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Disciplina: Ética na Saúde
Aula 2: Bioética – História e princípios básicos
Apresentação
Vimos na aula anterior um breve resumo histórico da transformação da ética em função de aspectos políticos, sociais e
econômicos. Assim, podemos entender que a ética sofre mudanças em função de circunstâncias práticas que obrigam a
readequação de valores e condutas.
Veremos nesta aula, como a Segunda Guerra Mundial trouxe atrocidades tão marcantes sobre a vida que não apenas a ética
precisou ser mais uma vez redefinida, como fez surgir um novo padrão ético associado diretamente a ações voltadas para a
área da saúde e da preservação da vida: A Bioética.
Veremos, ainda, como os avanços científicos influenciam nos processos éticos e como a Bioética se preocupa com a
normatização de procedimentos que envolvem recursos de saúde e critérios de distribuição e aplicação destes recursos.
E de modo a fundamentarmos melhor nosso entendimento, veremos alguns dos princípios básicos que fundamentam a
aplicação da Bioética. Princípios que procuram nortear decisões importantes na área da saúde como, por exemplo, de que
forma podemos avaliar a justificabilidade de efeitos colaterais negativos em procedimentos de saúde, quando podemos dispor
de nossos órgãos, quando aplicar tratamentos alternativos ou experimentais e outros.
Bons estudos!
Objetivos
Identificar a origem histórica e filosófica da Bioética;
Reconhecer os critérios que definem os aspectos práticos da Bioética;
Verificar alguns dos princípios básicos que fundamentam a Bioética.
O que é Bioética?

(Fonte: Youtube <https://www.youtube.com/watch?v=-B1UzoAjDk8> )
URL
História da Bioética
As bases filosóficas da Bioética começaram a ser mais bem definidas após a Segunda Guerra Mundial, quando o mundo
ocidental, chocado com as práticas nazistas executadas pretensamente em nome da ciência, cria um código ético para
normatizar os estudos e experiências relacionados a seres humanos.
Deste episódio, fortalece-se também a ideia de que a ciência (ou qualquer outra forma de progresso) não pode ser mais
importante que o homem. Assim, tecnologias e desenvolvimento técnico devem ser controlados para acompanhar a
consciência da humanidade sobre os efeitos que eles podem ter, nos indivíduos, no mundo e na sociedade.
 DNA humano. (Fonte: Shutterstock)
à é
Bios (vida) + Ethos (relativo à ética)
Oficialmente, o registro inicial do termo “Bioética” deu-se em 1971, no livro "Bioética: Ponte para o Futuro", do biólogo e
oncologista americano Van R. Potter.
Em sua origem, o termo é a conjugação das palavras gregas bios (vida) + ethos (relativo à ética) e sua concepção
compreende o campo disciplinar compromissado com o conflito moral na área da saúde e da doença dos seres humanos e dos
animais não humanos.
 Capa do livro “Bioética: Ponte para o Futuro” (Fonte: ciadoslivros.com.br
<http://www.ciadoslivros.com.br/bioetica-ponte-para-o-futuro-732287-
p603639> )
O objetivo primordial da Bioética é discutir as questões relativas à vida e a saúde, principalmente
as que surgiram a partir de inovações tecnológicas posteriores aos debates éticos tradicionais,
sob um enfoque humanista e assim, evitar que estes debates se restrinjam a aspectos
puramente tecnicistas, esquecendo-se de que tratamos de aspectos delicados e extremamente
complexos.
Não se poderia admitir que aspectos como os provocados pelas controvertidas questões do aborto e da eutanásia, ou as
discussões cada dia mais prementes acerca da biossegurança, da biotecnologia e muitos outros associados, fossem discutidos
sob o prisma de antigas abordagens (muitas vezes preconceituosas ou simplesmente dogmáticas) e sem uma análise
transdisciplinar mais ampla. Por isso, a Bioética engloba áreas que abarcam aspectos práticos e normativos, através do
biodireito e aspectos teóricos e filosóficos, como o biopoder.
A ética industrial decorrente da disseminação de valores capitalistas e da incessante busca por mais desenvolvimento
tecnológico, estabeleceu nas sociedades ocidentais uma ideologia chamada de teoria utilitarista, através da qual a vida
humana passa a ser concebida como objetivando a maximização da qualidade. Com isso, o debate ético sobre a
sacralidade da vida humana começa a perder sentido em detrimento do quanto pode ser feito para que as pessoas em
geral vivam mais e melhor.
 Cidade urbana. (Fonte: Shutterstock)
John Finnis e outros estudiosos da ética e da bioética que se contrapunham a esta abordagem, argumentam que a questão da
maximização do prazer (ou da qualidade de vida) não pode se impor (como uma equação matemática) eticamente a aspectos
morais e a valores mais amplos do que o prazer.
Segundo estes autores, temas como o aborto ou a eutanásia, não podem ser moralmente debatidos em termos de
satisfatoriedade ou qualidade de vida. Ou, em outras palavras, não podemos sustentar a defesa do aborto simplesmente pelo
fato de que a gestante se priva de situações ou gratificações em função da gravidez.
O que Finnis irá propor é uma Bioética fundamentada em
aspectos filosóficos mais clássicos e moralmente
sustentáveis.
Assim, para solucionar questões éticas práticas, decorrentes de conflitos e controvérsias da interação humana e de suas
práticas médicas ou científicas, a bioética se fundamenta em uma tríplice atuação:
1
Descritiva
Voltada para a descrição e análise destes conflitos.
2
Normativa
Com relação a tais conflitos, no duplo sentido de proscrever os comportamentos que podem ser considerados reprováveis e de
prescrever aqueles considerados corretos.
3
Protetora
No sentido de amparar, na medida do possível, todos os envolvidos em alguma disputa de interesses e valores, priorizando,
quando isso for necessário, os mais “fracos” (Schramm, F.R. 2002. Bioética para quê? Revista Camiliana da Saúde, ano 1, vol.
1, n. 2 – jul/dez de 2002 – ISSN 1677-9029, pp. 14-21).
Atividade
1 - Utilize os números para correlacionar os conceitos aos procedimentos da Bioética.
a) O Conselho Federal de Medicina (CFM), através da Resolução nº 1.956/2010
<http://www.portalmedico.org.br/resolucoes/cfm/2010/1956_2010.htm> , publicada no dia 25 de outubro no
Diário Oficial da União, determinou que médicos não poderão indicar para seus pacientes marcas de órteses, próteses ou
materiais implantáveis. O conselheiro Antônio Pinheiro, coordenador da comissão que elaborou a resolução, explicou que
o objetivo é reduzir os conflitos existentes entre médicos e operadoras de planos de saúde, e também com instituições
públicas, quando da indicação de uso desses materiais.
b) O número de processos por erro médico recebido pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ) mais que triplicou nos últimos
seis anos. De 2002 até o fim do ano passado, o volume de ações passou de 120 para 398, segundo a Assessoria de
Imprensa do tribunal. No total, tramitam no STJ atualmente 471 casos, a maioria questionando a responsabilidade
exclusiva do médico e não das instituições.
Mesmo com o aumento das denúncias por parte da população, a estatística ainda está muito aquém da realidade, na
opinião de Lígia Bahia, médica e vice-presidente do Centro Brasileiro de Estudos de Saúde (Cebes), do Rio de Janeiro.
"No Brasil há um sub-registro de erros médicos, a gente só vê a ponta do iceberg, não temos dimensão do iceberg
inteiro". (Fonte <http://www.estadao.com.br/noticias/geral,processos-por-erro-medico-no-stj-triplicam-em-
6-anos,336003> )
c) Divulgar melhor a Declaração Universal sobre a Bioética adotada pela Unesco em 2005 foi uma das maiores
preocupações manifestadas pelo Comitê Internacional de Bioética <http://br.rfi.fr/ciencias/20101104-comite-
de-bioetica-da-unesco-discute-clonagem> reunido entre os dias 26 e 27 de outubro, em Paris.
Durante dois dias, representantes dos 36 países que compõem o Comitê discutiram os relatórios elaborados por grupos
de trabalho em torno de três temas: