CICCO Claudio de Teoria Geral Do Estado e Ciencia Politica 7 Ed 2016
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CICCO Claudio de Teoria Geral Do Estado e Ciencia Politica 7 Ed 2016


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2017	-	02	-	19
Teoria	Geral	do	Estado	e	Ciência	Política
PRIMEIRAS	PÁGINAS
©	desta	edição	[2016]
2017	-	02	-	19
Teoria	Geral	do	Estado	e	Ciência	Política
PARTE	I	-	TEORIA	GERAL	DO	ESTADO
1.	DIVISÃO	GERAL	DO	DIREITO	E	POSIÇÃO	DA	TEORIA	GERAL	DO	ESTADO
1.	Divisão	Geral	do	Direito	e	Posição	da	Teoria	Geral	do	Estado
1.1.	Considerações	iniciais
Antes	de	analisar	a	Divisão	Geral	do	Direito,	importa	compreender	a	relevância	desta	divisão	em
ramos	 e	 disciplinas,	 tendo	 em	 vista	 a	 organização	 e	 a	 sistematização	 de	 todo	 o	 conhecimento
implicado	em	uma	ciência	tão	ampla	e	complexa.
Feita	 esta	 consideração,	 entretanto,	 neste	 capítulo,	 compete	 analisar	 as	 divisões	 do	 direito.
Consideramos	duas	divisões:
a)	O	direito	natural	e	o	direito	positivo;
b)	o	direito	público	e	o	direito	privado,	sendo	que,	modernamente,	considera-se	o	nascimento	de
um	novo	ramo	conhecido	como	direitos	difusos,	coletivos	e	individuais	homogêneos.
1.2.	Direito	natural	e	direito	positivo
Antes	 de	 analisarmos	 a	 divisão	 do	 Direito	 Positivo	 devemos	 acentuar	 que	 o	 Direito	 divide-se
primeiramente	 em	 Natural	 e	 Positivo.	 Na	 história,	 temos	 esta	 ideia	 do	 Direito	 Natural	 distinto	 do
Direito	Positivo	desde	a	Antiguidade,	tanto	Ocidental	como	Oriental.
É	na	Grécia	que	os	pensadores	da	época	estudaram	e	propuseram	com	mais	robusteza	uma	teoria
acerca	do	Direito	Natural	superior	ao	Direito	Positivo.	Menciona-se	como	antecedente	remoto	da	ideia
de	Direito	Natural	a	cena	da	peça	Antígona,	de	Sófocles	(497-405	a.C.),	em	que	esta	jovem	busca	apoio
em	uma	lei	acima	da	lei	do	Estado	de	Tebas	para	contrariar	o	governante,	Creonte,	que	condenara	seu
irmão	à	morte	e	proibira	o	sepultamento.	Ao	cumprir	os	ritos	fúnebres,	expondo-se	também	à	morte,
Antígona	declara:	 "Não	 creio	que	 teus	decretos	 tenham	 tal	 poder	 a	 ponto	de	permitir	 a	um	mortal
violar	as	leis	divinas,	leis	não	escritas,	mas	intangíveis.	Não	são	de	hoje,	nem	de	ontem,	estão	em	vigor
desde	a	origem	e	ninguém	viu	seu	nascimento"	(versos	450-457).1
O	Direito	Natural	 (ius	naturale)	 integra	 a	 doutrina	do	 Jusnaturalismo	 também	entre	 os	 filósofos
estoicos	gregos	e	romanos	(I-II	séculos	a.C.	até	o	III	século	da	nossa	era),	para	quem	a	Natureza	mesma
segue	e	ensina	tal	Direito	até	aos	animais.	Essa	doutrina	entende	que	existe	um	sistema	de	normas	de
conduta	independente	da	vontade	humana,2	sendo	as	leis	positivas	promulgadas	como	conclusões	da
lei	 natural.	 Esta	 é	 a	 opinião	 de	 São	 Tomás	 de	 Aquino	 (1225-1274),	 ao	 vislumbrar	 três	 graus	 na
hierarquia	das	leis:	a	lei	eterna,	que	se	confunde	com	a	própria	sabedoria	de	Deus;	a	natural,	que	rege
o	universo,	acessível	à	razão	humana;	e	a	positiva,	emanada	do	Estado.3	Esse	Direito	tem	validade	em
si,	e	é,	para	os	jusnaturalistas,	anterior	e	superior	ao	Direito	Positivo.	Dependendo	da	mentalidade	de
cada	 época,	 sua	 fundamentação	 pode	 estar	 na	 natureza	 (antigos),	 em	Deus	 criador	 (medievais),	 na
razão	(modernos)	ou	na	dignidade	da	pessoa	humana	(contemporâneos).
Por	 seu	 turno,	 o	 Direito	 Positivo	 consiste	 no	 conjunto	 de	 normas	 impostas	 e	 estabelecidas	 pelo
Estado	a	 fim	de	organizar	uma	sociedade	em	um	dado	 tempo	e	espaço.	O	 termo	Positivo	deriva	do
termo	latino	positum,	que	significa	posto,	que	se	impõe.	Desta	maneira,	o	Direito	Positivo	é	aquele	que
está	grafado	em	leis,	decretos,	decisões	judiciárias,	tratados	internacionais	etc.	A	escola	que	considera
apenas	 a	 existência	 do	 Direito	 Positivo	 é	 chamada	 de	 Positivismo	 jurídico.	 Surgida	 no	 Século	 XX,
acredita	essa	escola	que	exista	apenas	o	Direito	Positivo,	prescindindo	do	Direito	Natural,	considerado
por	esta	como	valor	moral	e	não	jurídico.
1.3.	Ramos	do	direito	positivo
Imaginando	 o	 Direito	 Positivo	 como	 uma	 grande	 árvore,	 é	 possível	 reconhecer	 dois	 ramos,
conforme	 a	 divisão	 dos	 antigos	 romanos:	 a	 parte	 das	 leis	 que	 regulam	 a	 relação	 entre	 indivíduos,
pessoas	 físicas	 e/ou	 pessoas	 jurídicas,	 consiste	 no	 Direito	 Privado;	 a	 parte	 das	 leis	 que	 trata	 das
relações	da	sociedade	política	em	si	mesma	e	em	suas	interações	com	os	indivíduos,	consubstancia	o
Direito	Público.	Ulpiano	sintetiza	da	seguinte	maneira:	publicum	 jus	est	quod	ad	statum	rei	 romanae
spectat;	privatum	quod	ad	singulorum	utilitatem	pertinet,	ou	seja,	o	Direito	Público	é	o	que	regula	as
coisas	 do	 Estado;	 o	 Direito	 Privado	 é	 o	 que	 diz	 respeito	 aos	 interesses	 particulares	 (Inst.	 1.1.4	 -	 D.
1.1.1.2).
Ultimamente,	 o	 Direito	 começa	 a	 dar	 vida	 normativamente	 a	 um	 "novo	 ramo	nessa	 árvore",	 os
interesses	coletivos.
Inicialmente,	 os	 direitos	 originados	 de	 interesses	 coletivos	 foram	 considerados	 como	 interesses
públicos	 e,	 consequentemente,	 direitos	 públicos.	Ocorre	que	 interesses	 coletivos	não	 se	 enquadram
totalmente	 no	 conceito	 de	 interesse	 público,	 uma	 vez	 que	 não	 tratam	 de	 confrontos	 entre	 a
autoridade,	o	Estado	e	o	indivíduo,	mas	sim,	garantias	de	qualidade	de	vida	dos	indivíduos	referentes
à	dignidade	da	pessoa	humana.
Com	efeito,	na	década	de	70	do	século	passado,	surgiu	na	Itália	o	estudo	sobre	um	novo	ramo	do
Direito	ao	qual	pertencem	os	Direitos	Difusos	e	Coletivos.4	No	Brasil,	a	discussão	teve	início	a	partir	da
conceituação	de	Direito	do	Trabalho	e	atingiu	sua	formatação	atual	com	o	Direito	do	Consumidor,	que,
em	 seu	 art.	 81,	 parágrafo	 único,	 define	 os	 direitos	 difusos,	 coletivos	 e	 individuais	 homogêneos	 da
seguinte	forma:
"Art.	81.	A	defesa	dos	interesses	e	direitos	dos	consumidores	e	das	vítimas	poderá	ser	exercida	em
juízo	individualmente	ou	a	título	coletivo.
Parágrafo	único.	A	defesa	coletiva	será	exercida	quando	se	tratar	de:
I	-	 interesses	ou	direitos	difusos,	assim	entendidos,	para	efeitos	deste	Código,	os	transindividuais,
de	natureza	indivisível,	de	que	sejam	titulares	pessoas	indeterminadas	e	ligadas	por	circunstâncias	de
fato;
II	-	interesses	ou	direitos	coletivos,	assim	entendidos,	para	efeitos	deste	Código,	os	transindividuais,
de	natureza	 indivisível,	de	que	seja	 titular	grupo,	 categoria	ou	classe	de	pessoas	 ligadas	entre	 si	ou
com	a	parte	contrária	por	uma	relação	jurídica	base;
III	 -	 interesses	 ou	 direitos	 individuais	 homogêneos,	 assim	 entendidos	 os	 decorrentes	 de	 origem
comum."
Para	efeitos	didáticos,	serão	consideradas	aqui	as	três	divisões	apontadas	acima.
1.3.1.	Direito	público
O	Direito	Público	divide-se	em	interno	e	externo.	Na	primeira	categoria	encontram-se	a	União,	os
Estados,	os	municípios,	as	empresas	públicas,	as	autarquias,	as	sociedades	de	economia	mista.	Por	seu
turno,	 o	 campo	 do	 Direito	 Público	 externo	 abrange	 os	 governos	 estrangeiros,	 as	 organizações
estrangeiras	de	qualquer	natureza	que	tenham	constituído,	dirijam	ou	tenham	investido	em	funções
públicas.
Pertencem	ao	Direito	Público	Interno:
a)	O	Direito	Constitucional:	pode	ser	definido	da	seguinte	maneira:	"Ramo	do	Direito	Público	que
expõe,	 interpreta	 e	 sistematiza	 os	 princípios	 e	 normas	 fundamentais	 do	 Estado".5	 Assim,	 o	 Direito
Constitucional	disciplina	a	organização	do	Estado,	tratando	em	sua	legislação,	que	no	caso	brasileiro	é
a	Constituição	Federal,	da	divisão	dos	poderes,	as	funções	e	limites	de	seus	órgãos	e	as	relações	entre
governantes	e	governados,	garantindo	direitos	e	deveres.
b)	O	Direito	Administrativo:	muito	ligado	ao	Direito	Constitucional,	poderia	assim	ser	definido:	"(...)
o	conjunto	harmônico	de	princípios	jurídicos	que	regem	os	órgãos,	os	agentes	e	as	atividades	públicas
tendentes	a	realizar	concreta,	direta	e	imediatamente	os	fins	desejados	pelo	Estado".6
c)	O	Direito	Tributário:	consiste	no	"ramo	do	Direito	que	se	ocupa	das	relações	entre	o	Fisco	e	as
pessoas	 sujeitas	 à	 imposição	 tributária	 de	 qualquer	 espécie,	 limitando	 o	 poder	 de	 tributar	 e
protegendo	o	cidadão
Cecilia
Cecilia fez um comentário
Tem como me passar em pdf por email tbm?
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