Kurt Brand os soberanos Azuis, perry rhodan vol, 208

Kurt Brand os soberanos Azuis, perry rhodan vol, 208


Disciplina<strong>ficção Científica</strong>3 materiais3 seguidores
Pré-visualização23 páginas
OS SOBERANOS AZUIS 
Autor 
KURT BRAND 
Tradução 
RICHARD PAUL NETO 
Digitalização 
VITÓRIO 
Revisão 
ARLINDO_SAN 
Durante as operações de busca à procura do misterioso planeta 
Kahalo, a nova nave-capitânia de Perry Rhodan, a Crest II, entra na 
área de ação de um gigantesco transmissor solar \u2014 e é arremessada 
para o abismo intergaláctico, indo parar num sistema solar artificial 
situado a 900.000 anos-luz da Terra. 
Este sistema, que recebeu o nome de Gêmeos, encerra uma série de 
perigos mortais para qualquer ser que o visite. Alguns terranos morrem, 
mas o grosso da tripulação da Crest sempre encontra um meio de 
escapar à destruição. 
Antes que apareça o guarda de Andrômeda, que frustra os planos 
dos terranos, até se poderia ter a impressão de que a Crest tem uma 
chance real de retornar sã e salva à sua galáxia de origem... 
Icho Tolot, o halutense monstruoso que acompanha Rhodan em 
suas aventuras, tem certeza de ter manipulado corretamente os controles 
do transmissor para possibilitar o regresso da Crest... 
No entanto, o guarda moribundo modifica as coordenadas 
introduzidas no transmissor e transfere a Crest para o centro de Horror, 
um mundo oco artificial que é todo ele uma armadilha mortífera. 
Rhodan e seus companheiros, que mal conseguiram escapar aos 
sofrimentos e perigos do centro e do primeiro nível, dispõe-se a abrir 
caminho para o nível vermelho... 
Mas Os Soberanos Azuis já estão informados sobre suas 
intenções... 
= = = = = = = Personagens Principais: = = = = = = = 
Lamon e Loorn \u2014 Dois habitantes do nível vermelho de 
Horror . 
Coronel Cart Rudo \u2014 Comandante de uma nave 
\u201camarrada\u201d. 
Perry Rhod an \u2014 Administrador-Geral do Império Solar. 
Icho Tolot \u2014 Um halutense ávido de aventuras, que se ligou 
a Rhodan. 
Ivã Ivanovitch Goratchim \u2014 O mutante detonador que 
trava um duelo com os soberanos azuis. 
Capitão Don Redhorse \u2014 Chefe do destacamento de 
desembarque da Crest II. 
Gucky \u2014 Um especialista da USO e oficial de patente 
especial que sabe enfrentar a situação.
1 
Estavam em três e brilhavam num azul intenso. Fazia eônios que flutuavam sobre 
seu mundo, que estava mergulhado numa luz vermelho-escura. Eram verdadeiros 
gigantes, mas seu vôo era silencioso. Voavam sem um sistema perceptível, apenas seu 
aparecimento sobre Kraa, a maior cidade em seu mundo, era regular. Vinham sós cento e 
vinte vezes em seguida, para depois aparecer em três. 
Mas quando isso acontecia já não se aproximavam de Kraa planando 
silenciosamente. Pelo contrário. Vinham em velocidade alucinante, fazendo com que as 
massas de ar em torno deles bramissem, e o rugido das mesmas penetrassem nos cantos 
mais profundos das construções em favo e dos espaços ocos. Algumas horas antes de sua 
chegada o aspecto da abóbada celeste mudava. Se antes brilhava numa incandescência 
vermelha, naqueles momentos parecia irromper em chamas, como se quisesse queimar 
tudo. Mas os três soberanos azuis não seriam queimados \u2014 nem sequer se sentiriam 
ofuscados. Enxergavam na claridade ofuscante tão bem quanto na noite completamente 
escura. Viam e reconheciam o que acontecia a mil metros de distância, da mesma forma 
que distinguiam os acontecimentos que se desenrolavam lá embaixo. 
Nunca se cansavam de observar as coisas. 
Será que era também por isso que se mostravam insaciáveis. 
Sempre que o céu parecia arder em cima deles e resolviam aparecer em três sobre a 
cidade, exigiam suas vítimas, que lhes eram oferecidas por criaturas trêmulas. 
Nunca agradeciam pelas dádivas recebidas. 
Aceitavam-nas e desapareciam com elas. 
Será que tinham conhecimento do medo terrível que se apossava das criaturas que 
havia lá embaixo? 
Sabiam como era pavoroso seu aspecto, quando a abóbada celeste, irrompia em 
chamas e eles mesmos brilhavam num azul que fazia doer os olhos dos seres que os 
contemplavam. 
Os soberanos azuis não mostravam se possuíam algum sentimento. Nunca 
modificavam seu aspecto exterior. A passagem do tempo não deixava suas marcas nesses 
seres. Pareciam ter vindo da eternidade, para viver eternamente. 
As sucessivas gerações tinham observado os soberanos, e os antepassados 
longínquos dos habitantes atuais já tinham aprendido a temê-los. Não revelavam seus 
segredos. E nos corações daqueles que os temiam transformavam-se em deuses. 
A transformação do vermelho-escuro do céu num rubro chamejante não haveria de 
ser fatalmente obra dos deuses? Eles permaneciam em silêncio. Poder-se -ia ser levado a 
acreditar que eram mudos, se não gritassem repetidamente com voz de tenor, planando 
baixo sobre a cidade: 
\u2014 Coloquem as vítimas em posição! 
As criaturas que habitavam a cidade voltaram a respirar aliviados. Fazia pouco 
tempo que o terceiro soberano tinha recebido sua vítima para depois afastar-se em 
silêncio. Mas quando voltassem, viriam em três, e a abóbada celeste arderia num fogo 
mais horrendo que nunca. 
Lamon, o servo velhíssimo dos soberanos azuis, estava na cidade, fazendo os 
primeiros preparativos para o grande sacrifício. As vítimas já tinham sido escolhidas e 
encontravam-se na casa da pureza. Lamon, o ancião, já não via neles seres de sua espécie. 
Não pertenciam mais ao seu grupo. O ser que tinha sido escolhido, através de uma 
interpretação sofisticada dos sonhos, a comparecer à presença dos três deuses, tinha 
atingido o objetivo supremo da vida e não poderia ter mais contato com os outros seres. 
A doutrina ensinava de que forma tinham de ser entregues aos soberanos azuis. 
Lamon sabia de cor todas as palavras dessa doutrina; o cerimonial entranhara-se em seu 
corpo. Mas também já não tinha ouvidos para os lamentos das vítimas. O desespero das 
mesmas não atingia seu coração. 
Seu nome era Lamon, e tinha alcançado uma idade muito avançada. O nome dos 
servos dos soberanos azuis sempre fora Lamon. O ancião não seria capaz de dizer 
quantos la mo n s tinha havido antes dele. 
Lamon era um nome e um título ao mesmo tempo. Quem se encontrasse com ele lá 
fora ficava parado, fechava os olhos e permanecia nesta posição até que Lamon tivesse 
passado. 
Enquanto Lamon estava iniciando seus preparativos, lá longe os três soberanos azuis 
estavam planando logo abaixo da abóbada celeste. Nenhum deles via os outros; muitas 
vezes era assim. Mas isso não importava. Mantinham contato ininterrupto. Os três 
soberanos estavam tão bem sincronizados que não poderia haver nenhum mal-entendido. 
Não usavam nomes no sentido convencional, mas cada um deles sabia com qual dos 
outros estava em contato e quem lhe transmitia as notícias. 
De repente os três se sobressaltaram. Receberam uma mensagem vinda de fora. Era 
uma mensagem extraordinária. Mas nem por isso os pegou desprevenidos. 
Compreenderam que a hora de darem início à grande tarefa se aproximava. 
* * * 
Todos os robôs de trabalho da Crest II foram ativados. Seus passos fortes ressoaram 
em todos os conveses do supercouraçado. Fazia três dias e meio que tinham recebido 
ordem para reparar as avarias da nave-capitania. Estas eram bem maiores do que o 
primeiro controle, um tanto apressado, tinha mostrado. Mas graças aos recursos 
existentes a bordo deveria ser possível colocar a nave novamente em condições de pleno 
funcionamento. 
Os robôs de trabalho deram início à tarefa sob a direção dos técnicos e engenheiros 
e seu trabalho estafante já prosseguia há quase quatro dias. 
De duas em duas horas o centro técnico que comandava os trabalhos informava o 
Chefe sobre o andamento dos mesmos. Nas últimas oito horas, tempo padrão, até mesmo 
um leigo compreenderia que dentro de algumas horas a Crest II estaria em condições de 
entrar em ação. 
No grande hospital da nave as coisas não pareciam tão boas. Também ali havia 
robôs médicos por toda parte, que se dedicavam de forma incansável aos inúmeros 
homens que queriam recuperar-se dos efeitos do frio ou dos ferimentos graves que