04 2016.1 EXTINCAO DA PUNIBILIDADE
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04 2016.1 EXTINCAO DA PUNIBILIDADE


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DIREITO PENAL II (PARTE GERAL) - RESUMO ESQUEMÁTICO - Prof. PEDRO VIEIRA 
 
Material sujeito a alterações/correções em sala de aula 1 
EXTINÇÃO DA PUNIBILIDADE 
DIREITO DE PUNIR (\u201cius puniendi\u201d): nasce, em concreto, para o Estado, quando o agente pratica 
um fato típico, ilícito e culpável. 
Há situações, enumeradas pela lei, entretanto, em que o direito de punir não pode mais ser 
exercido. 
Extingue-se a punibilidade (art. 107, CP): 
I. pela morte do agente; 
II. pela anistia, graça ou indulto; 
III. pela retroatividade de lei que não mais considera o fato como criminoso; 
IV. pela prescrição, decadência ou perempção; 
V. pela renúncia do direito de queixa ou pelo perdão aceito, nos crimes de ação privada (CP, 
arts. 104 e 105, ação penal); 
VI. pela retratação do agente, nos casos em que a lei a admite; 
VII. pelo perdão judicial, nos casos previstos em lei. 
 
I) Morte do agente 
CPP: \u201cArt. 62. No caso de morte do acusado, o juiz somente à vista da certidão de óbito, e depois de 
ouvido o Ministério Público, declarará extinta a punibilidade.\u201d 
II) Retroatividade de lei que não mais considera o fato como criminoso 
CP: \u201cArt. 2º - Ninguém pode ser punido por fato que lei posterior deixa de considerar crime, cessando em 
virtude dela a execução e os efeitos penais da sentença condenatória.\u201d 
\uf0fc \u201cabolitio criminis\u201d 
\uf0fc Faz desaparecer o próprio crime 
\uf0fc Cessam os efeitos penais, mas subsistem os civis 
III) Retratação do agente, nos casos em que a lei a admite 
Exemplos: 
CP: \u201cArt. 143 - O querelado que, antes da sentença, se retrata cabalmente da calúnia ou da difamação, 
fica isento de pena.\u201d 
CP: \u201cArt. 342. (...) [falso testemunho] 
§ 2º O fato deixa de ser punível se, antes da sentença no processo em que ocorreu o ilícito, o agente se 
retrata ou declara a verdade. 
IV) Decadência ou Perempção 
Decadência (ação privada ou pública mediante representação) 
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CP: \u201cArt. 103 - Salvo disposição expressa em contrário, o ofendido decai do direito de queixa ou de 
representação se não o exerce dentro do prazo de 6 (seis) meses, contado do dia em que veio a saber 
quem é o autor do crime, ou, no caso do § 3º do art. 100 deste Código, do dia em que se esgota o prazo 
para oferecimento da denúncia.\u201d 
EXTINÇÃO DA PUNIBILIDADE 
IV) Decadência ou Perempção 
Perempção \u2013 após iniciada a ação penal privada 
CPP: 
\u201cArt. 60. Nos casos em que somente se procede mediante queixa, considerar-se-á perempta a ação 
penal: 
I - quando, iniciada esta, o querelante deixar de promover o andamento do processo durante 30 dias 
seguidos; 
II - quando, falecendo o querelante, ou sobrevindo sua incapacidade, não comparecer em juízo, para 
prosseguir no processo, dentro do prazo de 60 (sessenta) dias, qualquer das pessoas a quem couber 
fazê-lo, ressalvado o disposto no art. 36; 
CPP: 
Art. 36. Se comparecer mais de uma pessoa com direito de queixa, terá preferência o cônjuge, e, em 
seguida, o parente mais próximo na ordem de enumeração constante do art. 31, podendo, entretanto, 
qualquer delas prosseguir na ação, caso o querelante desista da instância ou a abandone. 
(...) 
Art. 31. No caso de morte do ofendido ou quando declarado ausente por decisão judicial, o direito de 
oferecer queixa ou prosseguir na ação passará ao cônjuge, ascendente, descendente ou irmão. 
III - quando o querelante deixar de comparecer, sem motivo justificado, a qualquer ato do processo a que 
deva estar presente, ou deixar de formular o pedido de condenação nas alegações finais; 
IV - quando, sendo o querelante pessoa jurídica, esta se extinguir sem deixar sucessor. 
Art. 61. Em qualquer fase do processo, o juiz, se reconhecer extinta a punibilidade, deverá declará-lo de 
ofício.\u201d 
V) perdão judicial, nos casos previstos em lei 
Exemplos: 
CP: \u201cArt. 121. (...) 
§ 5º - Na hipótese de homicídio culposo, o juiz poderá deixar de aplicar a pena, se as conseqüências 
da infração atingirem o próprio agente de forma tão grave que a sanção penal se torne desnecessária.\u201d 
Art. 129. (...) 
§ 8º - Aplica-se à lesão culposa o disposto no § 5º do art. 121.\u201d 
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Natureza jurídica da sentença que concede o perdão judicial: absolutória ou condenatória? R. art. 
120, CP. 
STJ \u2013 Súmula 18: \u201cA sentença concessiva do perdão judicial é declaratória da extinção da punibilidade, 
não subsistindo qualquer efeito condenatório\u201d. 
ABSOLUTÓRIA 
STF - RE 92907 (antes da Reforma de 1984) 
PERDÃO JUDICIAL COM BASE NO ART-121, PAR-5. DO CÓDIGO PENAL (NA REDAÇÃO DADA 
PELA LEI N. 6.416/77). O PERDÃO JUDICIAL PRESSUPÕE CONDENAÇÃO E, EM CONSEQUÊNCIA, 
NÃO SE ESTENDE AOS EFEITOS SECUNDARIOS PRÓPRIOS DA SENTENÇA DE NATUREZA 
CONDENATÓRIA, TAIS COMO O PAGAMENTO DAS CUSTAS DO PROCESSO, INCLUSÃO DO 
NOME DO RÉU NO ROL DOS CULPADOS E PRESSUPOSTO PARA A REINCIDÊNCIA. RECURSO 
EXTRAORDINÁRIO CRIMINAL CONHECIDO E PROVIDO. 
STF - RE 104977 (e RE 104679 \u2013 idêntico entendimento \u2013 após a Reforma de 1984) 
PERDAO JUDICIAL - IMPEDE A APLICAÇÃO DOS EFEITOS PRINCIPAIS DA CONDENAÇÃO, MAS 
SUBSISTEM OS EFEITOS SECUNDARIOS (LANÇAMENTO NO ROL DOS CULPADOS E 
PAGAMENTO DE CUSTAS), DESCONSIDERADA NA REDAÇÃO DA NOVA PARTE GERAL, NO 
ARTIGO 120, A REINCIDENCIA. EXAME DA QUESTÃO EM FACE DA NOVA REDAÇÃO DA PARTE 
GERAL DO CÓDIGO PENAL (LEI 7209/84). RECURSO EXTRAORDINÁRIO CONHECIDO, EM PARTE, 
E, NESSA PARTE, PROVIDO. 
STJ - RESP 4348 
PENAL. PERDÃO JUDICIAL. SENTENÇA CONCESSIVA. EFEITOS. RECURSO ESPECIAL. - 
ASSISTENTE DO MINISTERIO PUBLICO. RECURSO NÃO CONHECIDO, POR CARENCIA DA 
SUPLETIVIDADE QUE LHE E INERENTE. - REEXAME DA PROVA. SÚMULA 07-STJ. - DIVERGÊNCIA 
JURISPRUDENCIAL. NO QUE PESE AO PRESTIGIO DA FONTE, OS PRECEDENTES DO STF SOBRE 
OS EFEITOS PENAIS SECUNDÁRIOS, RESIDUAIS, DO PERDÃO JUDICIAL SERVEM, NO CASO, AO 
CONHECIMENTO DO RECURSO DO MINISTÉRIO PÚBLICO, MAS NÃO A SEU PROVIMENTO, DADO 
QUE REITERADA NO STJ A ASSERTIVA DE QUE A SENTENÇA CONCESSIVA DO PERDÃO, EM 
SENDO EXTINTIVA DA PUNIBILIDADE, NÃO PRODUZ NENHUM EFEITO CONDENATÓRIO. 
VI) Anistia, Graça e Indulto 
ANISTIA GRAÇA INDULTO 
Faz desaparecer o crime Extingue apenas a punibilidade 
Ato do Poder Legislativo (lei) Ato do Poder Executivo 
(Presidente da República 
\u2013 CF, art. 84, XII) 
Ato do Poder Executivo 
(Presidente da 
República \u2013 CF, art. 84, 
XII), com participação 
do Juiz 
Em regra, aplicada a crimes 
políticos (ex.: Lei n. 6.683/79) 
Em regra, aplicada a crimes comuns 
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Coletivo (relaciona-se a fatos 
e não a pessoas \u2013 Nucci) 
Individual Coletivo (relaciona-se a 
pessoas \u2013 preench. 
requisitos) 
 
DECRETO Nº 7.420, DE 31 DE DEZEMBRO DE 2010. 
Concede indulto natalino e comutação de penas, e dá outras providências. 
O PRESIDENTE DA REPÚBLICA, no exercício da competência privativa que lhe confere o art. 84, inciso 
XII, da Constituição, tendo em vista a manifestação do Conselho Nacional de Política Criminal e 
Penitenciária, acolhida pelo Ministro de Estado da Justiça, e considerando a tradição, por ocasião das 
festividades comemorativas do Natal, de conceder indulto às pessoas condenadas ou submetidas à 
medida de segurança e comutar penas às pessoas condenadas, que cumpram os requisitos 
expressamente previstos neste Decreto, 
DECRETA: 
Art. 1º É concedido indulto às pessoas: 
I - condenadas à pena