a presença de doença. Essa mudança é conhecida em epidemiologia como 
causalidade. O conceito de causa é utilizado para associar suposta causas a seus efeitos.
Os fatores ambientais são responsáveis por grande parte dos fatores de risco, sendo considerado 
um fator multicausal. É parte de um todo que interage com outros fatores, como a genética, estilo 
de vida, biologia humana, acesso a serviços de saúde, entre outros. O meio ambiente envolve 
um espectro amplo de correlações, como espaço social, economia, infraestrutura urbana entre 
outros. É neste contexto que as ciências da saúde encontram seus principais desafios.
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Unidade: Epidemiologia
Dentre os inúmeros riscos que influenciam as causas das doenças, temos:
Riscos de controle individual, representado pelo estilo de vida.
Riscos conhecidos de controle coletivo, representado pelas 
politicas públicas.
Riscos conhecidos de controle institucional, representados pela 
organização dos serviços de saúde e suas relações com outros serviços.
Riscos conhecidos de ação sinérgica de controle multidimensional, 
representado através de ações individuais, coletivas interssetoriais.
Riscos não conhecidos.
Na busca de categorizar o processo saúde-doença, diferentes campos na saúde são apontados: 
biologia humana, estilo de vida, ambiente e serviços de saúde.
A biologia humana envolve as características imutáveis do individuo, como: idade, sexo, raça, 
patrimônio genético e constituição do individuo. Acredita-se que o individuo não tem controle 
sobre esses fatores de risco. O estilo de vida engloba hábitos e comportamentos adquiridos 
social ou culturalmente, tais como: tabagismo, alcoolismo, alimentação, medicações, drogas, 
falta de exercícios, utilização de proteção no setor ocupacional, adesão ou não de medidas 
preventivas e tratamentos, opção de lazer etc. Acredita-se que os indivíduos tenha controle 
sobre esses fatores. 
O campo da saúde que diz respeito ao meio ambiente implica a parte física, psíquica e social. 
O ambiente físico abrange entre outras coisas o relevo, a hidrografia, o clima, os poluentes 
ambientais do ar, água e do solo. Na dimensão social incluem-se as múltiplas causas das doenças 
crônicas não transmissíveis como: nível sócio econômico, escolaridade, processo de migração 
etc. A psíquica envolve as tensões sociais e individuais que inclui as relações, a informação, o 
preconceito e todos os componentes da sociedade moderna que refletem na saúde mental dos 
indivíduos. No campo ambiental estão os eventos externos ao corpo sobre os quais o individuo 
tem pouco ou nenhum controle. É importante ressaltar que quando o impacto ao meio ambiente 
é revertido é porque houve alguma forma de controle mesmo que coletivo.
Epidemiologia e riscos
Conforme observamos, o risco está diluído nos meandros da sociedade. Como saber se a 
exposição a um risco especifico é suficiente para um efeito nocivo ao meio ambiente ou à saúde? 
Como isolar um possível fator causal dos demais? Usando a epidemiologia como exemplo, 
conclui-se que uma doença não pode ser causada por um fator de risco apenas, sendo resultado 
de um conjunto multicausal de fatores, acentuado por um fator de risco, mas não apenas ele. A 
epidemiologia faz a análise comparativa entre indivíduos ou grupos expostos e não expostos ao 
fator de risco, mas quando se trata de elucidar questões como o aquecimento global, mostra-se 
limitada, sem dispor de meios comparativos entre os grupos expostos e não expostos.
Em um entendimento mais amplo da saúde humana, em que as doenças e os agravos são 
apenas uma faceta do processo saúde – na doença, observamos que os determinantes sociais 
incluem o meio ambiente, as relações econômicas, o desenvolvimento, os meios de produção etc. 
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Então a saúde não se restringe a ação curativa e sim é um resultado das macro relações globais 
que incidem sobre o local e o individual, portanto um processo multifatorial, que engloba, entre 
outros o meio ambiente.
Nas discussões ambientais e de saúde, medidas de controle são compensatórias e a relação 
saúde e ambiente é deixada de lado, por isso, o sistema deve incorporar uma nova articulação 
entre natureza, ciência e sociedade.
Metodologia epidemiológica
A epidemiologia nasceu com uma forte ênfase nas doenças transmissíveis e com a evolução 
dessa disciplina foi incorporado elementos das doenças não transmissíveis, causas externas, 
ocupacionais, entre outras. 
Essa transição da epidemiologia mostra que a frequência das doenças e das mortes ao longo do 
tempo foi mudando de acordo com fatores econômicos, sociais, ambientais e comportamentais. 
Peste e fome matavam mais pessoas que outras etiologias, doenças infecto contagiosas 
predominavam no século XIX, diferente do final do século XX e inicio do século XXI, onde 
predominam as doenças

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