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Saúde e meio ambiente

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O Sistema Nacional de Vigilância Epidemiológica no Brasil se consolidou a partir das 
campanhas de erradicação da varíola na década de 1960 e da poliomielite na década de 1970. 
Foi na década de 70 que houve um esforço para construir novas teorias, enfoques e métodos 
da epidemiologia, buscando aplicar métodos da planificação da saúde, que no Brasil ganhou o 
nome de saúde coletiva.
No processo de desenvolvimento da saúde coletiva, vários núcleos de pesquisas foram criados 
e consolidados nas principais instituições de ensino e pesquisa do país. A pesquisa epidemiológica 
no Brasil vem se consolidando de forma muito consistente, ganhando respeitabilidade no cenário 
mundial. A pesquisa brasileira tem dois conjuntos temáticos que lhe conferem uma identidade, 
como o desenvolvimento de aplicações para o planejamento e a gestão de sistemas e serviços 
de saúde e a investigação de problemas de saúde de grande importância social com ênfase nos 
determinantes políticos, sociais, econômicos e culturais dos fenômenos da saúde-doença.
Epidemiologia e meio ambiente
Objetivos de aprendizado
Neste item, vamos focalizar resumidamente alguns aspectos da epidemiologia. Diante deste vasto 
campo que é essa disciplina, vamos construir um raciocínio crítico a ser aplicado por aqueles que 
estão trabalhando na área de meio ambiente.
Enquanto a ciência médica atua principalmente no organismo, a saúde pública é detentora 
de uma visão ecológica, procurando compreender as relações que se estabelecem entre 
populações, comunidades e ecossistemas. Os seres humanos ao interagir com outras espécies 
e com o ambiente recebe as influências que podem definir seu estado de saúde. A forma de 
interação do homem com o meio passa ter uma relação muitas vezes direta entre saúde-doença.
Diante disso, destaca-se a importância da epidemiologia ambiental, cuja ênfase está na 
discussão dos fatores do meio, físicos, químicos, biológicos e psicossociais que atuam nas causas 
das doenças.
O objetivo é refletir sobre a causa de uma doença, na epidemiologia, a questão é ampliada, 
pois a doença é multicausal e a questão da causalidade não é linear ou simplista. Se a ocorrência 
da doença é devido à influência de muitos fatores, então cabe a epidemiologia investigar 
para entender melhor a rede multicausal. Ela pode ser explicada como uma série de fatores 
determinantes que, atuando em determinado espaço e tempo leva à ocorrência do agravo. 
Com o intuito de prevenir as doenças, os estudos devem levar em consideração fatores 
genéticos e a suscetibilidade a exposição de fatores. Ao investigar a etiologia da doença, 
está investigando o quanto que uma doença se deve a fatores genéticos e o quanto a fatores 
ambientais e como essa interação acaba aumentando o risco da doença.
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Com a evolução da epidemiologia, chegou-se a três fatores principais: agente, hospedeiro e 
ambiente. Entende-se que a saúde e a doença estão na dependência das interações estabelecidas 
entre esses fatores. Acredita-se que o equilíbrio dessas três partes leva à saúde, no entanto, 
qualquer desequilíbrio no sistema seria suficiente para gerar um estado de doença.
Na epidemiologia, o hospedeiro que ocupa a discussão central é o homem. Muitas 
características do ser humano ajudam a constituir os fatores que podem levar à doença como o 
sexo, a idade, condições de vida, raça, credo, entre muitas outras.
Diante disso, o ambiente é um importante componente do sistema. Entre o agente, o 
hospedeiro e o ambiente qualquer desequilíbrio pode gerar consequências, fatores ambientais 
associados a doenças podem ser de origem física, biológica e social. 
Variações anuais de temperatura podem influenciar várias doenças. As transmitidas por 
vetores têm nos períodos mais quentes do ano um aumento da transmissão. Insetos proliferam-
se mais em temperaturas elevadas. Agentes patogênicos são transmitidos com mais facilidade 
em razão do maior contato do homem e desses vetores, isso normalmente acontece quando 
as temperaturas são mais elevadas. Muitos agentes responsáveis por infecções respiratórias tem 
seu aumento no inverno. Em temperaturas baixas, a tendência é das pessoas ficarem mais 
fechadas e ambientes sem circulação de ar favorecem a transmissão dos agentes biológicos. Até 
as doenças não infecciosas tem relação com a temperatura. Nos trópicos, onde as temperaturas 
são mais elevadas, as pessoas normalmente se expõem mais ao sol, podendo desenvolver, por 
exemplo, câncer de pele. Nas regiões onde o inverno é muito prolongado, as pessoas podem 
estar sujeitas a outros tipos de agravos, inclusive de ordem psicológica, pois ficam muitos meses 
sem a luz do sol e em ambientes confinados. A pluviosidade também influencia no aparecimento 
ou não de certas doenças. Em ambientes antrópicos, sem saneamento adequado, pode ocorrer 
maior contaminação das fontes de água. Águas contaminadas colocam a população em risco 
de diversas enfermidades. Chuvas intensas também podem provocar inundações nas áreas 
urbanas, muitas doenças se proliferam nessa situação, podemos citar o caso da leptospirose, 
uma zoonose que contamina os ratos que eliminam o agente através da urina. A inundação 
espalha o agente pela área e o homem se contamina ao entrar em contato com essa água 
através de algum ferimento na pele. É uma doença bem característica das áreas de inundação. 
Outro fator que pode influenciar o aparecimento de determinadas doenças é a topografia. A 
malária, por exemplo, está ligada aos charcos que se formam próximos ao leito dos rios. Esses 
charcos são criadouros dos mosquitos vetores da doença. As montanhas com altitude elevada, 
onde a pressão atmosférica é menor, favorecem as pessoas que sofrem de pressão baixa, já os 
terrenos baixos, com uma maior pressão atmosférica, favorecem a saúde dos hipertensos.
No mundo contemporâneo, a preservação do meio ambiente já é vista como um fator 
importante para a sobrevivência humana. Muitos esforços foram e são feitos no sentido da 
preservação da biodiversidade. Nas áreas urbanas, a manutenção dos espaços verdes torna-se 
cada vez mais necessária para contribuir com o equilíbrio do clima e da poluição. 
Quando o ambiente natural é modificado por ações antrópicas, geralmente com a exploração 
de recursos naturais e desmatamentos ocorre a quebra do equilíbrio aumentando a possibilidade 
de transmissão de agentes que causam doenças. Desta maneira podem surgir novas doenças. 
Nesses ambientes impactados pela ação do homem é comum haver o desequilíbrio do 
componente biológico. Espécies antes raras podem se tornar abundantes e vetores como os da 
malária, quando proliferam aumentam o risco de transmissão. 
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Unidade: Epidemiologia
No ambiente antrópico rural, o homem acaba facilitando o aparecimento de riscos 
epidemiológicos por meio das suas atividades. Na agricultura, para manter a plantação produtiva, 
aduba o solo com produtos químicos e combate às ervas daninhas com herbicidas e para 
evitar o ataque dos insetos usa os inseticidas. Ao manter sua plantação produtiva, o agricultor 
acaba contaminando seriamente o meio ambiente colocando em risco a sua saúde, de seus 
trabalhadores e de toda a população que vai ingerir o alimento contaminado. Situação parecida é 
observada na pecuária intensiva, com os animais confinados há o acúmulo de esterco e com um 
manejo inadequado ocorre a proliferação das moscas, que acabam chegando às comunidades 
humanas. Muitas espécies dessas moscas servem de vetor a inúmeras infecções. Para combater 
esses insetos que atacam os rebanhos, venenos são aplicados contaminando os animais e seus 
produtos. Nas áreas urbanas, outros riscos relacionados ao meio ambiente surgem como a 
falta de áreas verdes, por exemplo. Em áreas de clima quente, o calor torna-se insuportável e a 
radiação do calor liberado pelas superfícies pavimentadas eleva a temperatura em vários graus, 
provocando

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