Renata Melo e Silva de Oliveira (org.) - Engenharia de produção - Tópicos e aplicações
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Renata Melo e Silva de Oliveira (org.) - Engenharia de produção - Tópicos e aplicações


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componentes, em geral, influenciam o desempenho das operações
logísticas. Além disso, de forma isolada, decisões referentes a estes
fatores são de pouca ou de difícil percepção por parte dos clientes.

Ratifique-se, diante desses aspectos, que a análise de um
sistema logístico, deve, também, fundamentar-se no serviço ao

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cliente e, consequentemente, nos custos logísticos inerentes às
decisões relacionadas aos processos de negócios desenvolvidos na
cadeia de suprimentos. Tanto nível de serviço quanto custos podem
ser considerados componentes estratégicos de desempenho
logístico, uma vez que são os indicadores gerados a partir destes
dois componentes aqueles mais percebidos por clientes e
fornecedores.

Ballou (1993) ressalta que o nível de serviço logístico é o
resultado líquido de todos os esforços logísticos oferecidos pelos
fornecedores aos seus clientes no atendimento dos pedidos. O
autor conclui, ainda, que, como o nível de serviço está associado aos
custos de prover esse serviço, o planejamento da movimentação de
produtos e serviços deve iniciar-se com as necessidades de
desempenho dos clientes.

Do ponto de vista da logística, o cliente é a entidade à porta
de qualquer destino de entrega e, independentemente da finalidade
da entrega, o cliente é o foco e a força motriz para o
estabelecimento dos requisitos do desempenho logístico. Em
algumas situações, o cliente é uma organização ou um indivíduo que
toma posse do bem ou serviço entregue; em outras situações, o
cliente é uma instalação diferente da mesma empresa ou um
parceiro comercial situado em alguma outra parte da cadeia de
suprimentos (BOWERSOX E CLOSS, 2001).

Um empreendimento consegue, portanto, garantir seu
sucesso empresarial à medida que entrega ao cliente o bem ou
serviço, de modo que ele possa perceber claramente o seu valor.
Assim, os estudos relacionados aos sistemas logísticos têm
alcançado grande importância estratégica, onde novos conceitos
têm ampliado os horizontes de atuação dos empreendimentos com
merecido destaque em todo o mundo (KATO, 2003).

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4. Análise Logística da Cadeia Produtiva do Setor de Energia
Elétrica no Brasil

Para o setor de energia elétrica, inicialmente, duas
considerações básicas podem ser feitas:

a) Toda produção é destinada à sociedade, qualquer que
seja a classe de consumidor;

b) É impossível estocar energia elétrica como produto
acabado, tendo-se que utilizá-la exatamente no
momento em que esta é produzida

Neste setor o potencial de energia só pode ser estocado, por
exemplo, sob a forma de água em reservatórios (Usinas
hidrelétricas). Isto é, antes da transformação da energia como
insumo (água em desnível) em energia como produto (eletricidade),
sendo tal transformação realizada por equipamentos grandes,
pesados e caros (transformadores, comportas, turbinas, geradores
etc.). Alguns desses, além de movimentados na sua aquisição,
precisam ser manuseados em função de manutenção e, ainda, para
a realocação de capacidade produtiva entre instalações.

Em geral, os insumos do setor de energia elétrica são recursos
que não diferem muito do conjunto necessário a qualquer
organização produtiva, incluindo recursos humanos, financeiros,
materiais e informacionais. É exatamente desses recursos que se
ocupa a logística empresarial, segundo a nova abordagem de
gerenciamento da cadeia de suprimentos (GCS). Neste setor, em
que o fornecimento ininterrupto da energia deve ser o objetivo, a
ênfase recai na logística voltada ao GCS, a partir do qual se obtêm
os recursos, sejam da natureza (mananciais de água) ou da indústria
(bens de capital). O setor de energia elétrica constitui-se de um ciclo
integrado de três macro-funções: geração, transmissão e
distribuição. A Figura 1 organiza de forma ilustrativa o ciclo de
funções (geração, transmissão e distribuição) do setor.

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Fonte: Melo, Ferreira Filho e Cavalcanti Netto (2005)

Figura 1 - Ciclo de Funções do Setor de Energia Elétrica

A partir da análise de fluxos de materiais, bens,
equipamentos, informações e energia elétrica, é possível apresentar
e analisar a logística do setor, considerando que as atividades e as
decisões, a ele associadas, são representadas por dois subsistemas
logísticos: o Subsistema de Suporte, relacionado a modelos de
suprimento, com decisões, fluxos e atividades que visam
manutenção das condições operacionais do setor, no caso a
geração, a transmissão e a distribuição de energia elétrica; e o
Subsistema Principal, associado a modelos de distribuição, voltado a
logística da energia elétrica e relacionado a decisões, fluxos e
atividades logísticas específicas, desde a geração, até a distribuição
de energia Estes subsistemas são caracterizados em detalhes na
Figura 2 e nas seções a seguir.

4.1 Subsistema logístico de suporte

É composto por atividades logísticas relacionadas à reposição
de materiais e equipamentos, e à manutenção operacional do
sistema elétrico. Neste caso, as atividades são desenvolvidas a partir
de um modelo genérico de suprimento físico, voltado ao

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gerenciamento dos fluxos de informações, materiais, bens e
serviços indiretamente necessários, porém fundamentais à
manutenção das atividades principais do setor (geração,
transmissão e distribuição de energia), considerando a gestão de
capacidade das instalações traduzida em fluxos eficientes de
materiais, serviços e equipamentos entre estas. Refere-se ao
sistema logístico que garante, às instalações do subsistema
principal, a disponibilidade de materiais, componentes,
equipamentos elétricos e serviços, que, por sua vez, garantem o
fluxo contínuo da energia e a estabilidade do sistema elétrico.

Fonte: Melo, Ferreira Filho e Cavalcanti Netto (2005)

Figura 2 - Subsistemas Logísticos e Fluxos no Setor de Energia Elétrica

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O Quadro 1 caracteriza, a partir do modelo de suprimento
físico, o subsistema logístico das atividades de suporte ao setor
elétrico.

Comp. de
Desempenho

Componentes
principais

Modelo genérico de
suprimento físico

Subsistema logístico de
suporte

Informações

Fluxos
Bens, serviços e
informações

Materiais, compon., equip.,
informações e serviços

Insumos
Matérias-primas,
equipamentos e serviços

Materiais, compon. e equip.
elétricos, combust., serviços

Produtores Fábricas e indústrias
Fábr. de materiais, equip. e
combustív.

Fornecedores

CD regionais,
operadores logísticos e
transportadoras

CD de fábricas, operadores
logísticos e transportadoras

CD avançados,
operadores logísticos e
transportadoras

CD de distribuidores,
operadores logísticos e
transportadoras

Clientes
Fábricas, atacadistas,
varejistas

Geradoras, transm. e distrib.
de energia

Transporte Transporte

Transferências e
abastecimento

Transferências e abastec. de
materiais e equip. elétricos

Aéreo, rodoviário,
ferrov., aquav., dutov. e
eletrônico

Aéreo, rodoviário, ferrov.,
aquav., dutov. e eletrônico

Estoques Estoques

Matéria-prima, bens em
processo e bens
acabados

Água ou combust., outros
mat., comp. e equip. elétricos

Alto (Bens BV/DR);
Baixo (Bens AV/DI)

Alto (Bens BV/DR);
Baixo (Bens AV/DI)

Descentralizado (Bens de
BV/DR);
Centralizado (Bens de
AV/DI)

Descentralizado (Bens de
BV/DR);
Centralizado (Bens de
AV/DI)

Instalações

Instalações
principais

Fornecedores e Clientes
Fornecedores, Setor elétrico e
Clientes