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contabilidade e gestão tributária I - resumo das aulas 1 a 5.

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Aula 1: Apresentação da disciplina, contextualização e estudo do sistema tributário nacional
Conforme estudado em outras disciplinas, a Contabilidade é uma Ciência Social que objetiva o controle do patrimônio das entidades e de seus resultados. Da mesma forma, o Direito é uma Ciência Social que tem como objetivo a interpretação e aplicação das normas jurídicas de relacionamento social nas suas diversas vertentes.
Dentre os diversos ramos do Direito, o que se ocupa da ordem pública e, como subdivisão deste, está o Direito Financeiro e intrínseco a este: O Direito Tributário, que se ocupa da normatização da tributação, arrecadação e divisão dos tributos arrecadados pelo estado.
introdução 
Neste contexto, a Contabilidade e o Direito possuem forte vínculo, tendo em vista a própria conceituação de ciência social e a aplicação da legislação nos diversos segmentos das organizações e mercados, não obstante ao forte impacto da tributação sobre os fluxos financeiros das organizações.
A fim de facilitar a compreensão e o estudo da Contabilidade, ela é dividida em segmentos voltados a áreas específicas como:
Financeira,Comercial,Societária,Custos,Gerencial,Tributária, entre outras
No contexto do presente estudo, a contabilidade tributária tem como objeto principal o reconhecimento dos institutos tributários incidentes sobre o patrimônio, as operações e relações ambientais, à luz dos regulamentos comerciais, fiscais e tributários, bem como as normas e princípios contábeis. Mais especificamente, do ponto de vista das organizações, o objetivo da mesma é reconhecer os tributos, registrá-los e cumprir as obrigações principais  e acessórias, na forma da Lei, de forma menos onerosa.
Podemos dizer que a Contabilidade Tributária é o ramo da contabilidade responsável:
Pelo controle (reconhecimento, apuração, lançamento ou escrituração e evidenciação).
Pelo planejamento  dos tributos incidentes nas diversas atividades organizacionais ou grupos societários, que buscam harmonizar a atividade empresarial aos direitos e obrigações tributárias, de forma a usufruir dos direitos e cumprir as obrigações, sem expor a entidade às possíveis infrações fiscais e legais.
Sistema tributário nacional
A atividade tributária do Estado tem origem remota, e certamente acompanhou a evolução do homem desde a criação das primeiras sociedades e concepções políticas, sendo hoje um dos fundamentos da existência de qualquer sociedade, independente da forma de governo ou concepções econômico-sociais.
O Estado tem por finalidade a realização do bem comum por meio da administração pública, que executará as políticas públicas, planos de ação para que o Estado funcione, tendo como referência a sociedade. 
Contudo, as atividades estatais não são autossustentáveis, e é uma importante função do Estado estabelecer e cobrar tributos para o financiamento das políticas públicas, visando o bem comum.
Assim, no nosso modelo de governo federalista, a Constituição Federal, apesar de não criar tributo, cumpre o papel essencial de estruturação do sistema tributário ao definir as competências tributárias dos entes políticos da Federação (União, Estados, Distrito Federal e Municípios):
  • Consagrar os princípios e normas gerais de direito tributário, 
  • Instituir limitações ao poder de tributar, 
  • Estabelecer a repartição das receitas tributárias e vinculações compulsórias. 
Entretanto, a instituição, a arrecadação e a fiscalização dos tributos pela União, pelos Estados, pelo Distrito Federal e pelos Municípios, que para evitar conflitos entre os entes estatais e o cidadão, criaram regras para limitar o poder de tributar dos governantes . A evolução histórica do direito constitucional alcança essas limitações por meio dos princípios gerais de direito tributário. 
A evolução até a Constituição de 1988
O nosso sistema tributário sofreu diversas modificações até alcançarmos a estrutura atual. Durante o império e a proclamação da república, o sistema manteve a mesma estrutura, assim permanecendo até a Constituição de 1934.
Na época, a principal fonte de receita pública concentrava-se na tributação do comércio exterior, com destaque para o imposto de importação, que chegava a representar 2/3 das fontes públicas.
A Constituição de 1934 trouxe relevantes modificações, quando passou a predominar a cobrança de impostos internos sobre produtos.
Com o advento da Constituição de 1946, novas modificações foram introduzidas com a preocupação de aumentar a receita dos municípios, sintetizada pelo sistema de transferência dos municípios.
Na vigência deste sistema, que durou aproximadamente 20 anos, observou-se a crescente importância dos impostos indiretos sobre produtos, atingindo, nos anos 60, a representativa cifra de 40% da arrecadação da União e 70% da arrecadação dos Estados.
A nova reforma tributária ocorreu no período de 1965 a 1967, quando foi instituída a Lei Complementar no 5.172, de 1966, conhecida e vigente até nossos dias como Código Tributário Nacional.
Na época, este sistema foi  implementado como um dos mais modernos do mundo, privilegiando a 
simplificação e criando dois tributos sobre o valor agregado:
o ICM  e o IPI, sob regime não cumulativo, em substituição aos tributos cumulativos incidentes sobre o consumo.
A Constituição Federal de 1988 trouxe profundas e importantes modificações ao sistema tributário nacional, especialmente no que toca a distribuição dos recursos arrecadados, pertinentes aos entes federativos (União, Estados e Municípios), ampliando os direitos trabalhistas e previdenciários, bem como ampliando os tributos de competência de cada ente político da Federação.
No texto constitucional, nenhum outro imposto poderá ser criado, além daqueles expressamente previstos. Essa garantia admite apenas exceções em função da competência residual da União, desde que os tributos criados sejam não cumulativos e não tenham fato gerador ou bases de cálculo próprias dos discriminados na Constituição (CF, art. 154, I), bem como, impostos extraordinários, que podem ser instituídos na iminência ou em caso de guerra externa, compreendidos ou não em sua competência tributária, os quais serão suprimidos gradativamente, cessadas as causas de sua criação (CF, art. 154, II).
Limitações ao poder de tributar
O Estado de Direito não admite direitos que possam ser exercidos 
ilimitadamente, não respaldando poderes sem qualquer restrição.
Desta forma, em matéria tributária, o Estado detém o poder de 
impor tributos ao contribuinte, pessoa física ou jurídica, sendo observados alguns preceitos e dispositivos da Constituição Federal e demais legislações infraconstitucionais.
Os artigos 150, 151 e 152 da CF são compostos por diversas normas e princípios que são garantias constitucionais do contribuinte para que o Estado 
não adentre seu patrimônio particular, devido a constante necessidade de arrecadar recursos para se sustentar e cumprir suas finalidades essenciais.
Princípios constitucionais tributários
Além dos princípios existentes na Constituição, mais precisamente no seu art. 5º, no que tange o direito tributário, existem normas constitucionais específicas para limitar a competência tributária dos entes estatais, as quais são abordadas, também, pela legislação infraconstitucional.
Elementos  fundamentais da obrigação tributária
No nosso modelo, tributo é definido como (Código Tributário Nacional – Lei 5.172/76):
“Toda prestação pecuniária compulsória, em moeda ou cujo valor nela se possa exprimir, que não constitua sanção de ato ilícito, instituído em lei, que não constitua sanção pecuniária decorrente de ato ilícito, cobrado mediante atividade administrativa plenamente vinculada”.
A lei – é o principal elemento da obrigação tributária, pois cria o tributo, os elementos de sua incidência e as condições para a sua apuração e cobrança.
O objeto do tributo – representa as obrigações que o sujeito passivo (contribuinte) deve cumprir, com base nos ditames legais. As prestações consistem em pagamento do valor em dinheiro,

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