DIREITO EMPRESARIAL I - títulos de crédito, teoria da empresa
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DIREITO EMPRESARIAL I - títulos de crédito, teoria da empresa


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UNIVERSIDADE FEDERAL DE MINAS GERAIS \u2013 DIREITO EMPRESARIAL I
Professor: Leonardo Parentoni
Vitória Maria T. F. do Carmo
Princípios e fontes do direito comerciaL
Antes de tratar diretamente dos princípios e das fontes do direito comercial, algumas observações devem ser feitas:
Direito comercial é sinônimo de empresarial
O direito comercial não é regional e cultural como o Direito Civil, ele visa uniformizar o comércio, exemplos que o professor deu na aula foi o cartão de crédito, débito, franquias etc.
O direito comercial, portanto, é universalista.
O direito comercial é menos intervencionista que o direito civil
O direito comercial há a inerência do risco, a consequência disso é que por exemplo, a lesão, não entraria aqui no direito comercial. Como as condutas do direito comercial apresentam riscos, a imprevisibilidade é algo natural.
A função econômica dos contratos prevalece a função social. 
Celeridade e economia processual são importantes para o direito comercial \u2013 princípio explicito. 
Escopo de lucro (toda relação do direito empresarial visa ao lucro) \u2013 princípio implícito, decorre de interpretação doutrinaria do princípio da função social da propriedade (art. 5º XXIII e 170, III CR/88) \u2013 a função social da empresa -> cumpre sua função social ao gerar emprego, tributo, riqueza e quando obedece às leis ao qual está sujeita.
Autor regulação internacional comercial firms \u2013 associação privada cria termos/siglas/padrões que uniformizam as relações. (Ex: FOBUSD1 DD070817 isso é um contrato válido em que o vendedor \u2018free on board\u2019 e o comprador assume o risco / CIEUSD5 DD 070817 nesse contrato o vendedor é responsável pela peça, pelo frete e pela segurança do produto, isso é, assume os riscos.)
Limitação de responsabilidade patrimonial: finalidade micro e macro \u2013 o investidor precisa de regras predefinidas, claras e precisas para calcular seus riscos e lucros, a previsibilidade é positiva.
Princípio majoritário: orientado pelo investimento \u2013 decisão por maioria, não pela quantidade de pessoas.
Livre inciativa: garantir o acesso as atividades e a seu exercício (não absoluto)
Interesse difuso: não se trata aqui de \u201cdano sofrido por alguém\u201d, mas sim de um prejuízo causado a um grupo genérico
Liberdade de associação restringida (clausula de não competição)
Autônomo em relação ao direito civil \u2013histórica e substancial (na prática possui regras e princípios próprios). O direito comercial é um ramo autônomo pois possui institutos e princípios próprios/específicos. Motivos que podem mostrar sua autonomia:
A atividade comercial reclama do direito uma maior simplicidade de formas, intrinsecamente ligado a velocidade das relações econômicas que não suporta um formalismo presente nas relações de massa.
É um ramo que exige rapidez das operações \u2013 exige-se reforço ao crédito, dando uma disciplina mais célere aos negócios. \u2013 Celeridade + proteção da boa-fé é essencial
A tutela da boa-fé e a simplificação da movimentação de valores.
Onerosidade: regra que se resume nas relações empresariais
Proteção ao crédito
Repartição social dos riscos e responsabilidade ~ responsabilização ligada apenas a visão do interesse, independe de culpa \u2013 resp. objetiva)
Em relação a autonomia história \u2013 é o segundo mais antigo após o CC
O lucro é o principal fator de motivação da iniciativa privada.
Fontes do direito comercial:
As fontes do direito comercial são a CONSTITUIÇÃO FEDERAL, LEI COMERCIAL, O DIREITO CIVIL, ATOS ADMINISTRATIVOS, OS USOS E COSTUMES.
LEI: no sentido material, isso é, as proposições jurídicas que disciplinam a atividade empresarial, não só o que foi emanada por órgão legislativo. Cabendo, portanto, medidas provisórias, regulamentos, a constituição, código civil, lei de falência, lei das S/A, etc., se a norma se aplica à atividade empresarial ela é fonte do direito empresarial.
CONSTITUIÇÃO FEDERAL: fonte primária, não que princípios, dispositivos sejam interpretados da mesma forma em todos os ramos \u2013 exemplo da liberdade de associação- Aqui a gente tira por exemplo a livre inciativa e concorrência, o regime capitalista (fundamento comercial básico), e o nosso modelo de Estado: (art. 173 caput da CR/88) A iniciativa privada deve explorar a empresa no Brasil. O Estado vai dizer as regras e o particular vai exercer, isso é a característica de um estado REGULADOR. Quando um Estado exerce diretamente a atividade, colocando o particular em um papel secundário, tem-se um Estado Interventor.
QUAIS SÃO AS HIPOTESES EM QUE O ESTADO EXERCE DIRETAMENTE A ATIVIDADE ECONOMICA? 
Quando há relevante interesse público ou interesse nacional. 
Exemplo dado em sala de aula foi da Caixa Econômica Federal que pega atividades que dão prejuízos, por quê? Porque são atividades que são necessárias para o país, exemplo do FGTS. O BB não entra nesse exemplo, pois ele é aberto para capital.
QUEM PODE LEGISLAR ACERCA DO DIREITO COMERCIAL?
É competência privativa da união legislar acerca do direito comercial (art. 22, I CR/88)\u2013 garantindo a uniformidade (que traz celeridade em tese também), o professor falou que nos EUA é competência concorrente, o que garante maior flexibilidade de cada estado poder observar mais a sua realidade na hora de compor a lei, isso é, nos EUA cada estado adota sua própria legislação acerca de direito comercial e, algumas parcelas são de competência privativa da união (exemplo: falência lá é competência privativa da união, já a idade para abrir uma empresa é diferente em cada estado). Nos EUA Delaware é o maior Estado que possui registros, pois observa-se que lá foi moldado para ter o melhor direito empresarial, as melhores regras,
No Brasil, nunca houve outro modelo além de competência privativa, mas seria vantagem o Brasil copiar o modelo americano? Certamente não, agravaríamos as desigualdades regionais que já são existentes.
FONTE SUBSIDIÁRIA: Direito civil
USOS E COSTUMES: O costume toma grande importância aqui dento do direito empresarial, devido a pluralidade normativa eles são vitais no direito comercial. Os comerciantes por meio do costume trouxeram várias modificações e incorporações ao direito empresarial.
Apesar de não ocorrer há anos, prevê-se a possibilidade de a junta comercial promover o assentamento de usos e práticas mercantis da localidade (art. 8º VI da lei 8934/94 e art 87,88 do decreto 1800/96). 
O cheque pré-datado é um exemplo de \u201crenuncia ao direito da lei\u201d, pois você assume uma obrigação diferente do que a lei dita. Uma das funções do registro da Empresa é registrar os usos e costumes, como mencionado.
É um contrato futuro entre as partes, em que emitente e beneficiário renunciam ao direito regido, criando uma relação jurídica paralela, isso é, renunciam ao Direito que a lei dá. 
O emitente e o beneficiário têm uma obrigação entre si, é uma segunda relação jurídica (costume praeter legem), enquanto o beneficiário e o banco são outra relação, o banco é uma parte passiva legitima.
STJ: caso de usos e costumes \u2013 o caso do caminhoneiro (resp 877.074/RJ)
LIMITAÇÃO DE RESPONSABILIDADE DO DIREITO EMPRESARIAL
Direito comercial é técnica para limitar o risco do investidor
A ideia da limitação é justamente incentivar o desenvolvimento da própria economia, pois incentiva a aplicação de recurso em atividades econômicas produtivas, sem, contudo, correr riscos extremos de perda de seu patrimônio. [mais ainda na EIRELI]
Uma vez que há custo e risco de investir, deve-se estabelecer regras claras no direito comercial.
EMPRESÁRIO INDIVIDUAL: é a pessoa física. Sozinho e em nome próprio inicia atividade lucrativa, não tem qualquer limitação/proteção de risco, não há separação entre o patrimônio pessoal e o patrimônio da empresa. Paga com todo o seu patrimônio pelas dividas do empreendimento.
Ainda que lhe seja atribuído um CNPJ próprio, distinto do seu CPF, não há distinção entre pessoa física em si e o empresário individual.
Não pode pleitear mais de uma personalidade
SOCIEDADE: protege o investidor. Deve haver dois sujeitos
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